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Números comprovam que subir o monte Everest não é tarefa fácil; pesar de 5 mil pessoas terem alcançado os 8.848 metros de altitude da escalada, outras 300 morreram – 11 delas neste ano
Os números comprovam que subir o monte Everest não é tarefa fácil. Apesar de 5 mil pessoas já terem alcançado os 8.848 metros de altitude da escalada, outras 300 morreram - 11 delas neste ano.
Entre as razões do fracasso estão o clima, avalanches, tempestades, mas também erros de planejamento, que podem resultar, por exemplo, na falta de oxigênio.
Para minimizar os riscos, são necessários, em média, três anos de preparação e investimento de R$ 270 mil - incluindo R$ 45 mil entre cursos e testes práticos em locais de menor exigência técnica e R$ 40 mil de equipamento. Esse são números levantados por especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo.
Segundo a reportagem, a jornada até o Everest propriamente dita dura cerca de 50 dias e não sai por menos de R$ 185 mil, já incluindo o transporte até o Nepal, a taxa de R$ 43 mil (US$ 11 mil) paga ao governo para obter a permissão de escalada, a logística necessária nos acampamentos de apoio e a companhia de um guia local.
Uma foto com centenas de alpinistas enfileirados na chamada “Zona da Morte” do Everest, congestionados a mais de 8 mil metros de altitude, chamou recentemente atenção para os riscos em uma jornada altamente perigosa.
Carlos Santalena, que já subiu três vezes até o topo, diz que a situação é reflexo do controle de quem é autorizado a escalar o Everest que, segundo ele, fica mais a cargo das agências de turismo do que do governo do Nepal.
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Para ele, dificilmente a situação será alterada pelo governo do Nepal - de onde parte a maioria das expedições - em razão do prejuízo que a restrição causaria.
De acordo com o New York Times, considerando todos os aspectos econômicos envolvidos, a escalada do Everest proporciona US$ 300 milhões por ano em receitas ao país, que é um dos mais pobres do mundo.
“Falta ao Nepal impor um crivo e não permitir que qualquer pessoa que pague possa escalar o Everest, além de ser ativo na decisão sobre as datas que cada agência deve ter para levar as pessoas ao topo, com base nas informações climáticas”, diz.
Entre outras mudanças que Santalena cita como positivas estão a implementação de um limite de permissões por temporada, com sorteio, se houver mais interessados, além da exigência de comprovação de escalada em outras montanhas com mais de 8 mil metros.
A Associação de Montanhismo do Nepal também defende que o governo fiscalize se os montanhistas cumprem pré-requisitos antes de receberem a permissão de escalada. “O governo deve criar políticas rígidas para impedir que alpinistas inexperientes tentem escalar o Everest”, afirmou ao NYT Santa Bir Lama, presidente da entidade.
Lama também acusa as agências que oferecem pacotes de estarem mais preocupadas com o lucro do que em garantir que as regras de segurança sejam cumpridas e cobra que o governo passe a emitir as autorizações com meses de antecedência - e não dias, como ocorre hoje -, para que os montanhistas tenham tempo de se preparar.
Na quarta-feira, porém, durante evento para celebrar a primeira escalada ao topo do Everest, funcionários nepaleses disseram não haver nenhum plano para limitar as escaladas. Segundo Gokul Prasad Baskota, ministro da Comunicação, o congestionamento não é causado pelo excesso de permissões, mas sim em razão da falta de treinamento de alguns montanhistas.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.
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