Menu
2019-06-07T18:56:11-03:00
Estadão Conteúdo
Busca por retornos maiores

Gestores testam apetite de investidor no mercado de crédito corporativo

Mercado começa a testar o apetite do público por papéis de empresas menores, muitas vezes desconhecidas do investidor

6 de maio de 2019
8:22 - atualizado às 18:56
dinheiro
Imagem: Shutterstock

Em um ano marcado por instabilidades políticas, dúvidas sobre a reforma da Previdência e queda dos juros, investidores cativos da renda fixa parecem dispostos a dobrar a aposta no mercado de crédito corporativo em busca de maiores retornos - mesmo que isso represente assumir um pouco mais de risco.

Depois do sucesso das debêntures incentivadas - títulos de renda fixa que as grandes empresas emitem para financiar projetos e operações de infraestrutura -, agora o mercado começa a testar o apetite do público pelos papéis de empresas menores, muitas vezes desconhecidas do investidor.

Nas últimas semanas, com a queda no prêmio por debêntures de companhias como BNDES, Petrobras e Gol, quem se acostumou com retornos de 160% do CDI teve de se informar sobre papéis de empresas como a incorporadora carioca Carvalho Rosken e a empresa gaúcha Produtécnica, vendedora de herbicidas para pequenos produtores agrícolas.

Debêntures são títulos de renda fixa que as empresas emitem para custear seus projetos e operações. Quem compra esse título, portanto, empresta dinheiro para a companhia. Por ser uma aplicação de maior risco, esses papéis costumavam pagar juros maiores do que outras aplicações tradicionais de renda fixa, como títulos públicos e CDBs. Mas atualmente o que se vê é que cada vez os retornos desses papéis se aproximam de outros títulos. Para as empresas, no entanto, ainda é vantajoso, pois elas captam recursos a juros mais baratos que nos bancos.

Pé no freio

O motivo do achatamento nos juros é que as grandes companhias que movimentam esse mercado pisaram no freio e estão em compasso de espera pela recuperação da economia e o futuro da Previdência. As últimas grandes emissões de debêntures foram para trocar uma dívida que está para vencer por outra, com prazo maior de vencimento. Com isso, os prêmios para o investidor têm caído de 30% a 40%.

Para esse aplicador, a solução passou a ser empresas menores, com debêntures de 4% a 5% acima do CDI (taxa acompanha a Selic e hoje está em 6,40%). São operações mais modestas, de R$ 10 milhões até R$ 100 milhões, mas que já estão no portfólio de casas como TAG e GPS.

“Esse é um mercado que está crescendo bastante. Os prêmios se fecharam muito nas debêntures de grandes empresas. Tem boas oportunidades entre empresas com bons fundamentos, mas que, por algum motivo, estão mal precificadas”, diz o sócio e chefe de distribuição da XP Investimentos, Getúlio Lobo.

Taxas

Entre as gestoras que buscam essa saída está a GPS Investimentos, gestora de fortunas do banco Julius Baer, que vem estruturando operações com outros investidores para trazer papéis com retorno do CDI acrescido de 2% para suas carteiras. “Há um desequilíbrio entre a oferta e demanda por títulos de crédito privado e temos recorrido a empresas de capital fechado e participado da estruturação de operações”, conta Jean-Pierre Cote Gil, da GPS.

A TAG, especializada em milionários, está estruturando papéis de dívida para a Produtécnica, de Passo Fundo (RS). A empresa quer captar R$ 14 milhões, pagando 11,5% ao ano, quase 170% do CDI. “São emissões que não interessam aos grandes bancos. Por outro lado, pagam bem o investidor e a empresa consegue dinheiro mais barato”, conta Dan Kawa, da TAG. (Com Cynthia Decloedt)

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

seu dinheiro na sua noite

No mundo corporativo, quem não diversifica, se trumbica

De uns tempos para cá, uma antiga fala de Warren Buffett tem pipocado nas minhas redes. Nela, o megainvestidor diz que “diversificação não faz sentido para quem sabe o que está fazendo” — e ele, naturalmente, se coloca como um sábio. Longe de mim querer contrariar o oráculo do mercado financeiro, mas é preciso tomar […]

nos ares

Boeing realiza 1º voo do maior avião da família 737 MAX e inicia fase de testes

Empresa vem trabalhando para superar acidentes aéreos envolvendo a família de aviões 737 MAX. No Brasil, a Gol tem um pedido firme do 737-10

pix questionado

Procon-SP notifica bancos por brechas exploradas por ladrões de celulares

São requisitados esclarecimentos sobre dispositivos de segurança, bloqueio, exclusão de dados de forma remota e rastreamento de operações financeiras disponibilizados aos clientes vítimas de furto ou roubo

FECHAMENTO DA SEMANA

Juros futuros são grandes protagonistas da semana e ainda prometem mais emoção; dólar recua 1% e bolsa fica no vermelho

Com Copom duro e a sinalização de uma possível elevação nas taxas de juros nos EUA, os principais contratos de DI dispararam. Na semana, o dólar recuou com o forte fluxo estrangeiro e a bolsa seguiu o ritmo das commodities (mais uma vez)

Calendário completo

Banco Central: veja as datas das reuniões do Copom em 2022

O Copom é o órgão do BC responsável por definir, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia brasileira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies