Fundos cambiais são opção para proteção contra variação do dólar
Daqui para a frente, o que o investidor pode fazer é aplicar, aos poucos, parte da carteira para se defender da variação da moeda

O dólar foi o ativo que mais se valorizou no mês de novembro, com alta de 5,73% até o dia 28, segundo análise do administrador de investimentos Fábio Colombo. No entanto, tentar ganhar dinheiro prevendo os próximos passos do câmbio não é o caminho indicado pelos especialistas. Daqui para a frente, o que o investidor pode fazer é aplicar, aos poucos, parte da carteira para se defender da variação da moeda. Para isso, os fundos cambiais - já não tão populares - podem ser uma saída, além de uma opção para garantir a reserva de dinheiro de uma viagem sem o risco de deixar a quantia em casa. O foco nessa estratégia, porém, é a proteção da carteira e não o aumento dos rendimentos.
A desvalorização do real tem efeito sobre muitos investimentos, inclusive a renda fixa. A reação dos títulos do Tesouro prefixados ou atrelados à inflação se manifesta na marcação a mercado - valor do título caso ele seja vendido antes do prazo. "Nos títulos prefixados, a marcação a mercado caiu, em razão de uma mudança na expectativa de juros futuros, por decorrência do câmbio. Alguns fundos multimercados também sentiram essa mudança", diz o gestor da Guide Investimentos Leonardo Uram.
Isso acontece porque o mercado prevê a possibilidade de que, com o dólar mais alto, no médio prazo, os preços da economia sejam puxados por produtos que tenham artigos importados em sua cadeia produtiva. Caso isso venha a acontecer, o Banco Central teria de reduzir os cortes de juros, para impedir o aumento da inflação. Essas suposições, e um contexto internacional ainda conturbado, levaram a pequenas alterações na curva de juros futuros, o que desvaloriza momentaneamente os títulos prefixados e frustra a estratégia de alguns fundos. Uram pontua que esse efeito é passageiro, e, assim, vale a pena carregar os títulos por mais tempo na carteira, além de focar resultados dos fundos no médio prazo.
É justamente para se prevenir desses efeitos, e de outros - como perdas em ações de empresas que são afetadas pela alta do dólar - que estabelecer uma estratégia de isolamento da carteira do câmbio pode ser interessante. "Os fundos cambiais funcionam como proteção, não como um investimento rentável", diz Gilberto Kfouri, responsável por renda fixa e multimercados da BNP Paribas Asset Management. O gestor ressalta que, nesse ativo, se houver rendimentos, ainda é descontado o Imposto de Renda. "Esse tipo de ativo já é parte de uma estratégia mais diversificada", diz.
Esse ativo ainda pode ser uma medida de segurança para quem planeja viajar e não quer se arriscar a manter a moeda comprada em casa. "Nesse patamar de dólar mais caro, vai fazer sentido o investidor menor, que não pode alcançar carteiras de ações de fora do país, alocar pouco a pouco uma porcentagem maior em fundos cambiais. Assim, caso haja mais desvalorização, ele fica protegido. E se o real voltar a se fortalecer, o restante da sua alocação em ativos domésticos superara a queda do dólar", explica José Lucio Nascimento, sócio da BTG Pactual Asset Management.
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É verdade, porém, que os fundos cambiais já não estão em seu melhor momento. Outubro foi o primeiro mês, desde março deste ano com resultado positivo no patrimônio líquido (o saldo de aportes e saídas) dessa classe de investimentos. Com R$ 188 milhões de resultado no mês, esse período foi também o melhor desde junho do ano passado, quando as entradas e saídas ficaram positivas em mais de R$ 1 bilhão.
Para Fábio Macedo, gerente comercial da corretora Easynvest, esse menor interesse em fundos cambiais é uma consequência da inflação mais controlada, taxa de juros mais baixa e maior conhecimento dos investidores, que já não se sentem tão inseguros a ponto de desejar ter maior quantidade do seu patrimônio em dólar.
Menos indicados pelos especialistas, mas muito negociados na Bolsa, os minicontratos futuros de dólar são outra opção para os investidores que desejam comprar a moeda. Em outubro deste ano foram negociados mais de R$ 1,2 trilhão, no tipo de contrato que mais atende às pessoas físicas (WDO - futuro de dólar mini). Ainda assim, o mínimo é de R$ 10 mil e, segundo o coordenador do centro de estudos em finanças da FGV Eaesp, William Eid Jr., é difícil que o investidor consiga operar esse tipo de ativo. "Há uma miopia que toma conta do investidor quando ele olha a valorização de um ativo nos últimos meses", diz Eid. "Geralmente, o investidor pessoa física chega atrasado e não capta as altas. Porque ele se move pelo fluxo e não pelo fundamento", complementa Dennis Kac, sócio da Brainvest.
Mais possibilidades
Para quem já tem um patrimônio maior e consegue respaldo profissional para fazer remessas ao exterior, investir em dívidas emitidas em dólar é uma saída de diversificação e proteção, diz Eid. Ele explica que, assim, o investidor consegue rendimentos melhores, capta a valorização da moeda americana - se houver - e cultiva uma parte do seu patrimônio isolada da variação do real. Além disso, para quem está um passo antes desse patamar de investimentos, fundos de ações em empresas estrangeiras podem ser uma maneira de manter uma porcentagem de suas aplicações longe de sustos com o real, avalia Gilberto Kfouri, da BNP Asset. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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