Queda de juro torna a vida do poupador mais difícil, mas é bem-vinda, diz Ilan Goldfajn
Para o ex-presidente do Banco Central, não haverá recuperação global forte, os EUA vão desacelerar e juro ficará baixo por um bom tempo, com dólar alto. E não adianta esperar o dinheiro gringo: nós mesmos vamos ter que investir na economia real, e isso vai ser bom

“De vez em quando alguém me para na rua da diz ‘obrigado pelo bom trabalho que você fez no Banco Central... mas você destruiu minha poupança, hein?’”.
O ex-presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, já começou sua apresentação nesta manhã, em evento da Western Asset em São Paulo, com esse storytelling, depois de ser responsabilizado pelo juro baixo no Brasil.
De fato, foi durante seu mandato no BC entre junho de 2016 e fevereiro de 2019 que a nossa inflação, antes alta, voltou para a meta, e o recente ciclo de cortes na Selic se iniciou.
Mas ele lembrou que o trabalho de política monetária dos bancos centrais é um trabalho de reação para tentar equilibrar os desejos de consumo, poupança e investimento das pessoas e instituições.
Afinal, a redução dos juros no Brasil é fruto de mudanças estruturais tanto aqui quanto no exterior.
“Vivemos num mundo de juros baixos. Temos 15 trilhões de dólares aplicados em juro negativo hoje”, lembrou Ilan, que hoje é presidente do Conselho do Credit Suisse no Brasil.
Leia Também
Lá fora, investidores não desejam tomar risco - a demanda é por ativos seguros, apesar do retorno baixo. Há menos ímpeto para investimento e crescimento e mais ímpeto por poupar em segurança.
[captacao]
Além disso, a inflação no mundo caiu de forma importante nos últimos dez anos. Não só pela menor demanda por consumo com uma população mais velha e avessa à risco, como também pelo desenvolvimento tecnológico que mantém os preços baixos e parecidos em todo o mundo globalizado.
Já no Brasil, a queda nos gastos do governo e as reformas, depois de dez anos de política fiscal expansionista, possibilitaram um juro mais baixo. “Despesa do governo caindo no Brasil é uma revolução”, disse Ilan Goldfajn.
Num cenário como esse, continuou, vamos ter que conviver com juro baixo por um bom tempo. Não é que pequenos ajustes nos juros e flutuações nos preços dos ativos não vão acontecer. Mas o patamar mudou.
Já o dólar deve mesmo ficar num patamar mais alto por um prazo mais longo. “Nosso câmbio deve ficar mais depreciado nos próximos dez anos do que esteve na última década”, disse o ex-presidente do BC. “Quando o juro fica mais baixo, o câmbio fica mais depreciado, é natural.”
Não adianta esperar o gringo
E, nesse cenário, nem adianta ficar contando muito com o dinheiro do gringo. O mundo está devagar mesmo, e assim deve continuar.
“Não consigo ver uma recuperação global muito forte. Os Estados Unidos vão desacelerar, porque o desemprego lá já está muito baixo. E conflitos e incertezas vão existir”, avaliou Ilan.
Nesse contexto, apesar dos juros baixos, a demanda do estrangeiro é por ativos seguros, não pelo investimento em ativos de risco, como os do mundo emergente. O “convidado especial” não vai vir da forma que esperamos. “A festa é boa, mas é nossa.”
E como ficamos nós, os órfãos do CDI?
O poupador, como eu e você, ficou órfão do juro alto. “De fato, a queda dos juros torna a vida do poupador mais difícil. Mas ela é bem-vinda”, disse Ilan Goldfajn.
Com juro alto, o poupador ganhava uma rentabilidade maior, mas também pagava uma conta maior pela política fiscal expansionista, financiando o governo. Aquele passado não era, afinal, maravilhoso. “A poupança do país não era maior quando o juro era mais alto”, lembrou.
Ele reforçou que, agora, com o juro baixo, há um estímulo à economia real, com maior participação do capital privado, maior eficiência e produtividade, gerando um retorno mais sustentável, o que é bom para o país.
“Fora que o Brasil é um país carente de todo tipo de investimento, então o potencial de retorno é alto”, observou. O problema, admitiu, é haver segurança institucional para o ativo real - empresa, imóvel, investimento em infraestrutura - poder dar este retorno.
“O desafio do mercado financeiro é estruturar os ativos de forma a dar essa segurança para o investidor. E o investidor está vindo. Ele não está acostumado a ter um retorno de 5% ao ano. Ele quer mais”, completou.
MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA
Lotofácil 3814 faz 2 novos milionários; Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 305 milhões
27 de outubro de 2026 - 5:58DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL
“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora
23 de outubro de 2026 - 15:56VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS