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Dados da Bolsa por TradingView
2019-04-05T15:45:51-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Tendências opostas

Ibovespa tem dia de alívio e sobe 1,76%; dólar fecha em alta, de olho em Brasília

Exterior positivo e petróleo em alta ajudaram a dar força ao principal índice da bolsa brasileira. Estresse no front político pesou mais sobre os mercados de câmbio e juros

26 de março de 2019
10:27 - atualizado às 15:45
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa - Imagem: Seu Dinheiro

O noticiário político voltou a testar os nervos do mercado nesta terça-feira. Mas, num dia de maior tranquilidade no exterior, a turbulência local teve efeito limitado para o Ibovespa: o índice ganhou força ao longo da tarde e fechou em alta de mais de 1,5%, recuperando o nível dos 95 mil pontos.

O estresse do dia envolveu o ministro da Economia, Paulo Guedes, que cancelou sua ida à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), agendada para a tarde desta terça-feira. O mercado, é claro, ficou frustrado, já que aguardava uma aproximação entre o ministro e o Congresso, diminuindo os atritos ao redor da articulação política.

Mas se é verdade que o novo episódio de tensão em Brasília não tirou o Ibovespa dos trilhos — afinal, o índice fechou o pregão em alta de 1,76%, aos 95.306,82 pontos —, o mesmo não pode ser dito dos mercados de câmbio e juros. Tanto o dólar quanto os DIs passaram a subir após o cancelamento de Guedes e permaneceram no campo positivo até o fechamento.

E o que explica essa diferença?

Analistas e operadores apontaram diversos motivos que ajudam a entender a recuperação forte do Ibovespa, apesar do front político ainda tumultuado. Em primeiro lugar aparecem as bolsas globais, que tiveram um dia de alívio: o Dow Jones fechou em alta de 0,55%, o S&P 500 avançou 0,72% e o Nasdaq teve ganho de 0,71%.

"Há um cenário mais positivo no exterior, sem a preocupação excessiva vista no fim da semana passada", diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Ele ainda destaca os ganhos expressivos do petróleo, em meio à expectativa de cortes na oferta da commodity pela Opep: o WTI encerrou o dia em alta de 1,9%, a US$ 59,94, no maior nível desde 12 de novembro.

Um analista que prefere não ser identificado assume linha semelhante, destacando que a recuperação do petróleo e das bolsas globais, somada aos preços mais baixos dos ativos da bolsa após a correção recente, criou boas condições para o Ibovespa retomar parte do terreno perdido.

"Muitos papéis viraram barganha, e com a menor aversão ao risco no exterior, o mercado foi para cima", diz o analista, lembrando que o índice vinha de uma sequência de cinco quedas consecutivas, recuando do patamar dos 100 mil pontos para o nível dos 93 mil pontos.

Segundo um experiente operador, esse ambiente de menor pressão lá fora também motivou a atuação de investidores estrangeiros por aqui. Ele destaca que a corretora do Bank of America Merrill Lynch atuou intensamente na ponta compradora nesta terça-feira, um indício de que os gringos tiraram o dia para entrar no mercado de ações brasileiro.

Já o dólar à vista fechou em alta de 0,29%, a R$ 3,8675. Vieira, da Infinity, destaca que grande parte das divisas emergentes teve uma sessão mais pressionada, perdendo terreno ante a moeda americana — e o real esteve inserido nesse contexto.

Mas é fato que o noticiário político trouxe maior desconforto ao dólar, especialmente após a queda firme de 1,16% na sessão de ontem. "A ida dele à CCJ não era normal, mas seria um evento de pacificação, para mostrar a necessidade de a reforma acontecer o mais rápido possível", diz Pedro Galdi, analista da Mirae.

Os DIs também passaram por instabilidade por causa do noticiário local. As curvas de juros operavam em leve queda no início da manhã, em meio ao tom de cautela e serenidade assumido pelo Copom na ata da última reunião para definição da Selic. No entanto, após o cancelamento da ida de Guedes, os juros viraram e agora têm leve viés de alta.

As curvas para janeiro de 2020 avançaram de 6,45% para 6,465%, e as para 2021 subiram de 7,021% para 7,09%. Entre os DIs longos, os com vencimento em janeiro de 2023 tiveram alta de 8,17% para 8,24%, e os com vencimento em janeiro de 2025 foram de 8,76% para 8,83%.

Petrobras deslancha

O dia positivo do petróleo deu força aos papéis da Petrobras : as ações PN subiram 4,72% e as ON avançaram 4,18%, dando força ao Ibovespa. A questão da cessão onerosa também continua no radar do mercado — matéria de ontem da agência Reuters afirma que a União e a estatal estão perto de concluir as renegociações referentes ao tema.

Produção impulsiona Vale

As ações ON da Vale subiram 1,47% e também apareceram entre os destaques positivos do dia. Mais cedo, a empresa reportou produção de 100,988 milhões de toneladas de minério de ferro no quarto trimestre de 2018, alta de 8,2% e relação ao mesmo intervalo de 2017. "Houve uma leve redução ante o resultado do terceiro trimestre, mas, ainda assim, foi um resultado bem representativo", diz Galdi, da Mirae.

A Vale ainda estima que, após a ruptura da barragem de Brumadinho, sua produção anualizada de minério de ferro foi impactada em cerca de 92,8 milhões de toneladas. Galdi destaca, no entanto, que a menor disponibilidade de minério tende a provocar ajustes positivos nos preços da commodity. "Mesmo vendendo menos, vai haver uma compensação nos preços".

Essa perspectiva de maiores cotações do minério também deu forças às ações ON da CSN, que subiram 6,31%. A siderúrgica possui atuação relevante no segmento de mineração, e, assim, é diretamente impactada pelas oscilações do preço do minério.

Natura se recupera

Apesar de a S&P ter colocado o rating da Natura em observação para potencial rebaixamento, as ações ON da companhia tiveram um dia de recuperação e subiram 9,73%, liderando os ganhos do Ibovespa. Vale lembrar que os papéis vêm de fortes quedas desde a sexta-feira, quando a empresa confirmou que está em negociações com a rival Avon — na própria sexta, os ativos da Natura recuaram 7,78% e, ontem, caíram mais 3,37%.

Apesar dos ganhos de hoje, as ações ON da Natura ainda acumulam perda de mais de 9% em março.

Frigoríficos avançam

O setor de frigoríficos também teve um dia positivo, na esteira da notícia de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá enviar ao Brasil, entre os dias 10 e 28 de junho, uma equipe para fazer a inspeção sanitária em frigoríficos que abatem carne bovina e suína, conforme noticiado pela Agência Brasil — a inspeção é necessária para que o mercado norte-americano volte a comprar carne in natura do país.

Como resultado, as ações ON da JBS subiram 4,64%, os papéis ON da BRF avançaram 2,29% e as ações ON da Marfrig fecharam em alta de 1,88%.

 

 

 

 

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