Gestora aposta na dobradinha do 4: Selic abaixo de 4% e dólar acima de R$ 4
Persevera Asset acredita que próximo passo da modernização econômica será deixar de associar câmbio depreciado a um ambiente de crise

Na sua carta de gestão de agosto, a equipe da Persevera Asset quer passar uma mensagem: o próximo passo da modernização econômica do país será dissociar dólar "caro" de ambiente de crise.
“Num ambiente de forte queda da inflação no mundo e no Brasil, a combinação de juros baixos por muitos anos, com a taxa Selic podendo chegar a 4% ou menos em nossa visão, com uma taxa de câmbio desvalorizada, na casa dos R$ 4, é o que provavelmente vai nos arrancar deste estado de letargia econômica”, diz a gestora.
Falei com o gestor de juros e moeda da Persevera, Nicolas Saad, no fim de julho, para explicar a tese da gestora de que teremos um período de surpreendente estabilidade cambial, reflexo de reformas, queda de juros e do tipo de dólares que atraímos ao país. (Leia aqui)
Dando sequência a esse raciocínio, de que o país caminha para uma normalidade financeira, está a ideia de que juros baixos e câmbio depreciado é uma combinação excepcional para qualquer país que enfrente dificuldades de crescimento.
“Nós estamos exatamente nessa situação no Brasil, mas desta vez chegamos a ela da forma correta, com a inflação baixa e controlada. Portanto, ao invés de tremer a cada alta de 3% ou 4% no dólar, deveríamos comemorar. O dólar acima de R$ 4,0, com a inflação baixa e ancorada, Banco Central com credibilidade, alta capacidade ociosa, reforma da Previdência aprovada e gastos fiscais controlados não é um problema e sim parte da solução. É assim que nós brasileiros deveríamos passar a enxergar o comportamento do câmbio”, diz a carta.
Para a Persevera, essa dobradinha dos 4 não deveria ser temida pelo cidadão brasileiro, não deveria ser temida pelo mercado financeiro e muito menos pelo Banco Central, mas sim, celebrar essa confluência de moeda desvalorizado, mesmo que temporariamente, com uma taxa de juros nas mínimas históricas.
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“Que venha a dobradinha do 4: juros abaixo de 4%, com câmbio acima de R$ 4,0, sem crise e com menos volatilidade. O Brasil conquistou e precisa dessa combinação.”
Em agosto, o fundo multimercado da casa teve perda de 0,62%, e a equipe aproveitou a queda dos preços para aumentar, gradualmente, as posições em ativos que acha bastante atrativos, como NTN-Bs longas e ações. A íntegra da carta pode ser lida aqui.
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