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Alcolumbre diz que há receio em autorizar privatização da Eletrobras

Presidente do Congresso relatou que 48 senadores do Norte e do Nordeste são contra, o que tornaria inviável a aprovação de um projeto com esse modelo

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), avaliou nesta quinta-feira, 19, que o Senado não tem disposição em aprovar um projeto de privatização da Eletrobras. Por outro lado, a desestatização dos Correios passaria mais facilmente, declarou.

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Para Alcolumbre, há um "receio" em autorizar a privatização da estatal do setor elétrico. Ele relatou que 48 senadores do Norte e do Nordeste são contra, o que tornaria inviável a aprovação de um projeto com esse modelo.

"Se o governo continuar insistindo na privatização da Eletrobras como primeiro passo, acho que pode acabar prejudicando (a privatização) das outras empresas estatais que seriam importantes para modernização."

Sem base

Ainda sobre o tema, Alcolumbre afirmou o governo não tem base para aprovar a privatização da Eletrobras no Congresso.

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Diante disso, o governo teria de começar a agenda de privatizações por outras empresas que - na visão dele - enfrentam menos resistências no tema, como os Correios. "Não pode começar por Eletrobras. O governo não tem base, a dificuldade é isso também", declarou, em evento realizados pelos jornais Valor Econômico e O Globo, em Brasília.

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"O governo não tem uma base sólida para defender as suas pautas porque não quis construir. O governo tem que entender que o Senado tem o seu tempo próprio e é isso que vai acontecer diante das privatizações."

Alcolumbre defendeu que as privatizações sejam discutidas no Congresso "caso a caso". E ainda criticou o formato de articulação política do governo. Na opinião dele, o distanciamento do Executivo com o parlamento tem dificultado a confiança dos investidores e prejudicado a recuperação da economia.

Projeto

Alcolumbre declarou ainda que vai procurar o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para articular um acordo em torno de uma proposta de modernização do setor elétrico.

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Uma das proposições em discussão na Casa trata da repactuação do risco hidrológico de geradores com contratos no mercado livre. A proposta é acompanhada de perto pelo setor.

"A conversa é para entender se o Senado ou vota do jeito que está ou aprimora a matéria para resolver de uma vez por todas esse problema, que eu acho importante na logística nacional."

Simplificação de impostos

Alcolumbre apontou a redução do imposto sobre a folha de salários como um assunto não prioritário na reforma tributária. A proposta, pontuou, vai focar em simplificar impostos, e não reduzir tributos.

Uma das resistências na desoneração é a necessidade de compensar a perda na arrecadação, o que pode envolver criação ou aumento de impostos. "Se tivermos a oportunidade de desonerar, vamos desonerar, mas não vamos inventar nada mais para sufocar os brasileiros", declarou o presidente do Senado durante evento organizado pelos jornais Valor Econômico e O Globo, em Brasília.

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O senador Roberto Rocha (PSDB-MA) apresentou na quarta-feira, 18, o parecer da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça, tirando do texto um item que possibilitava a desoneração da folha com um imposto sobre valor agregado (IVA), a ser criado com a reforma, maior. Ele apenas manteve um comando já existente na Constituição abrindo brecha para a redução do imposto da folha salarial.

"Quem falar que vai reduzir imposto na reforma tributária vai estar faltando com a verdade. A gente vai simplificar", declarou Alcolumbre. Ele também afirmou que a criação de qualquer tributo - como a CPMF - não passa no Congresso.

"Vamos fazer a simplificação dos impostos, cada dia com sua agonia, temos momentos de fazer isso", afirmou, sendo questionado se a reforma tributária iria desonerar a folha.

Ele ainda apontou outra resistência no Congresso: desindexar o salário mínimo de um aumento pela inflação, como cogita a equipe econômica. "Politicamente, é uma matéria que não tem simpatia do Parlamento. Há debate sobre teto e sobre piso, mas não é o caminho agora."

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*Com Estadão Conteúdo.

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