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No documento, instituição ressalta que o crescimento da América Latina e do Caribe em 2019 deve ser de 2,0%, abaixo dos 2,2% estimados em outubro
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2019 de 2,4% para 2,5%, mas reduziu sua estimativa referente a 2020 de 2,3% para 2,2%, como indicado no documento sobre as perspectivas para a economia mundial divulgado nesta segunda-feira, 21. As estimativas anteriores foram liberadas em outubro, antes da eleição do presidente Jair Bolsonaro.
A instituição, agora, acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,3% no ano passado, abaixo do nível de 1,4% projetado em outubro.
"A revisão para cima da projeção do Brasil para 2019, onde a gradual recuperação de 2015-16 deve continuar", ajuda em parte a reduzir neste ano os efeitos negativos à América Latina da desaceleração do México, retração na Argentina e aprofundamento da recessão na Venezuela, destaca o FMI.
No documento, a instituição ressalta que o crescimento da América Latina e do Caribe em 2019 deve ser de 2,0%, abaixo dos 2,2% estimados em outubro. Em relação ao próximo ano, o Fundo estima expansão de 2,5% da região, um nível que também é inferior aos 2,7% previstos no fim do ano passado.
Em relação à Argentina, o FMI destaca que o PIB deve apresentar contração neste ano devido a "políticas mais apertadas para reduzir desequilíbrios", o que deve influenciar na desaceleração da demanda antes do retorno do país ao crescimento em 2020.
Além disso, o FMI comenta que várias moedas de países em desenvolvimento, entre elas o real, a lira turca, o peso argentino e o rand sul-africano, registraram fortalecimento desde agosto e setembro, quando um movimento de aversão a risco afasto investidores internacionais de divisas emergentes.
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A desaceleração da economia global, que se acentuou no segundo semestre do ano passado em países como Alemanha e Itália, com aperto das condições financeiras em todos os continentes e em meio a um ambiente de disputas comerciais entre Estados Unidos e China, levaram o FMI a revisar para baixo suas projeções de crescimento global.
A instituição agora acredita que o PIB mundial crescerá 3,5% este ano, enquanto em outubro a estimativa era de expansão de 3,7%. Já em 2020, as previsões do FMI para o indicador foram cortadas de crescimento de 3,7% para avanço de 3,6%.
As avaliações constam no documento "Perspectiva Econômica Mundial" divulgado nesta segunda-feira. Em relação a 2018, o Fundo não alterou suas projeções de expansão econômica e continua estimando avanço de 3,7%.
Em outubro, o FMI já havia reduzido suas projeções para o crescimento global devido às mesmas questões alertadas agora, sobretudo diante da perda de vigor do nível da atividade mundial e das tensões comerciais entre Washington e Pequim.
O Fundo, contudo, não alterou suas projeções de crescimento para esses dois países nem em 2019 nem em 2020. Para a economia americana, foram mantidas as estimativas de alta de 2,5% para este ano e de avanço de 1,8% no próximo, enquanto o PIB do país asiático deve crescer 6,2% em 2019 e em 2020, de acordo com o FMI.
A instituição ressalta, porém, que há riscos que podem prejudicar o crescimento da economia global este ano, o que seria provocado por alguns fatores, como uma escalada nas tensões comerciais, uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo e uma desaceleração da economia chinesa maior do que a esperada atualmente.
Para o FMI, a perda de fôlego da demanda agregada internacional no quarto trimestre de 2018 foi marcada por alguns elementos, como a redução da produção industrial, especialmente de bens de capital, embora esse fato não tenha ocorrido nos EUA. "O crescimento do comércio global desacelerou para um nível abaixo da média de expansão de 2019."
Além disso, o Fundo ressalta que a redução da força do nível de atividade mundial pode ter sido ainda maior do que as estatísticas apontam, "já que os números principais podem ter sido elevados devido à antecipação de importações antes do aumento de tarifas comerciais, bem como aumento nas exportações de tecnologia com o lançamento de novos produtos".
Também colaborou para a falta de fôlego o aperto das condições financeiras mundiais, que aumentou nos últimos meses e provocou efeito negativo sobre a valuation de empresas no segundo semestre de 2018.
Temores de piora nas tensões comerciais; preocupações coma redução da velocidade da economia global, sobretudo na China; incertezas sobre as perspectivas da situação fiscal italiana; e a evolução dos mercados emergentes estiveram entre os fatores citados pelo FMI como as causas para as turbulências vistas nos mercados financeiros no fim do ano passado. O Fundo ressalta que a essa lista foi adicionada a paralisação parcial do governo federal americano, que se tornou a maior da história dos EUA.
Nesse contexto, o FMI enfatiza que a tendência da economia mundial tanto para este ano quanto para 2020 pode piorar caso um dos fatores citados se aprofunde "porque pode provocar maior deterioração do sentimento dos investidores internacionais e súbita precificação de ativos financeiros" pelo mundo.
Para o Fundo, os principais bancos centrais do globo aparentemente adotaram uma abordagem mais cautelosa de política monetária. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou os juros em dezembro e sinalizou "um ritmo mais gradual de aumento em 2019 e 2020".
No caso do Banco Central Europeu (BCE), a instituição destaca o encerramento das compras de ativos em dezembro. "No entanto, também confirmou que a política monetária continuará amplamente acomodatícia", sem aumento de juros até, pelo menos, o verão deste ano no Hemisfério Norte.
As preocupações sobre a saúde da economia da China podem deflagrar amplas vendas de ativos financeiros em termos mundiais e colocar os parceiros comerciais do país, exportadores de commodities e outros mercados emergentes sob pressão. Essa é a avaliação feita pelo FMI em relatório sobre as perspectivas econômicas mundiais divulgado na manhã desta segunda-feira. A instituição, que projeta uma desaceleração da economia chinesa de 6,6% em 2018 para 6,2% este ano, afirmou que a atividade econômica do país "pode ficar abaixo das expectativas, especialmente se as tensões comerciais não diminuírem".
De acordo com o FMI, as disputas comerciais travadas entre Washington e Pequim e um "necessário aperto regulatório financeiro" estão entre os fatores que devem pesar no crescimento da segunda maior economia do mundo, apesar de novas medidas para estimar a expansão econômica anunciadas pelo governo chinês neste início de ano.
O Fundo destaca que suas projeções econômicas consideram um cenário de tensões comerciais entre EUA e China, contando com a manutenção das tarifas adotadas no primeiro semestre pelo governo americano e a elevação da alíquota tarifária de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em bens chineses ao fim de um período de trégua no início de março.
Quanto à economia americana, o FMI avalia uma desaceleração dos EUA de 2,9% em 2019 para 2,5% este ano e para 1,8% em 2020 em um cenário que contará com a redução dos estímulos fiscais no país, vindos da reforma tributária adotada no fim de 2017 e com a "superação temporária" das taxas de juros em relação ao nível neutro. A instituição enfatiza, ainda, que o ritmo de expansão até o fim de 2020 está acima da estimativa potencial de crescimento americano. "A demanda doméstica forte apoiará o aumento de importações e contribuirá para a ampliação do déficit em conta corrente dos EUA."
Em relação à zona do euro, o Fundo projeta que o crescimento deve desacelerar de 1,8% no ano passado para 1,6% em 2019 devido à perda de ímpeto de algumas economias centrais da região, como a alemã, a italiana e a francesa. O PIB referente a 2020, no entanto, continuou inalterado em 1,7%.
No relatório, o FMI destaca que, na Alemanha, houve uma redução do consumo privado, fraqueza da produção industrial e adoção de novos padrões de emissão de poluentes por veículos. A Itália também gera preocupações devido à perda de fôlego da demanda doméstica e à elevação de spreads diante da desconfiança com as condições fiscais do país. Na França, por sua vez, há incertezas de agentes econômicos com os impactos negativos para o nível de atividade das manifestações de ruas, que ascenderam com os coletes amarelos.
O Japão não está isolado do desaquecimento econômico global. O FMI projeta que o PIB japonês tenha avançado 0,9% em 2018, o que acelerará para alta de 1,1% este ano devido à adoção de medidas fiscais para alimentar o consumo interno. Contudo, em 2020, o país deve apresentar expansão de somente 0,5%, sobretudo com a redução de gastos das famílias e de investimentos das empresas.
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