A Bula da Semana: Semana de decisão de BCs
Bancos Centrais dos EUA (Fed) e do Brasil (Copom) anunciam decisão sobre a taxa de juros na quarta-feira; um dia depois, é a vez do BC da zona do euro (BCE)

A semana será marcada por decisões de política monetária. Na quarta-feira, os bancos centrais dos Estados Unidos (Fed) e do Brasil (Copom) reúnem-se pela última vez neste ano para discutir sobre suas respectivas taxas de juros, ao passo que na quinta-feira a nova presidente do BC da zona do euro, Christine Lagarde, conduz uma reunião do BCE pela primeira vez.
Até lá, o pregão no mercado financeiro deve ser arrastado. Enquanto lá fora a expectativa é de manutenção dos estímulos monetários atuais, nos dois lados do Atlântico Norte; aqui, no Hemisfério Sul, a dúvida é se o Copom irá ampliar o ciclo de cortes na Selic até o início de 2020, derrubando a taxa até 4%, ou se pára agora, após uma queda adicional de meio ponto no juro básico, para 4,5%.
O comunicado do BC que acompanhará a decisão de cortar a Selic pela quarta vez seguida, renovando o piso histórico, será fundamental para traçar os próximos passos. Há quem diga que o processo de retomada da economia doméstica, que deve ser reforçado por novos dados de atividade nesta semana, combinado com os choques inflacionários recentes e o real mais depreciado elevam as chances de pausa no ciclo de queda.
Aliás, essa percepção serviu para aliviar a pressão sobre o dólar, que caiu mais de 2% na semana passada, encerrando abaixo de R$ 4,15. Ao mesmo tempo, a curva de juros futuros retirou boa parte do prêmio de risco que havia sido colocado ao final de novembro, enquanto o Ibovespa continuou “voando”, com os fluxos locais (fundos de pensão e pessoais físicas) ainda comprando ações, o que garantiu cinco sessões seguidas de alta - renovando a pontuação recorde (de fechamento e intraday) nos últimos três pregões.
Exterior conduz
Portanto, o clima de festa e euforia marcou o início de dezembro e a extensão desse rali de fim de ano vai depender, em grande medida, do cenário externo - e dos recursos estrangeiros nos ativos locais. Por lá, após os números robustos do payroll, os investidores se deram conta que o risco de uma recessão nos EUA é cada vez menor e o cenário que se desenha para a economia norte-americana é crescimento, sem pressão inflacionária.
O presidente do Fed, Jerome Powell, deve endossar essa percepção durante entrevista coletiva após o anúncio da decisão do Fed. A criação de vagas acima do esperado em novembro somada à inesperada queda na taxa de desemprego e à desaceleração no ganho médio por hora trabalhada devem manter o Fed “on-hold” por um período muito mais prolongado do que apenas esta semana.
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A curva implícita de juros futuros no exterior reduziu as chances de corte na taxa de juros norte-americana inclusive em 2020. Ainda assim, Powell deve reiterar que o pode levar o Fed a uma reavaliação da perspectiva sobre a política monetária é uma piora nas relações comerciais entre EUA e China, com reflexos sobre os negócios das empresas nacionais e sobre os preços ao consumidor norte-americano.
Aliás, está se aproximando o prazo final, no domingo (15) para a imposição de novas tarifas norte-americanas contra US$ 160 bilhões em produtos chineses, que fazem parte da lista de compras de fim de ano, como smartphones e laptops. Ainda não se sabe se haverá um acordo de primeira fase entre as duas maiores economias do mundo capaz de suspender essa taxação, bem como remover algumas das sobretaxas já vigentes.
Mas se tudo caminhar bem, com as coisas se alinhando corretamente, os investidores podem tirar do caminho os obstáculos que ainda impedem uma corrida desenfreada por ativos mais arriscados. Além das decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos EUA, outros possíveis catalisadores vem da Europa, com a decisão de juros do BCE e as eleições no Reino Unido, que pode, enfim, abrir passagem para o Brexit.
Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:
Segunda-feira: A semana começa com a agenda cheia no Brasil - trazendo o resultado de novembro do IGP-DI (8h), o relatório de mercado Focus (8h25) e os dados semanais da balança comercial (15h) - e esvaziada no exterior durante o dia. À noite, a China anuncia os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) no mês passado.
Terça-feira: O IBGE anuncia nova estimativa para a safra agrícola neste e no próximo ano, além do desempenho regional da produção industrial. Já nos EUA, saem dados revisados sobre o custo da mão de obra e da produtividade no trimestre passado, enquanto na Europa será conhecido o índice ZEW de sentimento econômico.
Quarta-feira: A quarta-feira é dia de decisão de política monetária do Fed, à tarde, e do Copom, no início da noite. Também serão conhecidas as projeções do Fed para as principais variáveis macroeconômicas. Além disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva. Antes, saem o índice de preços ao consumidor (CPI) norte-americano em novembro e as vendas no varejo brasileiro em outubro, além da primeira prévia de dezembro do IGP-M.
Quinta-feira: Hoje é a vez do BCE anunciar a decisão de juros. Merece atenção a primeira entrevista coletiva da nova presidente da autoridade monetária, Christine Lagarde. Entre os indicadores, mais um dado doméstico de atividade, desta vez, no setor de serviços será conhecido hoje. Nos EUA, sai mais um dado de inflação, agora sobre os preços ao produtor (PPI) no mês passado.
Sexta-feira: A semana chega ao fim com a provável divulgação do índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) referente ao mês de outubro, lançando luz sobre o ritmo da economia doméstica no início do último trimestre deste ano. Nos EUA, saem o desempenho das vendas no comércio varejista no mês da Black Friday, além dos estoques das empresas em outubro.
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