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2019-09-20T18:05:06-03:00
Fernando Pivetti
Fernando Pivetti
Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter setorista de Banco Central no Poder360, em Brasília, redator no site EXAME e colaborou com o blog de investimentos Arena do Pavini.
O céu é o limite?

Ações da Braskem disparam na bolsa após notícias sobre venda pela Odebrecht

Construtora teria recontratado a empresa Lazard para dar continuidade às negociações de venda da sua participação na Braskem

20 de setembro de 2019
15:01 - atualizado às 18:05
Braskem
Imagem: Shutterstock

Parece um jato, mas é apenas a ação da Braskem voando na bolsa de valores no último pregão da semana. Os papéis preferenciais da série A da companhia chegaram a apresentar invejáveis 7% de alta no meio da tarde desta sexta-feira (20). Tudo porque a Odebrecht estaria retomando a venda de sua participação na petroquímica, um processo que foi colocado na gaveta em junho deste ano.

De acordo com o site Brazil Journal, a construtora está contratando a empresa Lazard para seguir com as negociações de venda. As reuniões entre o management da holding e o banco de investimentos já estariam acontecendo.

Os investidores parecem ter gostado da novidade e foram às compras. No fechamento do pregão, os papéis PNA da Braskem (BRKM5) subiram 5,30%, liderando altas do Ibovespa. Já os papéis ON da empresa, que estão fora do principal índice da B3, registraram alta de 0,85%. Confira nossa cobertura completa de mercados.

Uma velha conhecida

Vale lembrar que foi a própria Lazard que capitaneou as negociações com a LyondellBasell em nome da Odebrecht. O acordo entre as companhias, no entanto, acabou não saindo do papel. Na época, a empresa holandesa informou que a operação envolvendo 100% da participação da Odebrecht era interessante, mas que "após análise cuidadosa as empresas decidiram não seguir com a tratativa".

Caso fosse concretizado, o negócio poderia render cerca de R$ 20 bilhões aos cofres da Odebrecht, que desde os escândalos de corrupção na Operação Lava Jato passa por momentos delicados.

Conversas de corredor afirmam que a gota d'água para o negócio com a LyondellBasell desandar pode ter sido a entrada em recuperação judicial de outra empresa do Grupo Odebrecht, a Atvos, que tem ações da Braskem como garantia para a sua dívida de quase R$ 12 bilhões.

Não vai ser fácil

Apesar da euforia com a volta das negociações, é válido lembrar que o caminho para a venda da Braskem está longe de ser fácil. O Brazil Journal afirma que a petroquímica precisa cumprir uma espécie de ‘checklist’ de pendências antes que qualquer oferta seja feita.

O principal entrave é a solução do passivo gerado pela operação de salgema em Alagoas, que acabou fazendo com que bairros da capital Maceió afundassem. O Ministério Público de Alagoas inclusive chegou a pedir R$ 20 bilhões em indenizações.

Outra questão envolve a Petrobras, que também é acionista da Braskem. Tanto a petroleira quanto a Odebrecht ainda precisa firmar um acordo sobre os procedimentos envolvendo a venda da participação da construtora. A questão envolve métodos de venda e o destino das ações.

*Com informações do Brazil Journal.

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