Analistas estimam que acidente em Brumadinho trará danos financeiros e de imagem à Vale e pode derrubar ação no curto prazo
Mercado busca entender a dimensão do acidente e o volume de rejeitos despejados para mensurar perdas da empresa e dano de imagem.

O acidente com barragem da Vale em Brumadinho penaliza as ADRs da empresa na bolsa americana. Os analistas ainda tentam entender a dimensão da tragédia e os danos à empresa, mas já estimam que o acidente provocará prejuízos e uma crise da imagem para a companhia que vai derrubar o valor da ação da mineradora no curto prazo. Nesta sexta-feira (25), a bolsa de valores brasileira está fechada diante do feriado pelo aniversário da cidade de São Paulo. A ação deve despencar na segunda-feira.
Os analistas estão ainda avaliando a dimensão do acidente. O grande comparativo é com o desastre da Samarco em Mariana em novembro de 2015, que provocou a morte de 19 pessoas e derrubou rejeitos nos rios de Minas Gerais que chegaram até o litoral do Espírito Santo.
Os analistas do Bank of America minimizaram, no entanto, o efeito do acidente para os negócios da Vale. Para eles, o impacto ambiental será menor do que o da Samarco e a as ações da companhia na bolsa brasileira não devem refletir o efeito visto nesta sexta-feira nos ADRs em Wall Street. O banco manteve a recomendação de compra dos papéis.
O analistas do Itaú BBA observaram que o tombo das ADRs da mineradora nos EUA chegou a superar 10%, exatamente o mesmo declínio visto no dia seguinte ao rompimento da barragem da Samarco.
"Acreditamos que o acidente pode continuar a pesar no desempenho do preço das ações no curto prazo, considerando-se que pode atrasar as concessões de operação e licenças ambientais no Brasil. Também pode atrasar o reinício das operações da Samarco, se as autoridades decidirem aumentar os padrões de segurança para os resíduos de mineração."
Em busca de informações
O analista da XP Investimentos que acompanha o papel da Vale, Karel Luketic, já entrou em contato com a área de relações com investidores da mineradora, mas a companhia ainda espera mais informações para poder dar uma dimensão melhor do acidente.
"O mais importante agora é saber o impacto para a vida e para a cidade. O aspecto financeiro é secundário", diz o analista da XP Investimentos Karel Luketic.
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Impacto na produção
A estimativa de analistas é que o impacto na produção tende a ser menor do que o ambiental e de imagem para a empresa. O acidente ocorreu um uma mina do complexo de Paraopeba, que respondeu em 2017 por cerca de 7% da produção da Vale.
Brumadinho X Mariana
O analista de um grande banco comenta que, nesse momento, busca entender a dimensão do acidente e o volume de rejeitos - se são menores ou maiores - que os do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG). Fundão tinha capacidade de estocar 55 milhões de metros cúbicos em rejeitos.
Em novembro de 2015, a barragem se rompeu, provocando a morte de 19 pessoas e a destruição do distrito de Bento Rodrigues, próximo à represa.
Os rejeitos alcançaram o litoral do Espírito Santo, afetando a flora e a fauna. Segundo informações da Vale, a barragem em Brumadinho tem volume de 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração.
Teste de impacto
O desastre ambiental ocorre em um momento em que a Vale está finalizando uma operação de captação de crédito de US$ 3 bilhões. Apesar de o acidente não cair bem para imagem da mineradora, os analistas esperam que ela consiga financiadores.
"A Vale é muito forte financeiramente. Esperamos que vários bancos ofereçam para a empresa crédito em condições favoráveis", destaca o analista americano John Tumazos, da John Tumazos Very Independent Research, a Broadcast.
*Com Estadão Conteúdo
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