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Presidente do Banco Central participou de um evento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) nesta sexta-feira
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou na tarde desta sexta-feira, 9, que um aspecto importante relacionado à instituição tem sido "a credibilidade construída por uma atuação cautelosa da política monetária".
O comentário consta de apresentação feita por Campos Neto em evento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em São Paulo. O evento é fechado à imprensa, mas a apresentação foi publicada no site do BC.
Nela, Campos Neto também afirma que "um passo adicional na credibilidade do BC será dado com a aprovação da autonomia de jure (pela lei) da instituição".
O projeto de autonomia do BC, apresentado pelo governo de Jair Bolsonaro, está atualmente na Câmara. A expectativa é de que, com o avanço da reforma da Previdência no Congresso, este passe a ser um dos projetos prioritários na pauta legislativa.
"Além disso, buscando contribuir para a melhoria da produtividade de nossa economia, a Agenda BC# atua para remover as barreiras existentes para que o sistema financeiro cumpra seu papel, que é o de promover a alocação eficiente de recursos entre as atividades econômicas", acrescentou Campos Neto em sua apresentação no Iedi.
Ao tratar de política monetária, o presidente do BC retomou alguns pontos que já constaram nos documentos mais recentes da instituição. Ele reafirmou que "o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado" e pontuou que a continuidade deste movimento "é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia".
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Atualmente, a Selic (a taxa básica de juros) está em 6,00% ao ano, mas Campos Neto voltou a sinalizar que novos cortes podem ocorrer. "Os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", disse ele, para acrescentar logo depois: "A consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo."
Ao tratar dos riscos para o cenário de inflação, o presidente do BC voltou a citar o nível de ociosidade elevado, que "pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado". Por outro lado, ele reafirmou que "uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária".
Ao mesmo tempo, Campos Neto reforçou que o risco ligado às reformas se intensifica no caso de "reversão do cenário externo benigno para economias emergentes". "O balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável", disse Campos Neto.
Segundo ele, porém, o risco ligado às reformas ainda é preponderante.
Campos Neto também indicou que a educação financeira é "chave" para o BC atuar na questão do cheque especial no Brasil. Vale lembrar que o cheque especial é hoje uma das modalidades de crédito mais caras disponíveis aos clientes de bancos, com taxa média de 322,2% ao ano.
O presidente do banco pontuou que há espaço para se avançar junto aos usuários do cheque especial em dois itens: na compreensão do funcionamento do instrumento e na capacidade de escolha dos instrumentos mais adequados às suas necessidades.
Desde julho do ano passado, por uma iniciativa de autorregulação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. A expectativa da Febraban era de que essa migração do cheque especial para linhas mais baratas acelerasse a tendência de queda do juro cobrado ao consumidor, o que não se concretizou. Em junho de 2018, antes do início da nova dinâmica, a taxa do cheque especial estava em 304,9% ao ano.
*Com Estadão Conteúdo.
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