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Estadão Conteúdo
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‘Não há recursos para fazer a reforma agrária no país’, diz secretário

No mandato anterior, o governo Temer deu prioridade na área a programas de regularização fundiária, entregando títulos de posse de terra para famílias

10 de janeiro de 2019
8:25 - atualizado às 8:26
Luiz Antônio Nabhan Garcia
Luiz Antônio Nabhan Garcia - Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O secretário especial de regulação fundiária do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan Garcia, afirmou ontem ao Estado de S. Paulo que “não há recursos para fazer a reforma agrária no País”.

A oficialização de Nabhan no cargo foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União. “A realidade hoje é que não tem mais dinheiro no Incra, não tem dinheiro para fazer a reforma agrária”, afirmou o secretário.

Segundo ele, as atividades de reforma agrária tocadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não foram paralisadas.

O secretário também negou que tenha havido neste começo de governo o congelamento dos processos que estavam em andamento na gestão do ex-presidente Michel Temer.

No mandato anterior, o governo Temer deu prioridade na área a programas de regularização fundiária, entregando títulos de posse de terra para famílias. Em 2017, por exemplo, o Incra liberou um volume recorde de empréstimos - R$ 97 milhões - para assentados se instalarem nas terras.

Alterações

Na gestão do presidente Jair Bolsonaro, segundo Nabhan, haverá mudanças na avaliação da reforma agrária no País. O secretário explicou que essas alterações só poderão começar a ser implementadas a partir do dia 25 deste mês, data que foi estabelecida em decreto para que os atos de sua secretaria tenham efeito legal.

Ruralista e amigo pessoal de Bolsonaro, Nabhan aproveitou para criticar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). “Não é mais o MST que vai determinar o que fazer em reforma agrária no Brasil. Não é mais o Cimi que vai dizer o que tem de ser feito sobre as demarcações de terra indígenas, nenhuma ONG”, disse Nabhan.

Ontem, o Estado não conseguiu contato com representantes do MST para tratar do assunto. Em texto divulgado no site do MST na terça-feira, Alexandre Conceição, da direção nacional do movimento, destaca a concentração de terra no Brasil, dizendo que o País “é o segundo nesse quesito, ficando atrás apenas do Paraguai”.

O secretário executivo do Cimi, Cleber Buzatto, explicou que o órgão nunca fez demarcação de terra indígena no Brasil. “Isso é uma responsabilidade do Estado brasileiro. Esse tipo de declaração só demonstra ignorância ou má-fé por parte do secretário”, disse.

Na semana passada, Nabhan disse ao Estado que o governo vai “passar a limpo todas as questões fundiárias no Brasil”. “Vai ser feito um levantamento amplo para ver a situação real da regularização fundiária. Você acha que tem irregularidades só no Incra? Tem irregularidade em muitos outros setores também.”

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