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Resultados vêm abaixo da expectativa de analistas, que era de R$ 9,63 bilhões, segundo a Bloomberg
O mercado não gostou dos resultados do terceiro trimestre que a Petrobras divulgou nesta terça-feira (6). Assim que a bolsa de valores abriu, a ação da empresa passou a cair cerca de 3%. Ao longo do dia, a ação preferencial da Petrobras reduziu as perdas e chegou a ter leve alta no início da tarde.
Os resultados vieram bons, mas abaixo da expectativa do mercado. A companhia teve um lucro líquido de R$ 6,644 bilhões no período, foi 2,4% acima do registado no mesmo período do ano anterior. A expectativa dos analistas consultados pela Bloomberg era uma alta bem maior e um lucro de R$ 9,63 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da petroleira foi de R$ 29,856 bilhões, alta de 55,3% em relação ao mesmo período de 2017, de R$ 19,223 bilhões. A expectativa do mercado era de 32,569 bilhões, segundo a Bloomberg. Na comparação com o segundo trimestre, houve recuo de 1%, de R$ 30,067 bilhões.
No ano, a estatal acumula lucro líquido de R$ 23,6 bilhões, o melhor para o período desde 2011 e um crescimento de 371% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a companhia.
O resultado foi afetado pelos acordos firmados pela companhia, em setembro, com o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e com a Securities and Exchange Commission (SEC) para encerramento das investigações das autoridades norte-americanas, no valor de R$ 3,5 bilhões. "Excluindo-se esses acordos, bem como os efeitos do acordo da Class Action, o lucro líquido seria de R$ 10,269 bilhões no trimestre e R$ 28,012 bilhões no acumulado do ano", afirma a empresa.
A petroleira também destacou as vendas de derivados no Brasil e as exportações, com aumento na venda de diesel e a expansão da participação de mercado.
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O balanço também mostrou uma queda de 6% na produção, o que, segundo a diretora executiva de Exploração e Produção da petroleira, Solange Guedes, está em linha com o planejado. "O trimestre foi fortemente impactado por desinvestimento e pelo término antecipado de alguns sistemas de produção", disse.
A executiva ainda citou as obras de infraestrutura de escoamento de gás, de adequação da Rota 1, que fechou a operação por dois meses e impactou fortemente nas unidades do pré-sal. Ainda segundo ela, a Petrobras seguiu operando em 28 plataformas e fazendo ajustes para obter melhorias, o que demandou a conciliação da produção com as obras.
Em relatório, o analista Gabriel Franciso, da XP Investimentos, disse que o balanço foi ruim, mas manteve a recomendação de compra da ação da Petrobras. Para ele, a empresa ainda não está no seu potencial.
"Apesar do desapontamento frente às nossas expectativas, destacamos que o 3T18 ainda não reflete um cenário de operações normalizadas para a Petrobras, uma vez que a empresa teve que aumentar sua participação no mercado de importações dado que operadores independentes enfrentam dificuldades sob o atual regime de subsídios ao diesel. Também notamos que a produção de petróleo deve voltar a subir nos próximos trimestre com a conexão de novas unidades de produção no pré-sal", afirmou.
A visão é que, passado o risco eleitoral, as ações da empresa têm potencial de alta, dado que têm um nível de desconto no seu valor em relação às petroleiras globais de cerca de 16%.
Ao comentar os resultados, o presidente da petroleira, Ivan Monteiro, disse que não há sinalização do novo governo Bolsonaro sobre manutenção ou não da diretoria atual. "Naturalmente o novo governo tem total liberdade de promover as mudanças que achar necessárias", disse. Monteiro também disse não cabe a ele decidir se permanecerá no cargo mas que ainda não recebeu convite para ficar. "Não discutiremos cargo com novo governo, vamos falar do desempenho da companhia", disse.
*Com Estadão Conteúdo
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