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Esquenta dos mercados

Mercados devem comemorar acordos feitos no G-20

Trump e Xi Jinping deram uma trégua na guerra comercial por 90 dias e russos e sauditas vão manter o corte de produção do petróleo

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3 de dezembro de 2018
7:19 - atualizado às 7:55
Selo esquenta mercados
Aqui, o investidor aposta no rali de Natal, levando o Ibovespa para novos recordes - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! O esperado encontro do presidente americano, Donald Trump e do presidente da China, Xi Jinping, no fim de semana, resultou em uma trégua na guerra comercial entre os dois países, que reduzirá as tensões nos próximos 90 dias. E também houve acordo de russos e sauditas para manter o corte de produção do petróleo na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (na quinta-feira). Conclusão : os mercados globais e os emergentes devem fazer a festa hoje. Aqui, o investidor aposta no rali de Natal, levando o Ibovespa para novos recordes.

Os futuros de Nova York abriram em fortes altas, exibindo força com o cessar‐fogo acordado na Argentina, durante o G-20, enquanto o petróleo iniciava uma recuperação dos preços e as divisas dos emergentes valorizavam contra o dólar.

Petróleo

A alta volatilidade do petróleo tem sido um fator de desestabilização das bolsas e uma acomodação dos preços como consequência da Opep, esta semana, vai ajudar. Como o discurso do banco central americano, o Federal Reserve, na semana passada, já ajudou.

Ao final de uma reunião com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, na Argentina, Vladimir Putin, presidente da Rússia, disse no sábado: “Nós temos um pacto para estender nosso acordo”, embora não haja ainda uma decisão final sobre volumes.

EUA x China

Em Buenos Aires, os relatos da conversa entre os presidentes Trump e Xi Jinping foram de um clima cordial e, aparentemente, os EUA estão conseguindo o que querem, que os chineses aumentem suas importações. Trump concordou em suspender por três meses a tarifa de 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses a partir de primeiro de janeiro, enquanto Xi Jinping se comprometeu em reduzir o déficit na balança comercial americana.

Na volta a Washington, o presidente mostrou entusiasmo aos jornalistas, dizendo que, se o acordo acontecer, “será um dos maiores já realizados, com impacto incrivelmente positivo” para a economia dos EUA. Segundo Trump, a China comprará “uma quantidade tremenda de produtos agrícolas dos americanos”.

Ainda na volta do G‐20, Trump disse a repórteres que deve concordar com uma extensão de duas semanas no financiamento ao governo dos EUA, antes do fim do prazo, que vence no sábado.

Opiniões mais pessimistas dizem que os 90 dias não serão tempo suficiente para os EUA e China se entenderem, mas a primeira reação nos mercados globais deve ser muito positiva à cúpula do G‐20.

Outra face da moeda

As novas compras de produtos agrícolas dos EUA pela China terão início imediato, o que atingirá produtores brasileiros, que vinham se beneficiando com volumes 20% maiores de exportação de soja para os chineses. Mas, como todos os demais emergentes, o Brasil ganha com o dólar fraco e sai favorecido como exportador de commodities. O maior risco é a guerra comercial causar uma desaceleração brusca da economia chinesa. Além das maiores importações dos EUA, a China deverá concordar com outras condições, como transferência de tecnologia, propriedade intelectual e acesso a investimentos em setores fechados para estrangeiros. A Casa Branca já informou que as tarifas adicionais poderão subir se não houver um bom termo após 90 dias.

Chance perdida

No domingo, o presidente argentino, Mauricio Macri e Xi Jinping, que continuava em Buenos Aires, anunciaram mais de 30 acordos agrícolas e de investimento, enquanto o futuro governo de Jair Bolsonaro parece esnobar o maior parceiro.

Agenda internacional

A agenda externa ainda é movimentada nesta semana pela expectativa com os dados de emprego nos EUA (sexta-feira), que pode registrar abertura menor de vagas em novembro (200 mil) contra outubro (250 mil). O desemprego deve ficar estável em 3,7% e o salário pago/hora, que serve de termômetro inflacionário, tem previsão de alta de 0,3%, acima de outubro (+0,18%). Mas o discurso Jerome Powell, semana passada, alivia muito das tensões. Depois que o presidente do Fed disse que o juro americano está “pouco abaixo do neutro”, as expectativas foram ajustadas para apenas mais dois aumentos em 2019, além da alta deste mês, já contratada.

Depois de amanhã, quando as bolsas em NY ficarão fechadas no luto a George Bush, Jerome Powell será sabatinado pelo Congresso americano e deve repetir o script sobre a intenção de uma pausa no ciclo de aperto monetário. Hoje falam os Fed boys John Williams (12h15) e Lael Brainard (13h30). Ainda hoje, o fôlego da atividade econômica é destaque, com a leitura final índice dos gerentes de compras industrial (PMI, na sigla em inglês) da IHS Markit de novembro (12h45), que deve ficar em 55,4, e o indicador fabril do Institute of Supply Management (ISM) (13h), com estimativa de 57,9.

Aqui

Destaque da semana, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro (sai na sexta-feira) pode confirmar a tendência deflacionária. Do lado da atividade, saem produção industrial de outubro (amanhã) e os dados da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (hoje) e Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores na quinta. Hoje tem também a balança comercial de novembro. Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central do Brasil, faz palestra organizada pela FGV no Rio (11h30).

Cessão vagarosa

Volta à pauta no Senado, amanhã, quando o presidente Eunício Oliveira decidirá se coloca ou não em votação o projeto, que está com regime de urgência. Pelo que se sabe, o acordo não avançou.
Em Buenos Aires, onde acompanhou Temer no G‐20, o ministro Eduardo Guardia afirmou que não enviará ao Congresso a MP prevendo o repasse de recursos aos Estados, “que aumentaria os gastos no ano que vem”. Sem um entendimento, Eunício poderá admitir emendas ao projeto da cessão onerosa, que voltaria à Câmara.
Neste caso, há o risco de um atraso no calendário do megaleilão do petróleo, que a nova equipe econômica pretendia realizar logo no início de 2019 para arrecadar R$ 100 bilhões e ajudar no déficit fiscal.

Brasília

Volta à Brasília amanhã o presidente eleito Jair Bolsonaro para encontros com as bancadas partidárias, preteridas na escolha dos cargos do primeiro escalão. Para alguns, trata‐se de uma aproximação meramente protocolar. O presidente eleito defende a “nova política”, que pretende negociar as pautas do governo com as bancadas temáticas. Mas, embora o Ministério esteja praticamente fechado, ainda restam o segundo e terceiro escalões. Bolsonaro também deverá bater o martelo sobre os dois últimos ministros: Meio Ambiente, para o qual está cotado o ex‐tucano Xico Graziano, e Direitos Humanos, que deve ser Damares Alves, assessora de Magno Malta.

Militares

Em declaração no fim de semana, Bolsonaro disse que fará o máximo possível para que não haja o contingenciamento de verbas para as Forças Armadas. “Forças Armadas não é despesa, é investimento”.
Nesta hora, todos pensam nas coisas que o presidente fala sobre a reforma da Previdência.
Escolhido para a secretária da Previdência e Receita, Marcos Cintra afirmou, em entrevista à Folha de sábado, que Bolsonaro tem “emitido sinais de não quer uma reforma menos acelerada, menos disruptiva”. Segundo ele, já existe uma “convergência de ideias” nas propostas, em temas como idade mínima, separação de Previdência e assistência, desvinculação do salário mínimo dos benecios, “mas não na dosimetria”.

Rali de Natal

Com o Ibovespa no topo para novos recordes, depois de ter investido à máxima intraday de 90.246 pontos no último pregão, traders e investidores contavam com essas noticias para um rali de Natal - ou o "Santa Claus Rally”. É um fenômeno que acontece em vários mercados. Nessa época, muitos investidores entram ou retornam para a bolsa de valores, provocando uma alta nos ativos financeiros, geralmente alguns dias antes do Natal.

Segundo análise gráfica da corretora Itaú BBA, superada a primeira resistência dos 89.600 pontos, o índice à vista deve buscar os 91.700 e 95.300 pontos. Fechou sexta-feira em 89.504,03 pontos, em leve queda de 0,23%. Locais bancaram a alta de 2,38% em novembro, porque o fluxo estrangeiro continua usando a porta de saída.

Suspeitas

A bolsa ficou devendo para esta semana a promessa dos 90 mil pontos no fechamento, após ter perdido fôlego no ajuste final, quando surpreendeu com uma queda de 500 pontos em poucos minutos. Alguns traders atribuíram a perda de última hora à investigação pela Polícia Ffedral de supostas fraudes do futuro ministro da economia, Paulo Guedes em fundos de pensão.  No fim de semana, Bolsonaro disse que desconhecia a investigação sobre Paulo Guedes, defendeu o ministro, mas admitiu que qualquer denúncia “robusta” levará ao afastamento, “independentemente de quem seja”.

Dólar

No acumulado de novembro, o dólar subiu 3,64%, e o envio de remessas ao exterior este mês pode manter a pressão de alta. Mas a sinalização de rolagem integral dos contratos de swap para dezembro é um bom alívio.

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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