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Esquenta dos mercados

Expectativa com NY, Opep e prisão de executiva orientam mercados

Incertezas sobre a recessão nos EUA, corte na produção de petróleo, cessão onerosa e ajuste fiscal pautam os investidores hoje

6 de dezembro de 2018
7:36 - atualizado às 10:26
Selo esquenta mercados
Aqui, rali de Natal (quando muitos investidores entram ou retornam para a bolsa, provocando uma alta nos ativos financeiros) está difícil de vingar - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! É grande a expectativa do mercado para a volta de Nova York aos negócios hoje, após a pausa que se seguiu ao estresse da terça-feira. Os índices futuros e Tóquio abriram em queda, com a prisão de executiva chinesa no Canadá a pedido dos EUA, que pode pesar nas (já difíceis) negociações da guerra comercial. Em Viena, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reúne para decidir cortes na produção de petróleo, enquanto, aqui, cessão onerosa e reforma da Previdência continuam na pauta.

Para piorar a volta dos mercados em NY, a prisão ontem à noite da executiva da gigante de telecomunicação chinesa Huawei, Meng Wanzhou, no Canadá, para “possível extradição” aos EUA, renova a tensão. A detenção ocorre por violação a sanções americanas contra o Irã, e tem como pano de fundo as negociações comerciais entre Pequim e Washington. Na reação imediata à notícia, os futuros em NY caíam feio.

Os outros muitos pontos soltos do cenário (se a recessão nos EUA virá mais cedo, se será suficiente o corte da Opep, se sai aqui a cessão onerosa e as incertezas com o ajuste fiscal) trazem instabilidade adicional.

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o rali de Natal (quando muitos investidores entram ou retornam para a bolsa, provocando uma alta nos ativos financeiros) está difícil de vingar neste cenário e sem os estrangeiros. Apesar de a última parcial da B3 ter apontado entrada de R$ 1,2 bilhão em capital externo na segunda-feira, especialistas não recomendam ânimo.

O alto volume, dizem, deve ser atribuído a operações de “cash‐and‐carry”, operações casadas de compra no índice à vista e venda no índice futuro, usadas para cobrir posições curtas, sem configurar tendência.

Ontem, quando os mercados já estavam fechados, uma fonte do presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou ao Broadcast, do Estadão, que o Plano de Negócios da Petrobras para os próximos quatro anos será revisto assim que o governo eleito tomar posse. A companhia anunciou ontem investimentos de US$ 84,1 bilhões entre 2019‐2022, volume US$ 13 bilhões superior ao plano anterior. O valor considera alta gradativa do petróleo no período, de US$ 66 para US$ 75.

Porta de saída

A fuga de recursos estrangeiros na Bovespa também se reproduz no câmbio e justifica a distância que o dólar já tomou da faixa de R$ 3,80, para flertar com R$ 3,90 neste fim de ano. O “efeito‐calendário” relacionado às remessas ao exterior explica só parte da pressão. O investidor não sente firmeza na agenda reformista de Bolsonaro e ainda a desaceleração global potencializa a percepção de risco.

Com maior cautela com o Brasil, os estrangeiros não param de elevar as posições compradas em dólar, que já somam US$ 41 bilhões, nível dos momentos de maior estresse antes da eleição. Depois de registrar entradas de US$ 334 milhões em outubro, o fluxo cambial teve resultado negativo em novembro, de US$ 6,614 bilhões. Houve saída líquida de US$ 12,987 bilhões pelo canal financeiro.

Ontem, não durou nem duas horas o alívio do dólar, que abriu em baixa com os leilões de linhas, e já começou a subir na hora do almoço, até a máxima de R$ 3,883, antes de desacelerar para o fechamento a R$ 3,86 (+0,31%). Operou sincronizado ao exterior, onde a moeda americana se valorizou tanto contra as divisas emergentes, quanto frente às concorrentes fortes, como o iene.

Opep

A defesa explícita do presidente americano, Donald Trump, para que os países produtores mantenham a oferta, evitando que os preços do petróleo fiquem caros e comprometam a expansão econômica, tende a ser desafiada pelo cartel. Às 10h, em Viena, a Opep realiza coletiva de imprensa, para sinalizar o futuro das reservas globais.

Em reunião técnica, ontem, o ministro do Petróleo de Omã disse que há consenso sobre corte na produção, combinado com a Rússia, que relutava em dar esse passo, mas não quer o barril abaixo de US$ 50. O Kuwait confirmou uma redução à vista: disse que a coalizão da Opep recomenda que as reservas sejam enxugadas durante seis meses. O Irã quer ser poupado, pelas sanções dos EUA, mas isso já era previsível.

Analistas apostam em um corte entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia, embora se questionem sobre a eficácia da queda no equilíbrio dos preços do petróleo, que vêm em uma derrocada superior a 20% desde outubro.

De última hora, ainda as especulações de recessão nos EUA em 2019 despertam para a gravidade dos riscos. Volátil, o petróleo acabou fechando em queda, ontem a US$ 61,56 (‐0,83%) para o Brent.

Por aqui, a vagarosa

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), marcou nova sessão para esta manhã (10h), sem informar se pretende, ou não, colocar a novela da cessão onerosa em votação. Mas essa é uma possibilidade, como admitiu o senador Romero Jucá (MDB-RR). Sem acordo com o ministros da fazenda, Eduardo Guardia e o futuro ministro da economia, Paulo Guedes para a partilha dos recursos do leilão do pré‐sal com Estados e municípios, Eunício pode levar a matéria ao plenário, permitindo emendas que tratem desse repasse - independentemente de preocupações com o teto de gastos, que passaria a ser um problema da nova equipe. Eunício não foi reeleito e tem mais essa semana e a próxima para ajudar os governadores.

Se a cessão onerosa ganhar emendas, volta para a Câmara. Neste caso, não seria impossível um acordo para votar com urgência naquela Casa, já que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não parece ter nenhum compromisso com Bolsonaro.

A relação do futuro governo com o Congresso é vista com apreensão pelo mercado, sobretudo pela agenda reformista. Os investidores têm evitado dar peso aos desencontros que envolvem a reforma da Previdência. Os sinais não são bons, teme‐se que acabe saindo um ajuste muito tímido para a gravidade da situação fiscal.

Agenda

Nos EUA, saem (11h15) os dados da ADP (empresa especializada no processamento de folhas de pagamento) sobre vagas de emprego no setor privado, com previsão de abertura de 190 mil postos em novembro (de 227 mil em outubro). São dados como prévia do Relatório de Emprego (Payroll), que sai amanhã.

Já a balança comercial de outubro (11h30) deve aprofundar o déficit a US$ 55 bilhões, de US$ 54 bilhões em setembro. O FED boy Raphael Bostic fala às 15h15. À noite (21h45), o presidente do banco central americano, Jerome Powell faz “breve discurso”.

Aqui, o único destaque é a produção de veículos medida pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em novembro, às 11h.

Curtas

A demanda total por voos da GOL aumenta 5,7% em novembro e oferta de assentos sobe 4%.

Na Localiza, o conselho aprovou emissão de debêntures pela subsidiária Localiza Fleet de R$ 400 milhões.

Na CVC, o conselho aprovou pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 0,4164 por ação.

A MRV informou que fará uma distribuição de dividendos extraordinários de R$ 0,33 por ação.

A Telefonica Brasil celebrou contrato de R$ 208,197 milhões com Media Networks para prestação de serviços.

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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