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2018-10-26T18:55:26-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Em dia de altos e baixos, bolsa sobe com otimismo eleitoral e dólar vai a R$ 3,65

No último pregão antes do segundo turno das eleições, bolsa brasileira contraria mau humor externo e fecha em alta; dólar tem menor cotação desde o dia 24 de maio

26 de outubro de 2018
10:39 - atualizado às 18:55
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ações da Petrobras reagiram à informação de que a estatal estaria negociando a venda de Pasadena para a Chevron - Imagem: Seu Dinheiro

Depois de uma manhã de sobe e desce, os mercados locais abraçaram o otimismo com a provável eleição de Jair Bolsonaro no domingo e a informação de que a Petrobras estaria negociando a venda da refinaria de Pasadena para a Chevron.

No último pregão antes do segundo turno das eleições, o Ibovespa recobrou o patamar dos 85 mil pontos, fechando em alta de 1,95%, aos 85.719 pontos, na contramão do exterior. O índice acumula alta de 1,78% na semana e 8,04% em outubro.

Já o dólar à vista recuou 1,42% a R$ 3,6527, menor cotação desde o dia 24 de maio. A moeda acumula desvalorização de 9,83% na semana e de 10% no mês, a segunda maior queda entre os países emergentes.

Os juros futuros acompanharam a moeda americana e fecharam em queda forte. O DI com vencimento em janeiro de 2021 caiu de 8,404% para 8,25%. Já o DI para janeiro de 2023 recuou de 9,613%, para 9,35%.

Dólar e juros refletiram o otimismo com as eleições, mas o câmbio também esteve em linha com a tendência global. Lá fora, o dólar se enfraqueceu frente às moedas fortes e teve sinais mistos em relação às moedas emergentes.

Além disso, o câmbio hoje foi afetado pela entrada de recursos externos, em parte atribuída à abertura de capital da empresa de meios de pagamento Stone em Nova York ontem, com captação de US$ 1,5 bilhão de dólares.

Os rumos do dólar e da bolsa agora dependem muito dos nomes que o próximo presidente indicará para a equipe econômica e da sua real disposição em implementar reformas. Até porque, no cenário externo, as coisas ainda estão feias, com muita aversão a risco.

Dia de gangorra

A bolsa brasileira começou o dia em alta nesta sexta-feira (26), ignorando a surpresa da pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite, que mostrou uma redução de seis pontos percentuais na diferença das intenções de voto entre Bolsonaro e Haddad.

As pesquisas XP/Ipespe e Crusoé/Empiricus, divulgadas nesta manhã, trouxeram alívio aos investidores, mostrando que a distância entre os dois candidatos permanece grande.

Mas o tempo fechado lá fora logo fez o clima virar por aqui. As bolsas americanas abriram o pregão em forte queda por conta da desvalorização das ações das gigantes de tecnologia, cujos resultados desapontaram os investidores.

Na hora do almoço, porém, as perdas em Nova York desaceleraram, permitindo que o Ibovespa retornasse ao campo positivo.

No fim do dia, o banco Morgan Stanley elevou a recomendação para o Brasil de "equal-weight" (desempenho na média do mercado) para "overweight" (desempenho acima da média do mercado).

Pasadena... see what I mean?

Petrobras e Eletrobrás subiram forte nesta sexta com notícias favoráveis às vendas dos seus ativos.

As ações da petroleira fecharam em alta de 4,86% (PETR3) e 3,77% (PETR4), em reação à informação de que a estatal negocia a venda da refinaria de Pasadena, nos EUA, para a Chevron, segundo fontes da estatal que não quiseram se identificar.

Localizada no Texas, a refinaria está entre os alvos das investigações da Operação Lava Jato. A valorização dos papéis da estatal também acompanhou a alta nos preços do petróleo.

Mas a Petrobras não chegou a figurar entre as cinco maiores altas do Ibovespa. Outros papéis tiveram valorizações ainda mais fortes, como os da Eletrobrás.

As ações da elétrica subiram 5,81% (ELET3) - uma das maiores altas do dia - e 3,01% (ELET6), como reflexo de declarações do presidente da estatal, Wilson Ferreira Jr., de que o governo estuda propostas para permitir a renegociação da dívida da Eletrobrás com a Petrobras, fundamental para viabilizar o leilão da distribuidora Amazonas Energia.

Além disso, ambos os papéis estiveram sujeitos ao otimismo eleitoral.

Ainda no "kit eleições" - estatais sujeitas aos ânimos da corrida eleitoral pelas perspectivas de maior ou menor intervencionismo dos governos -, outra ação que figurou entre as maiores altas do Ibovespa hoje foi a do BB (BBAS3), que subiu 5,79%.

A maior alta do índice hoje foi a da ação da Gol (GOLL4), que fechou com valorização de 10,70%. Ajudou o papel o relatório do Citi que elevou o preço-alvo da sua ADR - recibo de ação brasileira negociado no exterior - de US$ 8,50 para US$ 11, potencial de valorização de 23% em relação ao fechamento de ontem.

O banco reafirmou, ainda, sua recomendação de compra para os papéis da aérea.

Reações aos balanços

As ações da Suzano (SUZB5) tiveram a maior queda do Ibovespa no dia depois que a companhia divulgou prejuízo no terceiro trimestre, enquanto o mercado esperava lucro. As ações fecharam com recuo de 6,46%.

Já a CCR (CCRO3) fechou em queda de 0,88%, com resultados considerados mistos pelos analistas, que não tiveram grande surpresa com o balanço.

Para o banco Safra, os números vieram em linha com o esperado pela casa. Na opinião dos analistas, no momento o mercado concentra as atenções nas novidades sobre o trabalho final das investigações do Comitê Independente, as disputas judiciais com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e a eventual participação da CCR em leilões de infraestrutura.

Os resultados da Usiminas (USIM5) agradaram bastante o mercado, e as ações fecharam em alta de 1,62%.

A XP Investimentos recomenda compra do papel, em razão das perspectivas de recuperação econômica, alta no preço internacional do aço e dos múltiplos atrativos da companhia.

As ações das Lojas Renner (LREN3) também responderam a balanços fortes, divulgados ontem à noite, com alta de 2,10%.

O Citi considerou os resultados da varejista sólidos. O UBS diz que a companhia está bem posicionada para as vendas do quarto trimestre. A Guide diz acreditar que as Lojas Renner continuem apresentando resultados sólidos no próximo trimestre, em função de sua eficiência operacional e boa capacidade de execução.

Os papéis do Pão de Açúcar (PCAR4), por sua vez, recuaram 2,24%, uma das maiores quedas do Ibovespa, após a divulgação de resultados dentro do esperado pelo mercado ontem à noite.

Em entrevista ao "Broadcast", do "Estadão", o analista da Lerosa Vitor Suzaki disse que "a companhia tem perspectiva de ganho de market share, mas o setor não está tão positivo e não consegue repassar a inflação, o que causa impacto negativo da margem bruta" do Grupo Pão de Açúcar como um todo.

Em relatório, o Brasil Plural considerou positivos os resultados e a estratégia de "limpar a casa" antes de adotar uma estratégia de vendas mais agressiva em face à queda nos preços dos alimentos, que vem impactando positivamente as margens.

Em teleconferência hoje, o presidente do GPA, Peter Estermann, afirmou que a companhia acredita numa evolução do processo de venda da Via Varejo após as eleições. Ele afirmou que o grupo está pronto para investir mais em expansão, mas espera uma retomada do consumo e da economia brasileira que não deve se materializar na velocidade necessária em 2019.

Das companhias que soltam seus balanços na semana que vem, Embraer (EMBR3) subiu 5,08%, Itaú Unibanco (ITUB4) teve alta de 1,87% e Multiplan (MULT3) avançou 2,80%.

Decepção com as gigantes de tecnologia

As bolsas de Nova York abriram em baixa nesta sexta, digerindo resultados trimestrais decepcionantes de duas das cinco maiores companhias americanas em valor de mercado: Alphabet (Google) e Amazon.

Outra ação que despencou hoje devido a um balanço pior que o esperado foi a da Snap (Snapchat). Das grandes empresas de tecnologia que divulgaram resultados desde o último pregão, só a Intel animou os investidores.

A Nasdaq chegou a ter perdas de mais de 3% hoje, mas à tarde as quedas dos índices americanos desaceleraram.

O Dow Jones fechou em queda de 1,20%, aos 24.685 pontos; o S&P500 fechou em baixa de 1,74%, aos 2.658 pontos; e a Nasdaq terminou o pregão com perdas de 2,07%, aos 7.167 pontos.

As bolsas europeias também fecharam em queda nesta sexta-feira, muito motivadas pela aversão a risco global que já vem sendo vista nos últimos tempos, além do mau desempenho das bolsas americanas.

A Europa se vê às voltas de temores em relação à crise fiscal na Itália, que prevê déficit para seu orçamento de 2019, já rejeitado pela Comissão Europeia; e às complicadas negociações do acordo do Brexit, que está emperrado na questão das fronteiras das Irlandas.

Além disso, os investidores andam preocupados com as revisões para baixo nas previsões de crescimento mundial para este ano, ao mesmo tempo em que os EUA veem um crescimento forte.

Há expectativa de que o Fed, o banco central americano, aumente os juros mais rapidamente que o previsto para controlar um possível superaquecimento da economia dos Estados Unidos, atraindo os recursos dos ativos de risco para os títulos do Tesouro americano, mais seguros.

PIB nos EUA

Nesta manhã, foram divulgados os números do PIB dos EUA. A economia americana cresceu 3,5% no terceiro trimestre em relação ao período anterior, levemente acima do esperado pelo mercado.

Os gastos dos consumidores foram os grandes motores da expansão econômica, enquanto os índices de preços de gastos com consumo desaceleraram.

É possível que esse resultado, embora em larga medida esperado, tenha contribuído para as quedas nas bolsas americanas hoje, pois reforça a perspectiva de um aperto monetário ainda maior pelo Fed, o que eleva a aversão a risco pelo mundo.

*Com Estadão Conteúdo

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