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O efeito colateral da mudança de embaixada em Israel

Quinto destino das exportações brasileiras, os países árabes ensaiam também sua entrada no financiamento a investimentos em infraestrutura do País

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. - Imagem: Alexandros Michailidis/Shutterstock

A mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, confirmada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pode interromper uma trajetória de crescimento da parceria entre Brasil e países árabes, destaca o jornal O Estado de S. Paulo. A afirmação é do presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannun.

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Quinto destino das exportações brasileiras, os países árabes ensaiam também sua entrada no financiamento a investimentos em infraestrutura do País. Produtores de petróleo, eles concentram 40% dos recursos de todos os fundos soberanos do mundo.

"Existe o risco de uma interrupção, mas ele não está claro", disse Hannun ao jornal. No ano passado, as exportações brasileiras para o conjunto dos países árabes somaram US$ 13,6 bilhões. Neste ano, as vendas estão 15% abaixo do registrado em 2017, nos valores acumulados até junho. Mas a projeção é que o volume de vendas chegue a US$ 20 bilhões em 2022.

O Brasil tem hoje uma posição forte como fornecedor de alimentos para a região. Essa posição foi conquistada, entre outras coisas, por causa da posição equilibrada que o Brasil mantém no conflito entre Israel e a Palestina, segundo Hannun.

A fila anda...

Os países árabes dão pouco espaço a concorrentes de produtos brasileiros que tentam ingressar em seus mercados. Uma vez contrariados, avalia, eles poderão passar a olhar para outros fornecedores, como a carne da Austrália, da Turquia e da Argentina, ou o frango da França.

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A transferência da embaixada, que demonstraria o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, é uma medida polêmica. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado. Já a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense de Jerusalém como sua capital indivisível.

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Uma união improvável

Na sexta-feira, 2, as autoridades palestinas, frequentemente divididas, se uniram para criticar o anúncio do presidente eleito de mudar o local da embaixada. "Trata-se de uma medida provocadora, que é ilegal diante do direito internacional e que não faz nada mais que desestabilizar a região", disse Hanane Ashrawi, integrante da autoridade palestina, à agência de notícias internacionais AFP.

Em tom mais duro, o grupo Hamas, que está no poder em Gaza, usou as redes sociais para criticar a mudança. "Rejeitamos a decisão do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro", declarou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri. Para ele, a iniciativa é um "passo hostil ao povo palestino".

Na quinta-feira, dia 1º, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, celebrou a confirmação da promessa de campanha: "Felicito meu amigo o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, pela intenção de deslocar a embaixada brasileira para Jerusalém, um passo histórico, justo e emocionante".

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Adiós, Havana?

O presidente eleito pretende enxugar a estrutura do Itamaraty, segundo informam colaboradores da sua campanha. O Estado apurou que o Itamaraty elabora uma lista a ser entregue à equipe de transição. A informação é de que algumas representações no Caribe estão na lista. Em entrevista a Rede Vida, Bolsonaro questionou a necessidade da embaixada em Cuba.

*Com Estadão Conteúdo

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