Rede Accor traz hotel de luxo Fairmont ao Rio
Franceses investem R$ 250 milhões em meio a uma das maiores crises já vividas pelo setor

Em meio a uma das maiores crises já vividas pelo mercado hoteleiro no Rio de Janeiro, a rede francesa Accor, líder do setor no País, está fazendo uma de suas maiores apostas individuais dos últimos anos em solo carioca: um investimento de R$ 250 milhões que será a estreia da bandeira canadense Fairmont na América do Sul. A intenção da Accor é inaugurar até abril do ano que vem a unidade, que terá 400 quartos e será um "retrofit" de uma antiga unidade do hotel Sofitel do bairro de Copacabana.
O investimento parece ir na contramão do humor do mercado hoteleiro, que é ruim no Brasil todo, mas especialmente pessimista no Rio. "O mercado carioca passa por um momento terrível", define Diogo Canteras, sócio da Hotel Invest. "É uma tempestade perfeita, do ponto de vista da economia e da segurança." Como base de comparação, exemplifica Canteras, a demanda em São Paulo caiu 23% entre 2012 e 2017 - no mesmo período, a retração do Rio foi de mais de 40%.
Com a definição do cenário eleitoral e a previsão de inauguração em abril, o vice-presidente de hotéis de alto padrão e luxo da Accor na América do Sul, Philippe Trapp, espera que o segmento mostre, até lá, algum sinal positivo.
"Não achamos que vá voltar aos níveis de 2013, mas há espaço para recuperação. Já percebemos isso, mais em São Paulo do que no Rio", diz o executivo. Para captar o maior número de clientes possível, o Fairmont de Copacabana será apresentado como um "híbrido" de hotel de negócios e de turismo.
Alternativa
O objetivo de transformar o empreendimento em Fairmont, marca que a Accor herdou em uma aquisição bilionária feita em 2016, foi justamente ampliar a variedade de bandeiras de luxo da rede no Rio, que já tem uma unidade Sofitel. Trapp diz também que o tamanho do empreendimento - que terá 400 quartos, 700 metros quadrados de espaços para eventos e duas piscinas de grande porte - se assemelha mais à proposta do Fairmont do que à da Sofitel, que costuma ter atendimento mais "butique", em edifícios de menor porte.
O aporte de R$ 250 milhões veio da empresa de investimentos da própria rede, a Accor Invest. Em casos de empreendimentos mais modestos, é comum que a Accor trabalhe também com investidores locais. Entre as cidades da sul-americanas que podem ser candidatas a ter uma unidade da marca no futuro, Trapp cita São Paulo, Buenos Aires e Santiago. "É um hotel para grandes capitais."
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Para separar as propostas de suas marcas de luxo, a Accor decidiu emprestar um ar "carioca" à atmosfera do Fairmont, da arquitetura - que será inspirada no Rio de Janeiro e na arte brasileira dos anos 1950 e 1960 -, passando pelo cardápio e pelo atendimento. O executivo explica que, enquanto a Sofitel tenta ser "a França fora da França", o Fairmont se adapta à cultura das localidades onde se instala.
Saídas
Um dos desafios do Fairmont serão os preços deprimidos nos hotéis de luxo do Rio - em alguns casos, o valor cobrado caiu 50% em cinco anos, segundo Canteras, da Hotel Invest. Antes de aumentar preços, diz o especialista, a cidade terá de recuperar os turistas que perdeu: hoje, na zona sul, a taxa média de ocupação dos quartos está em 50%. Na Barra da Tijuca, cerca de 70% dos quartos passam os dias vazios.
Do ponto de vista do turismo de negócios, Canteras vê o aumento dos royalties do petróleo, que poderão animar um pouco a combalida economia fluminense. Para recuperar o viajante a lazer, o sócio da Hotel Invest vê apenas uma saída de efeito mais imediato: a conquista do cliente paulistano. "Não há destino mais conveniente para quem mora em São Paulo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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