Menu
2019-04-20T15:57:52-03:00
Marina Gazzoni
Marina Gazzoni
CEO do Seu Dinheiro. É CFP® (Certified Financial Planner). Tem graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e MBA em Informação Econômico-Financeira e Mercado de Capitais no Instituto Educacional BM&FBovespa. Foi Diretora de Conteúdo e editora-chefe do Seu Dinheiro, editora de Economia do G1 e repórter de O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e do portal IG.
Investimento com garantia

FGC – a sigla que as corretoras usam para vender. Dá para confiar?

O Fundo Garantidor de Crédito virou um trunfo para a equipe de marketing das corretoras vender CDBs, LCIs e LCAs de bancos pequenos e médios

27 de setembro de 2018
6:05 - atualizado às 15:57
André Loes, diretor-executivo do FGC
André Loes, diretor-executivo do FGC, explica como funciona sistema de garantias dos bancos. - Imagem: Fabio Macedo/Seu Dinheiro

George Bailey estava a caminho do aeroporto para sua viagem de lua de mel quando viu uma multidão em frente à financeira da família, a Building & Loan. Uma dívida foi executada e esvaziou o caixa do banco. A população de Bedford Falls entrou em pânico e correu para sacar o dinheiro.

O caixa não era suficiente para pagar a todos. Bailey convenceu os clientes a só retirarem o dinheiro que precisavam em vez de limpar suas poupanças. Usou as economias da lua de mel e conseguiu fechar o dia com US$ 2 no cofre. A cena do filme “A felicidade não se compra”, um clássico de Frank Capra, retrata uma corrida bancária nos anos 1930.

É uma obra de ficção, mas o movimento de “salve-se quem puder” diante de uma bancarrota de um banco é bem próximo dos relatos históricos. Como a maioria dos bancos não tem um Bailey capaz de acalmar clientes apavorados, o sistema bancário criou formas de se proteger.

Em 1933, ano em que 4 mil bancos quebraram em meio à Grande Depressão, os EUA criaram o seu fundo garantidor de crédito, o Fdic. No Brasil, a novidade chegou apenas em 1995, depois que grandes bancos brasileiros quase quebraram com a estabilização da moeda pelo Plano Real – e o fim dos ganhos exorbitantes que tinham com a hiperinflação.

Foi nesse contexto que nasceu o fundo garantidor de crédito brasileiro, o FGC, instituição mantida pelos bancos para proteger os recursos do investidor depositado nos próprios bancos.

O FGC nunca foi sexy. Ele só aparecia no noticiário quando algum banco se metia em uma enrascada. Mas a instituição ganhou novo status com a popularização das plataformas abertas de investimentos. O FGC virou um trunfo para a equipe de marketing das corretoras vender CDBs, LCIs e LCAs de bancos pequenos e médios.

É uma oferta tentadora: você empresta dinheiro para bancos pequenos – alguns com solidez duvidosa - e se ele quebrar um fundo dos próprios bancos vai assumir o prejuízo por você. Dá para confiar ou é bom demais para ser verdade?

Fui até a sede do FGC para fazer essa pergunta ao André Loes, diretor-executivo do fundo. Ele garante que o FGC é seguro.

“O FGC sempre pagou e tenho plena tranquilidade que sempre vai pagar”.

Regras de cobertura

A dica dele é ficar atento às regras de cobertura na hora de investir (veja abaixo).

  • Limite de R$ 250 mil por pessoa em cada instituição financeira.
  • Limite adicional de pagamento de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos

São garantidos pelo FGC: depósitos em conta corrente, poupança, CDB, LCI, LCA, letra de câmbio, letra hipotecária, letras imobiliárias, depósitos a prazo e operações compromissadas.

Não tem garantia do FGC: títulos públicos, fundos de investimento, fundo imobiliário, depósitos no exterior, COE e LIG, entre outros.

FGC tem dinheiro suficiente?

O FGC tem um patrimônio líquido de R$ 66,4 bilhões e R$ 45,9 bilhões deles são transformáveis em caixa (dados de dezembro de 2017). A diferença de R$ 20,5 bilhões está nos empréstimos feitos pelo FGC em operações de assistência – uma espécie de crédito emergencial para evitar a quebra de um banco com problemas pontuais.

Não precisa ser um gênio da economia para concluir que se todo mundo quebrar o FGC não tem saldo para honrar seus compromissos. Loes explica que a instituição definiu a liquidez necessária é entre 2,3% a 2,7% dos depósitos elegíveis: “Usamos um modelo científico para chegar no nível que é suficiente para superar uma crise de alta severidade.

E o que seria uma crise de alta severidade?, perguntei. Loes não deu muitos detalhes, mas disse que é bem maior do que a crise do subprime nos EUA, com elevado grau de contágio entre as instituições. Ele ressaltou que o modelo usado pelo FGC tem um grau de certeza de 99,8%. Há uma chance, ainda que mínima, de tudo dar errado. Mas também há uma chance de um meteoro cair na Terra, provocou Loes.

Quem deve para o FGC?

O número que ficou na minha cabeça não foi o modelo matemático do fundo. Foram os R$ 20 bilhões que o FGC emprestou para os bancos. Se o banco precisou de uma linha de crédito emergencial é um sinal de que não vai muito bem – e pode ser um candidato a entrar na lista de bancos quebrados no futuro.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

em Minas Gerais

Notre Dame Intermédica compra Grupo Serpram por R$ 170 milhões

Aquisição marca avanço da empresa em Minas Gerais; mais cedo, companhia anunciou compra de outra empresa, no Sul do País

forte expansão

Unidas reporta lucro líquido de R$ 124 milhões, alta de 44,4% e melhor da história

Empresa registrou uma forte retomada no segmento de Terceirização de Frotas, que apresentou recordes de contratação

desinvestimentos

Compass apresenta proposta para adquirir participação da Petrobras na Gaspetro

Empresa, que chegou a desistir de abrir capital, não revelou valor pela fatia; processo é mais um desinvestimento da Petrobras, que desembarca de vez da companhia

Dinheiro na conta

Santander pagará R$ 1 bilhão em juros sobre capital próprio

O valor líquido por ação será de R$ 0,10859906709 por ON, com retenção de IR na fonte.

PLANOS

Agora parte do BTG, Necton vai em busca de pequenos investidores

Corretora pretende lançar iniciativas e produtos para a base dos investidores, para quem tem entre R$ 10 mil e R$ 15 mil aportados no mercado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies