Menu
2020-02-24T10:23:42-03:00
Estadão Conteúdo
Entrevista

Diretor do FGC: “sempre é melhor prevenir do que improvisar”

Daniel Lima defende as mudanças previstas no texto de Resolução Bancária enviado pelo governo

24 de fevereiro de 2020
10:23
Quatro sacolas com dinheiro
Imagem: Shutterstock

Em sua primeira entrevista desde que assumiu o comando do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), no fim do ano passado, Daniel Lima defende as mudanças previstas no texto de Resolução Bancária enviado pelo governo, no fim do ano passado, ao Congresso.

O texto prevê, por exemplo, o uso de recursos do Tesouro como último recurso para salvar grandes bancos numa eventual crise financeira.

Hoje, essa possibilidade é proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). "Temos de discutir em quais condições vamos usar o mecanismo, e não simplesmente proibir o mecanismo", diz ele. "Por uma questão política, a decisão pode ser outra. Mas, em se tratando de uma legislação, o Congresso é o foro adequado para a discussão."

Lima considera ainda que o sistema financeiro está hoje mais sólido do que no passado. O FGC tem a função de ressarcir os investidores em caso de quebra de um banco. Com um caixa de R$ 80 bilhões, cobre ativos como depósitos à vista, poupança e CDBs, entre outros.

O que o sr. acha do projeto de Resolução Bancária e como o FGC se encaixa nele?

Precisamos de um arcabouço que incorpore aprimoramentos que já foram realizados lá fora. Acho que é um texto tecnicamente muito debatido, maduro. A criação de um arcabouço mais robusto para enfrentar crises diminui a incerteza e colabora com um melhor ambiente institucional. E teremos à disposição ferramentas novas que hoje não dispomos, como o "empréstimo como último recurso", que prevê o uso do dinheiro do Tesouro. Temos de discutir em quais condições vamos usar o mecanismo, e não simplesmente proibir o mecanismo. Existem limitações que são oriundas da Lei de Responsabilidade Fiscal, como restrição de prazos nos empréstimos. Será preciso algum balanço entre diferentes alocações do recurso público. Tudo tem a ver com minimizar o gasto da sociedade e apoiar negócios que são viáveis.

Dado que o uso do recurso publico é polêmico, acredita que a forma de socorro está adequada?

O tratamento técnico está adequado, mas precisa de debate, porque se trata de uma decisão social. Quem decide é o Congresso.

Como o FGC é um fundo constituído por bancos, a resolução pode ter impacto nas contribuições das instituições ao fundo?

Teremos de esperar o texto final aprovado para entender quais são os impactos para o FGC. Quando olhamos especialmente para o grupo S1 de bancos, os sistematicamente importantes, não prevemos muito impacto porque está sendo constituído um fundo de resolução próprio para lidar com dificuldades dessas entidades.

Esse fundo já está sendo constituído, então?

Ele está previsto na proposta, mas já existe uma conta contábil que está recolhendo recursos para quando esse fundo for instituído.

Qual o volume do fundo?

O Fundo de Resolução está em torno de R$ 7 bilhões. A meta é 1% dos elegíveis. Portanto, se estamos considerando que os elegíveis somam R$ 2,3 trilhões, a meta é cerca de R$ 23 bilhões, a ser alcançada em dez anos. Para os bancos menores, eventual socorro vem de linhas de assistência do FGC, que estão segregadas do fundo. O FGC tem um patrimônio de R$ 80 bilhões, sendo R$ 60 bilhões para a cobertura de ativos e o restante representado por garantias e recursos para a assistência aos bancos menores.

Considera esse debate necessário neste momento, já que os bancos sistematicamente importantes no Brasil têm situação sólida?

Sempre é melhor prevenir e se preparar do que improvisar. Creio que o risco não existe, é baixo, mas é uma regulamentação muito importante.

Quais riscos o sr. vê hoje para o mercado bancário e financeiro?

As instituições financeiras são dinâmicas e têm sido capazes de navegar em vários cenários. Ao longo do tempo, a fiscalização tem feito um grande trabalho. Controles internos e governança têm melhorado.

Existe previsão de mudança no teto de cobertura de R$ 250 mil por CPF em caso de quebras?

Hoje, não. A cobertura está adequada para o contexto atual da indústria.

Considera que os bancos médios e de nicho estão mais saudáveis hoje do que no passado?

As novas tecnologias estão barateando algumas operações e, nesse sentido, existem determinantes que levam a uma maior saúde do sistema. Vejo elementos que mostram aumento do risco porque a competição está aumentando, do ponto de vista da análise econômica, mas do outro lado existe um avanço tecnológico enorme que reduz custos e melhora de governança. No filme, a indústria está melhor.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

pacote comercial

Brasil e EUA assinam acordo para facilitar comércio e desburocratizar regulação

O Acordo de Comércio e Cooperação Econômica vinha sendo negociado pelos dois países desde 2011, mas estava em hibernação até a eleição do presidente Jair Bolsonaro

Relatório de produção

Vale: Produção de minério vai a 88,676 milhões/toneladas, alta anual de 2,3%

No relatório que divulgou nesta segunda-feira, 19, a companhia informa que está evoluindo com seu plano de estabilização e entregou uma forte produção de minério de ferro no terceiro trimestre.

Buscando eficiência

Infraestrutura anuncia início do plano de incorporação da Valec e EPL

Segundo a pasta, um dos principais objetivos da incorporação é “otimizar os gastos por meio de uma empresa mais enxuta, eficiente e sustentável”.

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Segurando o teto

Hoje foi dia de descolamento entre o Ibovespa e as bolsas americanas novamente. E tudo por causa dos impasses que vêm pesando sobre as perspectivas dos investidores nos últimos tempos. Mas desta vez o jogo virou. Foi a bolsa brasileira que se saiu bem, enquanto as bolsas americanas amargaram perdas. Lá fora, o vaivém das […]

Agora vai?

Agora é oficial: CSN entra com pedido de IPO da unidade de mineração

A abertura de capital da unidade da CSN que inclui a mina Casa de Pedra é aguardada há pelo menos uma década, a ponto de ganhar status de lenda urbana no mercado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Menu
Advertisements