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G20

EUA e China acenam para trégua comercial que pode afetar exportação de soja brasileira

Enquanto EUA concordaram em não aumentar tarifas, Pequim prometeu aumentar a compra de produtos americanos, incluindo agrícolas

China - Estados Unidos
Imagem: shutterstock

O acordo fechado entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, na noite do sábado, foi comemorado por economistas e diplomatas presentes na reunião do G20 em Buenos Aires, muitos deles céticos sobre alguma solução em relação à disputa comercial entre os dois países. O encontro entre os dois líderes foi cercado de mistérios e sequer teve o local divulgado nas agendas dos dois chefes de Estado.

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Pelo acordo, os EUA vão adiar a imposição de tarifas adicionais de 25% em US$ 200 bilhões de produtos chineses por 90 dias, enquanto a China se compromete a comprar mais produtos americanos, incluindo agrícolas.  Em razão das barreiras impostas pela China à soja americana, as exportações do produto brasileiro ao país asiático cresceram 20% em 2018 e prometem bater recorde histórico até o fim do ano. A trégua entre os presidentes das duas maiores economias do mundo deve reverter esse cenário.

Trump voou para Washington logo após o jantar, enquanto Xi Jinping ficou em Buenos Aires para uma visita oficial de três dias.

'Com possibilidades ilimitadas'

A reunião entre Trump e o líder chinês foi o evento mais esperado de todo o G20. O jantar, que teve taças de vinho da cidade de Mendonça e doce de leite argentino, durou uma hora a mais que o previsto e foi encerrado com aplausos, segundo a imprensa chinesa. Trump a classificou a reunião como “produtiva e com possibilidades ilimitadas” para os EUA e a China. Já Xi Jinping destacou que somente com “cooperação” é possível atingir os interesses “de paz e prosperidade”.

A trégua entre os dois países deve trazer alívio ao mercado financeiro, após meses sob pressão, e dar uma pausa para as duas maiores economias do mundo negociarem. Especialistas, contudo, recomendam cautela com os próximos passos e alertam para riscos, pois as divergências entre Pequim e Washington ainda são muito altas. Um dos indícios desse fato, segundo uma fonte diplomática, é que não houve um comunicado conjunto ao final da reunião, assinado pelos dois países, mas declarações separadas de cada parte.

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“Esse acordo pelo menos adia a escalada adicional na guerra comercial, evitando um resultado que poderia prejudicar o mercado financeiro”, avaliaram dois analistas da consultoria americana de risco político Eurasia, Michael Hirson e Jeffrey Wright. Para eles, a trégua de Trump e Xi Jinping marca o início, não o final, de difíceis negociações comerciais, que podem ainda se arrastar por anos.

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Apesar da comemoração, a Eurasia apontou riscos importantes para o acordo, que estabeleceu o prazo de 90 dias para negociações entre a Casa Branca e Pequim. Esse prazo é pequeno quando se tratam de questões comerciais que se arrastam por anos entre as duas maiores economias do mundo. Trump pode perder seu entusiasmo, caso encontre críticas domésticas ou caso seu temor sobre a piora do mercado financeiro americano se reduza.

“É um cessar-fogo temporário”, disse o economista da consultoria Capital Economics, Paul Ashworth. Para ele, como Trump se empenhou pessoalmente para a reunião na Argentina, é possível que as negociações avancem de agora em diante, mas a China pode ter de ceder um pouco mais para um final feliz. Ele lembra que a própria administração de Trump inclui críticos ferrenhos da postura chinesa, entre eles, Peter Navarro, o conselheiro comercial da Casa Branca por trás do desenho da política de Washington para Pequim. Navarro, aliás, chegou a ser excluído da lista de convidados para a reunião, mas acabou sendo chamado na última hora.

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