Menu
2018-10-03T15:40:31-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Vende-se

Estrangeiro vira a mão e vende US$ 8 bilhões em dois dias

Briga entre comprados e vendidos no mercado futuro é que dita a formação de preço do dólar, que flerta com a linha de R$ 3,8

3 de outubro de 2018
12:36 - atualizado às 15:40
dinheiro voando
Imagem: Pomb

O Banco Central (BC) apresentou os dados sobre o fluxo cambial de setembro. Uma saída de US$ 6,14 bilhões do Brasil. E qual a importância disso para a formação de preços do dólar? Nenhuma. A brincadeira acontece no mercado futuro, onde os estrangeiros já venderam mais de US$ 8 bilhões em dois dias. E o desmanche de posições compradas, que podem ser vistas como uma aposta de alta do dólar, certamente continua no pregão desta quarta-feira, depois das últimas pesquisas eleitorais apontarem o avanço do candidato Jair Bolsonaro.

O estrangeiro fechou o mês de setembro com uma posição comprada de US$ 39,271 bilhões, considerando dólar futuro e cupom cambial (DDI – juro em dólar negociado no mercado local). Ontem, essa posição tinha caído a US$ 31 bilhões. O que pode ser visto como um dos maiores desmanches de posição, pois desde meados do ano o gringo vinha carregando sempre algo próximo a US$ 40 bilhões em posição comprada, recorde histórico.

Outros players relevantes no mercado futuro são os bancos e os fundos de investimento. Como o mercado futuro é um jogo de soma zero, se um vende um outro compra. E os maiores compradores de dólares foram os bancos, com US$ 6,3 bilhões, seguidos pelos fundos, com outros US$ 650 milhões.

Ainda assim, os bancos mantêm uma posição vendida de US$ 16,2 bilhões no mercado futuro e os fundos têm outros US$ 16,7 bilhões.

Isso avaliando o ocorrido entre o fim de setembro e o pregão de terça. Olhando só o que ocorreu na terça-feira, a movimentação dos fundos de investimento chama atenção, pois eles ampliaram a aposta de queda do dólar em US$ 4,4 bilhões.

Em suma, bancos e fundos estão, em tese, ganhando com a queda do dólar, enquanto o estrangeiro está perdendo dinheiro, ou “pagando a janta”, segundo jargão de mercado.

A avaliação sobre perdas e ganhos é sempre feita em tese, pois não sabemos a que preço a compra foi feita. Além disso, esses agentes podem ter posições em moeda estrangeira no mercado à vista e em derivativos de balcão. Bancos, por regra, não podem ter exposição cambial direcional. É uma medida prudencial.

O rabo que balança o cachorro

O mercado de câmbio no Brasil é um caso curioso, pois o são os derivativos que formam o preço do dólar à vista e não o contrário, como acontece nos demais mercados. É um caso de rabo que balança o cachorro. Isso decorre de uma série de limitações às operações com dólar físico por aqui que se contrapõem a exuberante estrutura e volume de negócios no mercado futuro, que está entre os maiores do mundo. Para dar uma ideia, a proporção é de um dólar negociado à vista para mais de dez no mercado futuro.

É na também na antiga BM&F que os investidores e empresas vão fazer a proteção de suas exposições em dólar, o famoso hedge. É lá que a mágica do câmbio acontece. E não por acaso é também no mercado futuro que o BC concentra suas atuações, quando necessárias, com os swaps cambiais.

Preço x fundamento

Para não dizer que não falei do fluxo, o resultado no ano ainda é positivo em R$ 18 bilhões. Essa “sobra” de dólares aliada a outros fatores estruturais, como reservas internacionais e pequeno déficit em conta corrente é que diferenciam o Brasil de outros emergentes como Argentina e Turquia, que sofreram com forte saída de moeda americana e tiveram de responder com uma disparada nas taxas de juros.

Dólar e o juro local

São esses fundamentos que também permitem ao Banco Central (BC) esperar o resultado das eleições e o aceno do eleito com relação às reformas antes de subir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 6,5% ao ano.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece em 31 de outubro. Ainda é cedo para tentar estimar como estará o câmbio até lá. Mas esse movimento de queda da máxima de R$ 4,2 para a linha de R$ 3,85 certamente tira pressão das projeções de inflação para 2019 e outros anos, facilitando o trabalho do BC de ancoragem de expectativas e projeções.

 

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

O melhor do Seu Dinheiro

A magia dos dados da Boa Vista, Arezzo, Hering e outros destaques do dia

No começo do ano, vazaram na internet dados de mais de 220 milhões de brasileiros, incluindo CPF, nome, endereço e renda. O número é maior que o da população brasileira porque o arquivo incluía pessoas que já faleceram. Mas não são apenas criminosos que espalham referências sobre quem somos por aí. Todos os dias nós […]

Esquenta dos Mercados

Exterior deve reagir bem à temporada de balanços, enquanto tensão em Brasília aumenta

Confira esses e outros destaques para a manhã desta quinta-feira (15)

novata na b3

Mater Dei segue com IPO, mas arrecada menos que o esperado

Momento conturbado do mercado e concorrência entre nomes de saúde fazem rede de hospitais mineira cortar preço por ação

DINHEIRO NO BOLSO

Em mais uma polêmica assembleia, acionistas da Petrobras aprovam pagamento de dividendos

Empresa vai pagar R$ 10,3 bilhões aos acionistas, depois que encontro chegou a ser adiado por decisão judicial

Entrevista exclusiva

Seis meses após IPO, Boa Vista mira crescimento com aquisições e cadastro positivo

Com o caixa reforçado pela oferta de ações, Boa Vista tem 20 alvos de aquisição no radar e deve fechar mais dois negócios em 2021, de acordo com CEO

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies