Diretoria do BC de Roberto Campos Neto vai tomando forma
Banco Central (BC) anuncia mudanças nas diretorias de Política Monetária e Organização do Sistema Financeiro

A diretoria do Banco Central do indicado à presidência da instituição, Roberto Campos Neto, vai tomando forma. Depois de anunciada a permanência de Carlos Viana, atual diretor de Política Econômica, o BC comunica duas novas alterações.
Como Roberto Campos Neto ainda precisa ser formalmente indicado, sabatinado e ter seu nome aprovado pelo Senado, as mudanças são anunciadas pelo atual presidente Ilan Goldfajn, que já avisou que seguirá no comando da instituição até a posse de Campos Neto, colaborando no processo de transição.
Em nota, o BC afirma que Ilan encaminhará ao presidente Michel Temer o pedido de exoneração do diretor Reinaldo Le Grazie, por razões pessoais. Depois de dois anos e meio à frente da diretoria de Política Monetária, Le Grazie deixará suas funções assim que o decreto presidencial for publicado.
Para seu lugar, a equipe de transição do governo Jair Bolsonaro anunciou Bruno Serra Fernandes, indicação que também terá de ser apreciada pelo Senado. Fernandes é economista formado pelo Ibmec, com mestrado em Economia pela USP. Fez carreira no sistema financeiro e atualmente é responsável no Itaú Unibanco pela mesa de renda fixa proprietária.
Entre as atribuições da diretoria de Política Monetária está o acompanhando dos mercados e a realização dos leilões de câmbio e operações compromissadas. A diretoria também está envolvida na modernização do sistema de pagamentos, como cartões e contas digitais.
Como Le Grazie deixa o cargo assim que o decreto for publicado será necessário um rearranjo temporário das diretorias. Assim, Carlos Viana deixa a área de Política Econômica e assume a diretoria de Política Monetária.
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O atual diretor de Assuntos Internacionais, Tiago Berriel, acumulará, também, a diretoria de Política Econômica. Assim que Bruno Serra Fernandes for aprovado, Berriel e Viana retornam a seus respectivos postos.
Também a pedido, o diretor Sidnei Corrêa Marques deixará suas funções, depois de oito anos à frente da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. A diretoria teve papel central na definição de limitações à compra de participação na XP Investimentos pelo Itaú e também é a responsável pelas liquidações de instituições problemáticas, como o banco Neon.
Marques seguirá na diretoria até que o Senado também aprecie a indicação de João Manoel Pinho de Mello, feita pela equipe de transição. Pinho de Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e professor titular do Insper. Ele é formado em administração pública, tem mestrado em economia pela PUC-Rio e PhD em economia pela Universidade de Stanford.
Pinho de Mello atuou intensamente ao lado do BC quando estava na secretaria de Promoção da Produtividade e Advocacia da Concorrência (Seprac) do Ministério das Fazenda, para aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) que substituiu a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pinho de Mello também defendeu a aprovação do cadastro positivo de crédito nas audiências públicas ao lado do BC entre outras medidas.
“Em nome do Banco Central, o presidente Ilan Goldfajn felicita os novos indicados Bruno Serra Fernandes e João Manoel de Pinho Mello e agradece aos diretores Reinaldo Le Grazie e Sidnei Corrêa Marques pelos relevantes serviços prestados ao Banco Central e, especialmente, à Diretoria Colegiada”, diz a nota do BC.
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