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Fernando Pivetti
Fernando Pivetti
Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter setorista de Banco Central no Poder360, em Brasília, redator no site EXAME e colaborou com o blog de investimentos Arena do Pavini.
Gigante aérea

Avianca Brasil entra com pedido de recuperação judicial e concorrentes disparam na bolsa

Pedido de R$ 50 milhões foi protocolado nesta terça-feira na Justiça de São Paulo

11 de dezembro de 2018
16:35 - atualizado às 16:03
Aeronave da Avianca
Dívida da companhia aérea chega a quase R$ 100 milhões - Imagem: Shutterstock

A Avianca Brasil será a mais nova integrante do time da recuperação judicial. A companhia aérea entrou nesta segunda-feira, 10, com um pedido de RJ na 1ª Vara Empresarial de São Paulo, no valor de R$ 50 milhões. A empresa contabiliza quase R$ 500 milhões em dívidas.

Segundo comunicado, uma nova lista de credores da aérea deve ser apresentada em cinco dias. O pedido de recuperação judicial já estava protocolado na Justiça desde o início do dia, mas sob sigilo.

Quem aproveitou para surfar na crista da onda foram as concorrentes Gol e Azul, que dispararam na bolsa após a divulgação das informações (13,04% e 6,51%, respectivamente).

Em maus lençóis

A recuperação judicial da Avianca só reafirma as dificuldades que a empresa vem enfrentando dentro do seu modelo de negócios. Na semana passada, a aérea foi alvo de diversas ações judiciais movidas por companhias que alugam aeronaves, e passou a conviver com a ameaças de ter que devolver alguns desses aviões. O motivo de tudo isso? Falta de pagamento do aluguel.

Toda essa situação acontece porque a Avianca Brasil viu seus negócios se expandirem rapidamente nos últimos anos, mas junto com esse "boom" vieram as dificuldades para pagar fornecedores e cumprir obrigações com concessionárias de aeroportos. A empresa citou a crise econômica, as variações cambiais e o preço dos combustíveis de aviação como os motivos para a fragilidade financeira.

De acordo com informações do Broadcast/Estadão, somente a dívida com os aeroportos brasileiros, incluindo públicos e privados, chega a quase R$ 100 milhões - só com o de Guarulhos são R$ 25 milhões. Nos últimos dias, no entanto, a companhia conseguiu pagar parte das dívidas.

A companhia está agora sob risco de ter suas atividades paralisadas, diante de dois pedidos de reintegração de posse de aeronaves pela Boc Aviation, da Irlanda, e da Infinity Transportation, e pela Constitution Aircraft Leasing, também Irlandesa. As três ações representam 30% de sua frota - ou o equivalente a 14 aeronaves. Os pedidos de reintegração podem levar à ANAC a exigir que a Avianca cesse emissão de passagens.

Vale lembrar que a aérea captou recentemente R$ 130,7 milhões com os bancos ABC, Daycoval, Safra e Fibra, com vencimentos entre 2018 e 2021, elevando para R$ 306 milhões o endividamento da companhia ao final do terceiro trimestre. No fim de 2017, estava em 194 milhões.

*Com Estadão Conteúdo.

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