Menu
Entrevista

‘Transição na Previdência vai ser suave’, diz Onyx Lorenzoni

Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, proposta com alternativas para a reforma foi apresentada a Bolsonaro na quinta-feira, e martelo sobre formato final deve ser batido em duas semanas

19 de janeiro de 2019
11:13 - atualizado às 12:47
Segundo Onyx Lorenzoni, proposta entregue ao presidente prevê capitalização. - Imagem: Roberto Jayme/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro deve optar por uma reforma da Previdência que estabeleça uma "transição bastante suave" para o trabalhador brasileiro e "sem um choque" para a sociedade. Quem faz a avaliação é o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que às vésperas da primeira viagem internacional do novo governo conversou com o jornal "O Estado de S. Paulo" sobre os planos do governo, a mensagem que o Planalto quer passar no Fórum Econômico Mundial, em Davos, além de explicar parte da estratégia internacional do País.

Bolsonaro e sua equipe embarcam para a Suíça amanhã, no que será seu batismo internacional em meio à elite financeira mundial. Davos já alertou: vai querer saber detalhes de como e quando a reforma da Previdência vai ocorrer.

Onyx não fará parte da delegação, mas aposta em uma definição final da reforma da Previdência assim que Bolsonaro retornar de Davos. Para ele, a Previdência hoje no Brasil é "um navio que está com o casco furado". A seguir, os principais trechos da entrevista.

Essa é a viagem inaugural de Bolsonaro. Que tipo de imagem o governo quer criar no exterior?

Primeiro, tem sido desde seu início um governo constitucional. O caminho, desde a proposta do plano de governo, é Estado de Direito. Rigorosamente dentro do que a Constituição prevê. O governo que tem uma relação franca e transparente com o Congresso, que respeita a repartição de poderes. Ou seja, é uma aliança liberal-conservadora. Liberal na política e conservadora nos costumes. O Brasil quer mudar de rumo. Sair da condução de centro-esquerda brasileira e latino-americana, buscando um caminho de conexão com um mundo que respeita a liberdade das pessoas, do empreendedor e que é o caminho que a maior parte dos países ocidentais encontrou para chegar à prosperidade.

Quais são as principais ideias da reforma da Previdência que serão mostradas em Davos?

Há duas questões importantes. A primeira é o presente. Temos a questão da repartição no Brasil, que se mostrou incapaz de dar tranquilidade e equilíbrio para o Estado brasileiro no atendimento de uma função tão importante como a Previdência pública. Se pudéssemos comparar, ela é um navio que está com o casco furado. Nós precisamos arrumar esse navio para que ele continue flutuando para ter capacidade de receber mais pessoas. Essa situação deve ser mantida pelos próximos anos para dar sustentação às gerações. Por outro lado, quando olhamos para nossos filhos e netos, não é justo colocá-los no mesmo barco que, mais cedo ou mais tarde, corre o risco de afundar. Por essa razão, já trabalhamos e já temos formatado um sistema de capitalização que vai dar tranquilidade para nossos filhos e netos, a conta individual para que possam saber quanto acumularam e ter uma expectativa de quanto vão ter no fim da carreira. Portanto, estamos trabalhando em duas vertentes: corrigir o atual sistema e criar um novo sistema que possa receber os nossos filhos.

O projeto já está pronto?

Foi apresentado para o presidente na quinta-feira. Ele vai levar as alternativas para Davos, até para fazer uma reflexão. Na volta, vamos voltar a conversar. Ele já vai ter definido algumas dúvidas que nós temos. Oferecemos várias alternativas. Ela vai sofrer uma cirurgia e, depois, teremos uma definição não neste, mas no próximo fim de semana.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

A aprovação da reforma no Congresso pode ocorrer ainda em 2019?

Trabalhamos com essa hipótese de resolver isso. É muito importante para todas as outras ações que vamos tomar para o investidor interno e externo. Essa é a garantia da previsibilidade. O equilíbrio fiscal só vai ser dado com a reforma da Previdência.

Nessas alternativas que o presidente vai avaliar? Haveria uma graduação nas idades de aposentadoria?

Essa é uma das alternativas que temos. O presidente defende que ela não seja um choque para a sociedade e, sim, respeitando os direitos adquiridos e construindo para frente uma transição bastante suave. Deve ser essa alternativa que ele vai escolher. Mas precisamos aguardar para poder fazer ajustes finais.

O governo manteve reuniões com a oposição venezuelana. Qual é a ideia agora? O Brasil pode adotar algum tipo de sanções?

O Brasil tem um projeto de acolhida e recebemos com muita solidariedade os irmãos venezuelanos. O presidente é uma pessoa de papo direto. Então, é claro que o Brasil não vai ficar em cima do muro vendo o sofrimento do povo venezuelano. Agora, o presidente não avançou ainda para tomar outras medidas que não sejam de solidariedade, da defesa dos princípios democráticos. O projeto oposto ao nosso nas eleições ia na direção da Venezuela. Agora, dependendo de como será a evolução dos próximos meses, pode não apenas ter gestos de apoio, mas pode adotar outras medidas.

Nessas opções, a militar está incluída?

De jeito nenhum. O Brasil já tem problema que chegue para arrumar problema fora do daqui.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Comentários
Leia também
Acima das expectativas

Localiza registra lucro líquido de R$ 181,4 milhões no 4º trimestre

Receita líquida consolidada no último trimestre do ano passado cresceu 24,9% ante o verificado um ano antes, para R$ 2,259 bilhões

Após Maduro fechar fronteira

EUA pressionam Brasil para garantir segurança na entrega de ajuda humanitária à Venezuela

Presidente venezuelano acusa os americanos de usarem os carregamentos como desculpa para tramar um golpe de Estado

Com venda de ativos

CSN quer captar R$ 5 bilhões até o fim do ano

Meta de captação é parte da estratégia de reduzir seu endividamento e de atingir a relação entre dívida e geração de caixa para 3 vezes

NA MIRA DO CADE

Disney deve abrir mão de “Fox Sports” para conseguir aprovação de compra da Fox pelo Cade

Venda foi a solução encontrada para resolver a principal preocupação do órgão em relação ao negócio já que a Disney é proprietária dos canais ESPN

Após tragédia de Brumadinho

Vale enfrenta 3ª ação coletiva nos EUA

Nova ação foi protocolada na Corte Distrital Sul de Nova York e foi movido por dois escritórios especializados neste tipo de processo: Pomerantz LLC e Bronstein, Gewirtz & Grossman

Vídeo

‘Hawkish’ vs. ‘Dovish’: o que falcões e pombos têm a ver com os bancos centrais (e com o seu bolso)

Você sabe o que significa dizer que um banqueiro central é mais hawkish ou mais dovish? Não, não estou falando de zoologia, mas de política monetária, e isso pode afetar o desempenho dos investimentos

A Bula do Mercado

Mercado mede riscos de tempo e diluição da Previdência

Ao investidor, cabe entender o quanto do conteúdo da proposta até a aprovação está embutido nos preços dos ativos

Temporada de balanços

Olha a Magalu aí gente! Magazine Luiza supera expectativa de analistas e registra lucro líquido anual de R$597,4 milhões em 2018

Nas estimativas dos analistas ouvidos pela Bloomberg, a previsão era de um lucro líquido de R$ 389 milhões no ano passado

E aí, CVM?

Gafisa ‘rasga’ estatuto para nomear 2 novos conselheiros em meio à atrapalhada troca de comando

Três conselheiros que sobraram dos 7 eleitos em outubro indicaram Oscar Segall e Augusto Cruz para compor quadro após renúncia de Mu Hak You e seu filho. 5 advogados societários consultados pelo Seu Dinheiro consideraram manobra irregular – o certo seria a convocação de assembléia de acionistas

Companhia de cosméticos

Natura supera previsões do 4º trimestre e fecha o ano com lucro líquido de R$ 548,4 milhões

Resultado do quarto trimestre foi impactado por um Ebitda superior e por despesas financeiras menores

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu