Menu
2019-04-05T10:44:19+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Análise

Maia e Guedes declaram guerra às “Fake News” sobre Previdência

De acordo com o presidente da Câmara, estratégia é não deixar que algumas corporações trabalhem com informações falsas

5 de fevereiro de 2019
19:29 - atualizado às 10:44
Rodrigo Maia e Paulo Guedes 05 02 19
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Eduardo Campos/SeuDinheiro

Tão ou até mais importante que definir idade mínima, regras de transição ou sistema de capitalização, aprovar uma reforma da Previdência passa por uma dura batalha de comunicação.

O deputado não vai votar um projeto se a percepção geral, mesmo que formada por “memes” e vídeos com continhas duvidosas no “YouTube”, trouxer a eterna e por vezes equivocada batalha de classes. Mentiras confortantes e ilustradas causam estragos, por vezes, irreparáveis.

Os detentores de “direitos adquiridos” e outros “justos privilégios” mostram enorme capacidade de usar os pobres como uma barreira para impedir mudanças nos sistemas de previdência e de tributos. É uma das facetas da “tirania do status quo”.

Por isso, o ponto que chamou atenção nas falas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi justamente a ênfase em combater informações falsas e descoladas da realidade, as famigeradas “Fake News”. E sabemos bem que a velocidade de propagação de uma informação é inversamente proporcional à sua veracidade.

Maia foi enfático ao dizer que o problema não é a reforma, mas sim “as mentiras que se falam sobre a reforma”. A estratégia, segundo o presidente da Câmara é não deixar que algumas corporações, de entes públicos notadamente, trabalhem com informações falsas.

“Nosso problema no debate da previdência no governo Michel Temer foram as falsas informações que algumas categorias levaram à sociedade”, disse.

De acordo com Maia, se o brasileiro soubesse que o trabalhador que se aposenta com um salário mínimo, aos 65 anos, pois não conseguiu cumprir o prazo de 15 anos de contribuição, financia a aposentadoria de quem se aposenta com 55 anos e ganhando mais, talvez o Brasil tivesse uma crise de relacionamento, “quase uma guerra civil”.

“Se os brasileiros tivessem a informação correta de que é o pobre que paga a aposentadoria dos que ganham mais, talvez os brasileiros entrassem em processo de muita revolta”, disse.

Segundo Maia, aquele que está se aposentando mais cedo e com maior salário vai para imprensa dizer que é o trabalhador que ganha salário mínimo que será prejudicado. De acordo com ele, a proposta não tira nada dos que ganham menos e organiza para os que ganham mais.

Vimos essa batalha de desinformação acontecer em vídeos e campanhas de corporações ao longo do governo Michel Temer e essa campanha de desinformação já volta a se articular.

“Temos mais experiência, hoje, e não vamos deixar que algumas corporações tratem a reforma com falsas verdades. Vamos tratar dela com a verdade. Se tratarmos com as verdades, vamos ganhar essa batalha”, disse Maia.

Para Maia, o vazamento de um desenho da proposta da reforma, na segunda-feira, já é o início do trabalho para desorganizar a votação do projeto. Guedes também atacou o vazamento.

“Quando o brasileiro souber que o maior sistema de transferência de renda do mundo é a Previdência brasileira, vamos ter o apoio da sociedade”, afirmou Maia.

Guedes voltou a falar que a Previdência brasileira tem sido uma fábrica de desigualdades, perpetuando privilégios e acentuando diferenças e desigualdades sociais. O que se busca, segundo o ministro, é uma reforma que “atenue”, que “reduza” isso.

Segundo Guedes, é preciso difundir que a reforma é “virtuosa” e não cair na “armadilha corporativista dos que se beneficiam com isso, daqueles que vazam e tentam atacar o tempo inteiro”.

Aposta

Segundo Maia, a reforma é essencial para o equilíbrio das contas públicas e o governo tem de chegar a um modelo que garanta um impacto fiscal capaz de garantir a redução ou estabilização da relação dívida/PIB no curto prazo.

"Eu aposto com vocês que se a gente aprovar a Previdência, o Brasil vai crescer nos 12 meses seguintes mais de 6%", disse Maia.

A projeção é do próprio presidente da Câmara que disse ter certeza de que "pelo PIB potencial que o Brasil tem hoje, vamos crescer mais de 6% [taxa anualizada] nos 12 meses seguintes" à aprovação.

"Aposto muito que a reforma vai tirar muitos brasileiros do desemprego, do desalento e da pobreza, porque ela vai garantir o equilíbrio fiscal de longo prazo", disse.

Chamando a responsabilidade

Maia disse que a proposta do governo é muito boa e que ele não precisa do texto final para entender o escopo da reforma. "Quando chegar na Câmara, a responsabilidade será minha", disse.

Antes disso, ele já tinha dito que "estou aqui para ajudar o ministro Paulo Guedes", que é um "grande economista",  que tem "orgulho de tê-lo" como ministro da economia e que vai "ajudar como presidente da Câmara".

Segundo Maia, a base de apoio do governo está em discussão, mas ela pode chegar a 350 deputados. Para Maia, o problema não é o tempo de tramitação ou se a proposta de Temer, que já está na Câmara, será usada. "O que temos de garantir é voto."

Com relação ao prazo de votação, Maia fez uma suposição. Se a Câmara trabalhar com o mês de maio como limite, o Senado pode voltar já em junho, pois o ritmo de tramitação é mais curto por lá. Para Maia, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, é um "liberal" e membro do Democratas (DEM) e não há dúvida que Alcolumbre vai defender a aprovação da reforma também.

Economia de trilhão

Segundo Guedes, assim que o presidente Jair Bolsonaro retornar a Brasília, serão apresentadas duas ou três versos diferentes de reformas que já estão com simulações feitas. Dependendo do cenário, a economia pode ser de R$ 1 trilhão ao longo de dez anos.

O desafio, segundo o ministro da Economia, não é só salvar a Previdência antiga, mas impedir e livrar as gerações futuras desse mecanismo atual e perverso de transferência de renda, "desse sistema que piora a desigualdade e destrói empregos em massa".

Ainda de acordo com Guedes, teremos um novo regime previdenciário e trabalhista. Na campanha, o programa defendido por Guedes e Bolsonaro falava na criação de um carteira de trabalho "verde e amarela", que seria ofertada aos novos entrantes no mercado de trabalho, atrelado à redução de impostos para as empresas, e sistema de capitalização na aposentaria. Sobre esse regime de contas individuais de previdência, Guedes disse que será um "segundo capítulo".

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Seu Dinheiro na sua noite

A vida depois da reforma da Previdência

Por 60 votos a 19, o Senado aprovou na noite de hoje o texto-base da reforma da Previdência em segundo turno. Confesso que em alguns momentos ao longo dessa longa jornada cheguei a duvidar desse resultado. De Lula a Bolsonaro, o projeto atravessou governos de todos os espectros ideológicos. A definição da idade mínima para […]

Tá quase acabando

Senado aprova reforma da Previdência por 60 votos a 19

Votado o texto principal, senadores avaliaram dois dos quatro destaques apresentados. Votação será retomada na quarta-feira

Menos de um mês de operação

Aérea ultra low cost Flybondi aumenta número de voos para Florianópolis e Rio

Adepta do modelo de negócios ultra low cost, a empresa realizou seu voo inaugural ao País, na rota Buenos Aires-Rio, em 11 de outubro

Água no chope

Doria diz que não apoiará Joice Hasselmann para a prefeitura de SP: “meu candidato é Bruno Covas”

Governador paulista se esquivou em relação às discussões sobre 2022. Para o tucano, “não é hora de debater eleição”

Último gás

Alcolumbre inicia ordem do dia no Senado que inclui votação da reforma da Previdência

Essa é a última etapa antes da promulgação da reforma, oito meses após a chegada do texto ao Congresso Nacional

Dinheiro na mão

CMO aprova projeto de lei que abre crédito para União pagar cessão onerosa à Petrobras

Projeto define em R$ 34,6 bilhões os valores relativos ao pagamento da Petrobras

E a crise continua

Ex-líder do PSL, delegado Waldir diz que Bolsonaro é covarde e se dobra a generais em reforma da Previdência dos militares

Praças estão revoltados com as mudanças porque há a previsão de um reajuste maior para as patentes mais altas

Mudanças no radar

Governo apresentará 3 propostas do pacto federativo no dia 29, diz líder do governo no Senado

A expectativa do senador Fernando Bezerra Coelho é que as três medidas sejam aprovadas no Senado ainda em 2019

De futebol a basquete

Os 10 maiores bilionários norte-americanos que possuem seu próprio clube esportivo

O dinheiro pode comprar muitas coisas, incluindo uma equipe inteira. Confira a lista dos mais ricos e aficionados por esportes

o esperado dia

Reforma da Previdência tem 99% de chance de ser aprovada como está, diz relator do projeto

Tasso Jereissati falou após aprovação por votação simbólica do projeto na CCJ do Senado; ele disse que espera texto em segundo turno na Casa ainda hoje

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements