Menu
2019-08-30T12:05:11+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
alívio

Gasto com juro da dívida é o menor desde 2014

Redução no pagamento de juro acontece mesmo com dívida beirando 80% do PIB. Selic e inflação explicam

30 de agosto de 2019
11:49 - atualizado às 12:05
nota de dinheiro de 100 reais na mesa
Imagem: shutterstock

Ontem, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, chamou atenção para a expressiva redução nos gastos do governo com o pagamento de juros, mesmo com uma dívida que não para de crescer. Hoje, os dados do Banco Central (BC) ajudam a ilustrar essa história.

Vamos olhar os dados em 12 meses, que reduzem oscilações pontuais. Considerando o período encerrado em julho, o pagamento de juros equivale a 5,12% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 360 bilhões. Menor gasto desde novembro de 2014, quando o pagamento foi de 5% do produto.

Agora vamos aos números da dívida bruta. Em julho deste ano, a dívida foi equivalente a 79% do PIB, ou R$ 5,54 trilhões, contra 56% em novembro de 2014. O endividamento bruto não é ainda maior em função das devoluções dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os pagamentos feitos até maio de 2019 somam R$ 339 bilhões.

O que explica um pagamento de juro semelhante para um estoque de dívida que subiu em impressionantes 23 pontos do PIB ou R$ 2,4 trilhões é o comportamento da inflação e da taxa de juros no período. Esses são os principais indexadores da dívida. Temos inflação abaixo de 4% e juro na mínima histórica de 6%.

Vale a pena dar uma olhada nos números entre novembro de 2014 e julho de 2019. Chegamos a gastar 9% do PIB com juros, algo como R$ 540 bilhões, patamar de gastos visto apenas em países em guerra ou com graves problemas estruturais. Naquele período vínhamos de uma inflação de dois dígitos e Selic de 14,25%. Também tivemos um gasto elevado com swaps, que foi revertido nos anos posteriores.

Para dar uma ideia, vejamos a sensibilidade da dívida bruta à inflação e Selic, atualizadas hoje pelo BC. A cada variação de 1 ponto percentual da Selic, mantida por 12 meses, o impacto é de 0,43 ponto do PIB, ou R$ 30,4 bilhões. Já cada variação de 1 ponto percentual dos índices de preços, mantidos por 12 meses, tem impacto de 0,14 ponto do PIB, ou R$ 10,1 bilhões.

Taxas implícitas

Outra forma de olhar para esse custo de carregar uma montanha crescente de dívida é acompanhar as taxas de juros implícitas da dívida bruta e da dívida líquida. A taxa implícita é um agregado dos diferentes ativos e passivos que incidem sobre o estoque do que devemos na praça.

A taxa implícita da dívida bruta fechou julho em 7,9%, menor da série histórica disponibilizada pelo BC, que começa em 2007. Esse custo chegou a 13,6% em meados de 2016.

Já a taxa implícita da dívida líquida (que desconta as reservas internacionais) fechou julho em 10,2%, também menor leitura da série iniciada em 2002. Para dar uma dimensão do alívio dos últimos anos, em janeiro de 2016, essa taxa estava em 32%.

Sem superávit, sem grau de investimento

Basicamente, a dívida cresce pois não conseguimos fazer superávit primário, que são as receitas menos as despesas, sem considerar a conta de juros. Vamos fechar o sexto ano consecutivo com um buraco nas contas e as projeções do Tesouro são de que isso vai continuar acontecendo até 2022.

Não por acaso, as projeções também são de elevação da relação dívida bruta sobre o PIB para cima dos 80% até 2022, isso já considerando o impacto da reforma da Previdência.

Embora as condições financeiras e indicadores de risco sugiram que o Brasil “tem preço” de um país com grau de investimento é essa trajetória do endividamento público que pode impedir o país de retomar o selo de bom pagador perdido em 2015

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Olho na Vale

Polícia apresentará em breve acusações criminais por Brumadinho, diz fonte

Autoridades devem acusar formalmente entre oito e 12 pessoas pelo crime de falsa representação na primeira de uma série de acusações

Seu Dinheiro na sua noite

Sobre a bolsa, datas e fatos relevantes

No dia 17 de setembro de 2010, o Ibovespa fechou aos 67.089 pontos, em queda de 0,85%. Me arrisco a dizer que nada muito digno de nota tenha acontecido nesse pregão específico da bolsa. Mas para mim ocorreu um fato mais do que relevante: o nascimento da minha filha mais nova. Voltei à redação dias […]

Fica pra próxima

Sem acordo, senadores recuam em projeto que beneficiaria partidos

Relator da proposta no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), retirou todos os demais trechos do texto em uma nova versão de seu parecer

Linha VIP

Bradesco e Itaú preparam crédito imobiliário ajustado pelo IPCA para endinheirado

Bancos privados correm atrás da concorrente Caixa Econômica Federal, que ofereceu a modalidade para o público em geral

Grana solta

Onyx anuncia liberação de R$ 8,3 bilhões em recursos do Orçamento

Informações do ministro mostram que, do total desbloqueado, R$ 1,9 bilhão ficará para a Educação

De olho nas cotações

Preocupações com a alta do petróleo diminuem após declarações de ministro saudita

O ministro de Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, afirmou que a oferta do petróleo voltou ao nível visto antes do ataque

Leilão em outubro

17 empresas se inscrevem para 16ª rodada de petróleo, diz ANP

Entre as inscritas, 15 são estrangeiras. Na 16ª Rodada de Licitações, vão ser oferecidos 36 blocos de pós-sal

De olho nos bons modelos

Por que Elon Musk acha que a Tesla tem que ser mais parecida com a Amazon?

Em uma ligação, Musk sugeriu que a Amazon não sobreviveria se utilizasse um modelo de entregas similar ao que a Tesla utiliza

boas novas

Desde lançamento, 20% dos financiamentos pela Caixa foram IPCA, diz CEO da Tecnisa

Linha de crédito atualizada pela inflação vale para imóveis residenciais enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e no Sistema Financeiro Imobiliários (SFI)

Dicas valiosas

5 coisas que os ultrarricos estão fazendo (e que você deveria fazer) para proteger seu patrimônio

Pauta de uma recessão financeira entrou de vez na lista de grandes especialistas e proteger o seu patrimônio deve ser uma de suas prioridades

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements