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Gastos e redução das receitas levarão a dívida, já alta, para patamares acima de 120% do PIB norte-americano no ano que vem, muito superior à média de outros países com a classificação AA
O Brasil não é o único país com um problema fiscal. A Fitch Ratings alertou nesta quinta-feira, 30, que a nota de crédito dos Estados Unidos enfrenta os desafios de um "déficit em expansão", o que deixa o peso da dívida do país "muito acima" do de outras nações que compartilham sua classificação AA.
"Uma deterioração da posição fiscal dos EUA é provável neste ano devido a cortes de impostos previstos no One Big Beautiful Bill Act, apesar de compensações com receitas de tarifas", informou a agência de classificação de risco em relatório.
A agência rebaixou os EUA em agosto de 2023 em um nível, para AA+, citando preocupações com disputas políticas em torno do teto da dívida que levaram o país à beira de um calote.
Segundo a agência, isso ressalta a importância das eleições legislativas de meio de mandato do Congresso em novembro.
"As mid-terms podem proporcionar freios e contrapesos adicionais aos poderes do Executivo se os democratas conquistarem o controle de uma ou de ambas as Casas do Congresso", diz a instituição. "No entanto, um governo dividido pode dificultar a negociação de pacotes fiscais e aumentar os riscos de impasses, inclusive sobre o teto da dívida", observou.
A Fitch prevê um déficit do governo geral de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e no próximo, e destaca a incerteza das receitas tarifárias e o apelo do presidente americano Donald Trump por maiores gastos com defesa.
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A agência reduziu sua estimativa de receita com tarifas, líquida de reembolsos, para US$ 150 bilhões em 2026, depois que a Suprema Corte derrubou em fevereiro as tarifas impostas pela gestão Trump.
As pressões de gastos relacionadas ao envelhecimento estão aumentando, e os fundos de seguridade social e do Medicare devem se esgotar na próxima década, segundo projeções. Além disso, "a guerra com o Irã aumentou as incertezas econômicas, embora o crescimento dos EUA tenha se mostrado resiliente até agora", diz a Fitch.
Esses gastos levarão a dívida, já alta, para patamares acima de 120% do PIB norte-americano no ano que vem, muito superior à média de outros países com a classificação AA.
Ainda assim, a Fitch afirmou que os pontos fortes para a nota de crédito dos EUA incluem o papel do dólar como moeda de reserva global, uma economia grande e dinâmica e a profundidade e a liquidez dos mercados de capitais.
Com Estadão Conteúdo
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