Menu
2019-10-14T14:09:56-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Guerra comercial em foco

Bolsas americanas caem forte, mas Ibovespa resiste e recua “apenas” 0,65%

Os mercados globais tiveram um dia de estresse intenso. As tensões comerciais entre EUA e China impactaram fortemente as bolsas americanas, embora o Ibovespa tenha conseguido reduzir as perdas durante a tarde

7 de maio de 2019
10:30 - atualizado às 14:09
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa chegou a cair mais de 2%, mas reduziu as perdas na segunda metade do pregão - Imagem: Seu Dinheiro

A guerra comercial segue mexendo com os nervos dos mercados globais. E, desta vez, as bolsas americanas foram as mais afetadas pela escalada na tensão entre os Estados Unidos e a China — o Ibovespa também foi pressionado, mas conseguiu reduzir as perdas ao longo da tarde.

Lá fora, os mercados acionários de Nova York chegaram a cair mais de 2% no meio da tarde. Ao fim do dia, recuperaram parte das perdas, mas ainda encerraram a sessão em queda firme: o Dow Jones teve baixa de 1,79%, o S&P 500 recuou 1,65% e o Nasdaq fechou com perda de 1,96%.

Nesse contexto, o Ibovespa até conseguiu se segurar bem, terminando o dia com queda de 0,65%, aos 94.388,73 pontos — na mínima, chegou a cair 2,38%, aos 92.749,70 pontos. O dólar à vista teve alta de 0,29%, a R$ 3,9694, após tocar exatamente R$ 4,00 na máxima intradiária (+1,06%).

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

É preciso fazer uma rápida retrospectiva para entender o comportamento das bolsas americanas nesta terça-feira. No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou via Twitter que aumentaria a taxação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, de 10% para 25%, até a sexta-feira (10).

A declaração de Trump, poucos dias antes da visita de uma delegação chinesa a Washington para dar continuidade às negociações comerciais entre os dois países, trouxe incômodo aos mercados, mas essa preocupação foi gradualmente absorvida. A percepção era a de que tratava-se de uma bravata do presidente americano, tentando ganhar vantagem num possível acordo comercial.

Tanto é que as bolsas americanas tiveram perdas relativamente limitadas na segunda-feira, fechando com baixas inferiores a 0,5% — o Ibovespa, por outro lado, caiu 1,04% na última sessão.

O problema é que, após o fechamento dos mercados, o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, confirmou a elevação nas tarifas aos produtos chineses, citando uma "erosão nos compromissos" já firmados pelo país asiático. E a oficialização dessa postura pelo governo americano pegou o mercado de surpresa.

"Com a queda toda lá de fora, até que aqui dentro foi tranquilo", disse um operador, destacando a tensão comercial envolvendo americanos e chineses. "Aqui dentro tem notícias ruins, mas o que mais fez preço foi o exterior".

Nem mesmo a confirmação de que a delegação chinesa ainda irá a Washington na quinta-fera (9) para dar continuidade às negociações entre as partes serviu para diminuir a cautela global. Para Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos, essa notícia até trouxe algum alívio às negociações, mas não colocou "panos quentes" em definitivo.

Afinal, mesmo num cenário em que os governos americano e chinês cheguem a algum tipo de acordo comercial, o mercado já mostra dúvidas quanto à amplitude desse acerto — adicionando mais uma camada de incerteza ao já frac crescimento da economia global.

Política em foco

Mas os mercados brasileiros também tiveram outros fatores de influência ao longo do dia, com destaque para o noticiário político. Após o recesso da semana passada, Brasília voltou a atrair olhares nesta terça-feira, com o início das atividades da comissão especial da Câmara que irá analisar a reforma da Previdência

No entanto, Cândido, da Guide, ressalta que o mercado está apreensivo em relação a colegiado, uma vez que essa é a etapa em que o texto da reforma poderá sofrer as alterações mais profundas. E o noticiário político dá combustível para essa preocupação.

Nesta manhã o presidente do colegiado, Marcelo Ramos (PR-AM) voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro. No Twitter, Ramos disse que um presidente precisa ter "noção de prioridade" — o deputado ainda criticou os esforços empreendidos por Bolsonaro para defender Olavo de Carvalho, que segue atacando o núcleo militar do governo.

Dólar perde força

O dólar à vista chegou a encostar no nível de R$ 4,00, mas perdeu força durante a tarde, encerrando na faixa de R$ 3,97. E essa perda de força ocorreu em linha com o movimento visto no exterior, conforme destaca Cleber Alessie, da H. Commcor.

Lá fora, a moeda americana abriu o dia ganhando terreno ante quase todas as divisas emergentes, como o peso mexicano, o peso colombiano e o peso chileno. Mas esse movimento perdeu intensidade ao longo da tarde — e o real foi na esteira dos pares globais.

Já as curvas de juros seguiram relativamente comportadas, sem mostrar grande conexão com o desempenho o dólar — o Copom inicia hoje a reunião para definir a taxa Selic, e não há perspectiva de elevações nos juros nos próximos meses.

Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2020 ficaram estáveis em 6,44%, assim como os DIs para janeiro de 2021, em 7,04%. Na ponta longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 avançaram de 8,15% para 8,18%, e os DIs para janeiro de 2025 subiram de 8,68% para 8,70%.

"Não existe expectativa de aumento nos juros pelo Copom", diz Alessie, lembrando dos dados fracos de atividade econômica e dos sucessivos cortes nas projeções de crescimento do PIB no boletim Focus. "Em termos de Selic, o mercado está baixista ou aposta em manutenção".

Balanço forte

Num dia negativo para o Ibovespa, as ações ON da BR Distribuidora (BRDT3) avançaram 3,5% e tiveram o terceiro melhor desempenho do índice, com o mercado recebendo bem os resultados trimestrais da companhia.

A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 477 milhões, uma alta de 93,1% em comparação com o mesmo período do ano passado, ajudada pelo reconhecimento de dívidas de distribuidoras e ex-distribuidoras de energia da Eletrobras.

Ambev vai mal

Na ponta oposta do índice, chamou a atenção o mau desempenho dos papéis ON da Ambev (ABEV3) (-2,27%). Nesta manhã, a fabricante de bebidas reportou alta de 6,2% em seu lucro líquido na mesma base de comparação, para R$ 2,749 bilhões.

Em relatório, o BTG Pactual destacou o crescimento "sólido" no volume de vendas consolidadas da Ambev, de 6,1% na base anual, mas ressalta que o tradeoff entre o volume e os preços no segmento de cerveja no Brasil é "enigmático".

Magalu em queda

O Magazine Luiza registrou lucro líquido de R$ 132,1 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 10% menor que o mesmo período de 2018 — os números ficaram em linha com a média das expectativas de analistas consultados pela Bloomberg.

No entanto, as ações ON da empresa (MGLU3) caíram 4,03%. Para o Bradesco BBI, os resultados da empresa no trimestre foram sólidos e superaram as expectativas. "Apesar da queda na margem Ebitda, o fato de a contração ter sido menor que a esperada suaviza as potenciais preocupações quanto à rentabilidade no curto prazo, uma vez que os custos permanecem firmemente sob controle".

E a BB Seguridade?

A holding que concentra os negócios de seguros do Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,01 bilhão entre janeiro e março deste ano, um crescimento de 11,7% em um ano. As ações ON da empresa (BBSE3), contudo, tiveram queda de 3,3%.

Em relatório, o Itaú BBA destaca que o lucro líquido ficou acima do esperado, mas ressalta que diversos "eventos atípicos" afetaram os resultados — excluindo tais efeitos, o lucro da BB Seguridade teria avançado apenas 3% na base anual.

Pressão no petróleo

A tensão global em relação às negociações EUA-China também afetam o mercado de commodities, com o petróleo Brent (-1,9%) e WTI (-1,36%) fechando em queda. E, como resultado, as ações da Petrobras acabam sendo impactadas: os papéis ON da estatal (PETR3) caíram 1,08%, enquanto os PN (PETR4) recuaram 1,57%.

Hapvida chega ao Sudeste

Fora do Ibovespa, destaque para as ações ON da Hapvida (HAPV3), que fecharam em alta de 7,06% após a empresa confirmar a compra do Grupo São Francisco, por R$ 5 bilhões.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

INVESTIMENTOS

Suzano anuncia investimentos de R$ 4,4 bilhões em 2020

Além disso, a Suzano vai investir mais R$ 400 milhões em aquisição e/ou formação de terras e florestas

acordo EUA x CHINA

Casa Branca sinaliza que assinará acordo comercial limitado entre EUA e China

Trump se reuniu com importantes assessores econômicos e comerciais por uma hora nesta quinta-feira. A fonte disse que o acordo pode ser confirmado já nesta sexta-feira

INVESTIMENTOS

Para Freitas, decisão da S&P é “excelente” para atrair investimentos

O ministro prevê que a melhora de perspectiva para o Brasil pelas agências de rating vai impulsionar investimentos para as mais de 40 concessões que pretende vender em leilões em 2020

seu dinheiro na sua noite

Café com gosto amargo para a B3

Estive na manhã de hoje em um evento promovido pela bolsa brasileira B3 com advogados, representantes de bancos e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a xerife do mercado de capitais brasileiro. Com o Ibovespa alcançando mais um recorde hoje, em meio a um volume histórico de ofertas de ações realizadas no mercado brasileiro, 2019 […]

112.199,74 pontos

Copom, S&P e Trump dão força ao mercado e fazem o Ibovespa quebrar novos recordes

Impulsionado pelo corte na Selic, pela visão otimista da S&P em relação ao Brasil e pela perspectiva de acerto entre EUA e China, o Ibovespa rompeu o nível dos 112 mil pontos pela primeira vez

PROBLEMAS NO BALANÇO

Via Varejo confirma fraude contábil, com impacto de até R$ 1,4 bilhão no resultado do 4º trimestre

Segundo o documento, houve manipulação da provisão trabalhista da companhia e diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos

RECOMENDAÇÃO

UBS eleva ações da Localiza para compra e inicia cobertura de Unidas e Movida como neutra

O UBS também aumentou o preço-alvo dos papéis ordinários da empresa para R$ 56, ante R$ 47,80, o que representaria uma alta de quase 23% em relação ao fechamento do pregão da última terça-feira

Altas e baixas

Sabesp, MRV e varejistas: os destaques da bolsa nesta quinta-feira

As ações da MRV e das varejistas aparecem entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira, enquanto os papéis da Sabesp têm o pior desempenho do dia

Elevando as recomendações

Varejo em foco: o Credit Suisse está otimista com as ações da B2W e das Lojas Americanas

O Credit Suisse elevou as recomendações e preços-alvo para as ações da B2W e Lojas Americanas, citando perspectivas mais favoráveis para ambas as empresas no futuro

COM MENOS DÍVIDAS

CSN espera reduzir endividamento em quase R$ 8 bilhões

De acordo com Ribeiro, as principais medidas serão o pagamento mínimo de dividendos e a venda de ativos como a subsidiária da CSN na Alemanha. “Estamos em um processo bastante avançado de venda”, afirmou

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements