Menu
2019-10-29T07:59:55+00:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
entrevista

‘Brasil está 20 anos atrasado nas reformas’, diz ex-presidente do BC, Gustavo Franco

Na avaliação do sócio da Rio Bravo Investimentos, situação é culpa “exclusivamente nossa”, independentemente dos diferentes cenários da economia global

29 de outubro de 2019
7:59
gustavo-franco
Gustavo Franco - Imagem: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

O Brasil está há pelo menos duas ou três décadas atrasado na agenda de reformas econômicas, e isso por culpa "exclusivamente nossa", independentemente dos diferentes cenários da economia global, na avaliação do ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco.

Para ele, embora a aprovação dos ajustes nas regras da Previdência seja importante e a agenda de modernização proposta pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes esteja na "direção correta", a "intensidade" não é boa, principalmente por falta de apoio do presidente Jair Bolsonaro. A consequência de seguir atrasado na agenda de reformas é que o Brasil continuará para trás na trilha do crescimento econômico.

O ex-presidente do BC participará do painel Economia e poder, no Estadão Summit, nesta quarta-feira, 30. Leia os principais trechos da entrevista.

As turbulências na economia global, com destaque para a disputa comercial entre China e EUA, dificultam o avanço das reformas no Brasil?
Talvez seja até mais fácil. Com todas as incertezas no quadro internacional, ele continua sendo benigno. Não dá para dizer que tenha alguma tempestade no caminho. Tem noticiário, mas não quer dizer que tenha crise ou tempestade. O problema que temos são 20 ou 30 anos de atraso em avançar com a agenda de reformas. Isso é culpa nossa, não é culpa de ninguém. A nossa própria incompetência em fazer reformas modernizadoras nos mantém numa situação de certa mediocridade econômica, nos faz ficar num nível de renda per capita estagnado em relação ao Primeiro Mundo.

Como o sr. está vendo a atual agenda de reformas do governo?
A direção é correta, mas a intensidade não é. O presidente da República não foi eleito com essa bandeira das reformas. Ele foi eleito com outras bandeiras. Ele assumiu as bandeiras das reformas pró-mercado, liberais, trazendo para dentro o (ministro da Economia) Paulo Guedes, num segundo momento. Não foi por causa disso que ele ganhou. Por isso, essa agenda não é para o presidente tão prioritária quanto outras coisas que parecem mais próximas dele.

Atrasar mais a agenda de reformas amplia o círculo vicioso?
Estamos fazendo agora reformas que deveríamos ter feito 20 ou 30 anos atrás. Já deveríamos estar na terceira ou quarta gerações de reformas nesses mesmos temas: Previdência, tributária, trabalhista. Nem conseguimos começar direito a trabalhista e a abertura (comercial). O Brasil continua hoje uma economia tão fechada quanto era nos anos 80. E ainda há vozes falando sobre o gradualismo da abertura. É inacreditável. O Brasil é o país da procrastinação. Estamos estagnados há quase quatro décadas. Desse jeito, vamos reproduzir, no século 21, o que foi o século 20 da Argentina, que recuou para o século 19. É triste, mas a nossa timidez em atacar as reformas econômicas tem um prejuízo de longo prazo horrível.

O governo não foi protagonista da articulação política para a aprovação das reformas. Qual o risco disso?
Diferentes presidentes têm diferentes estilos de relacionamento com o Legislativo. Este presidente em particular optou por ter um relacionamento mais distante, ele não tem uma base parlamentar e tem um relacionamento diferente com os líderes do Congresso. Não sou do ramo para opinar se esse é o melhor sistema. A questão é em que medida é prioridade para este presidente a reforma econômica que está na cabeça do ministro Paulo Guedes e que muita gente no Brasil gostaria de ver acontecer. O ambiente é muito mais hospitaleiro, as pessoas querem reforma. Passamos a reforma da Previdência sem que o presidente da República tivesse de se empenhar pessoalmente nisso. É extraordinário. Os outros governos todos tiveram enormes dificuldades com esse tema em particular. Passou neste governo que parecia nem tão empenhado e interessado, com exceção das pessoas da área econômica.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo 

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Agora vai?

Declarações de autoridades dos EUA mostram otimismo nas negociações com a China

O tom mais ameno assumido por duas autoridades dos EUA em relação às conversas com a China renova a esperança dos mercados quanto ao fechamento de um acordo

Siga o mestre

Warren Buffett fez novas apostas na bolsa e vendeu parte de suas ações da Apple

Um frenesi toma conta dos mercados americanos nesta sexta-feira: o lendário Warren Buffett comprou ações de duas empresas — o que faz esses papéis dispararem hoje

Feriado? Que feriado?

Os mercados estão abertos lá fora — e as bolsas dos EUA estão nas máximas

Uma sinalização animadora das autoridades americanas quanto às negociações com a China dá força aos mercados globais nesta sexta-feira

Sem crise

Sabesp tem lucro líquido de R$ 1,209 bilhão no 3º trimestre, alta de 113,9%

A Sabesp reportou forte expansão no lucro líquido e no Ebitda no terceiro trimestre deste ano, impulsionada pelo início das operações em Santo André e Guarulhos

Más notícias

A Braskem fechou o trimestre no vermelho e viu sua receita cair 18% em um ano

Empresa cujas ações têm o pior desempenho do Ibovespa no ano, a Braskem reportou um prejuízo líquido de mais de R$ 800 milhões no terceiro trimestre

Vídeo

Como levar a inflação em conta na hora de investir

Ela pode corroer a sua rentabilidade! Saiba por que você deve tomar cuidado com a inflação na hora de investir, até mesmo quando ela está baixa

O vai e vem dos mercados

Bolsas de Nova York fecham sem direção única, com S&P 500 em patamar recorde de fechamento

O índice Dow Jones fechou estável, em 27.784,61 pontos, o Nasdaq teve leve recuo de 0,04%, a 8.479,02 pontos, e o S&P 500 subiu 0,09%, a 3.096,82 pontos

Seu Dinheiro na sua noite

Show dos atrasados

Uma importante tradição da internet brasileira foi quebrada neste ano. Estou falando do #ShowDosAtrasados do Enem. As imagens de pessoas desesperadas chegando para a prova depois do horário simplesmente não aconteceram. Mas, no mercado financeiro, os atrasados de sempre não decepcionaram. Que o diga a agência de classificação de risco Fitch, que decidiu hoje manter […]

Investimento em ação

Petrobras inicia produção de petróleo e gás natural na plataforma P-68

Plataforma, do tipo FPSO, está localizada a aproximadamente 230 km da costa do Estado do Rio de Janeiro

220% do PIB

Dívida de países emergentes vai a US$ 71,4 trilhões e tem novo recorde histórico

Dados do IIF mostram que Chile, Coreia do Sul e Argentina foram os mercados onde os passivos mais aumentaram na comparação ano a ano

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements