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Para os que não me conhecem, trabalhei na linha de frente dos mercados financeiros nacional e internacional ao longo de 37 anos. Publiquei 17 livros, por intermédio de várias editoras. O mais bem-sucedido deles, “Os mercadores da noite”, é ambientado em Wall Street
Desde o início de de 2017 escrevo a newsletter Os mercadores da noite, publicada todas as semanas pela Inversa Publicações, empresa de conteúdo da Acta Holding, ligada aos sites O Antagonista e Empiricus, além de outros.
Até agora foram 128 crônicas, lidas por dezenas de milhares de leitores. A partir de hoje, alguns desses textos serão compartilhados aqui no Seu Dinheiro.
Para os que não me conhecem, trabalhei na linha de frente dos mercados financeiros nacional e internacional ao longo de 37 anos, entre 1958 e 1995. A partir de então tornei-me escritor. Publiquei 17 livros, por intermédio de várias editoras. O mais bem-sucedido deles, Os mercadores da noite, é ambientado em Wall Street.
Dentro do tema “mundo das finanças”, além de Os mercadores... escrevi Rapina e Armadilha para Mkamba, sendo os três obras de ficção. No plano da realidade, lancei 1929, que conta a história do crash da Bolsa de Valores de Nova York, ocorrido naquele ano, e de suas consequências, além de O Terceiro Templo, uma narrativa do eterno conflito entre árabes e israelenses e suas consequências no mercado internacional de petróleo.
Meu 17º e último livro tem o título de 10 crônicas de um trader. Foi lançado em e-book pela Inversa.
Em meus textos, não costumo dar indicações pontuais de investimento, do tipo “compre tal fundo”, “invista em determinada ação”, etc. Meu objetivo se concentra mais em mostrar minha visão do cenário econômico e político do Brasil e do mundo, tendo como foco a influência desse panorama nos diversos mercados.
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Se acho, por exemplo, que a libra vai subir ou cair por causa das negociações do Brexit, me apresso em passar essa opinião. O mesmo acontece quando estudo a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e suas consequências nas bolsas e mercados internacionais de moedas.
No Brasil, estamos numa época de grande efervescência política, a apenas duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018. Como se não bastasse o clima de incerteza, natural nessas ocasiões, os dois candidatos mais bem situados, Bolsonaro e Haddad, dividem o Brasil entre direita e esquerda, com todas as implicações que isso gera no mundo das finanças e dos negócios em geral.
Sinto mais estímulo do que susto com a situação, talvez por sofrer do mesmo tipo de deformação profissional que acomete os jornalistas, quem sabe por ter experimentado, em minha carreira de operador do mercado financeiro, quase todos os tipos de incertezas.
Ganhei muito dinheiro em operações de altíssimo risco, assim como perdi tudo em questão de minutos.
Em 1961, por exemplo, quando Jânio Quadros renunciou, e iniciou-se a crise que iria desaguar no golpe militar (ou Revolução, como se dizia na época) de 1964, eu trabalhava no mercado havia três anos e operava câmbio.
Lembro bem daquele momento. Era meio para final de tarde de sexta-feira, 25 de agosto, quando ouvi algumas pessoas protestando (ou comemorando) na rua. Liguei o rádio, fiquei sabendo da notícia e ainda deu tempo de comprar uma boa quantidade de dólares.
Operei durante todo o período de inflação, iniciado justamente quando comecei no mercado, nos anos JK, e encerrado em 1994 com o advento do Plano Real.
Em 1988, quando eu já era um veterano com três décadas de mercado no lombo, o custo de vida subiu 933,60%. O governo Sarney conseguiu fazer a Previdência ter superávit naquele ano através do estratagema pouco criativo, e ainda menos ético, de corrigir mensalmente o recolhimento previdenciário ao passo que protelava o reajuste dos benefícios e até mesmo a data dos pagamentos aos aposentados.
Dezessete anos antes, no grande bull market de ações do início dos anos 1970, nas bolsas de valores do Brasil, comprei Petrobras ordinária a 30 centavos e vendi por 13 cruzeiros.
Como naquela época lucros em bolsa não eram tributáveis, em 1972 passei um dia inteiro em um escritório da Receita Federal para demonstrar aos auditores como consegui ganhar o equivalente a quase um milhão de dólares (equivalente a seis milhões de dólares de hoje), com um investimento inicial praticamente inexpressivo.
E os erros, as tamancadas? Estava vendido a descoberto em petróleo futuro na Nymex (New York Mercantile Exchange) quando, em 2 de agosto de 1990, as tropas de Saddam Hussein, ditador do Iraque, invadiram o Kuwait.
Perdi o que tinha e o que não tinha nessa ocasião.
Voltando ao mercado brasileiro, e regressando dois anos na ampulheta do tempo, em agosto de 1988 a bolsa de São Paulo subiu 3,64%.
Bom investimento, não?
Péssimo!
Naquele mês a inflação aqui foi de 24,04% (o que dava 1.226% anualizados). Um “ganho” de 3,64% contra uma inflação de 24,04% era dificílimo de ser recuperado.
Hoje em dia, às vezes leio que as taxas de juro real no Brasil estão absurdamente altas. Honestamente, acho graça.
Trabalhei com taxa real de juros de 329,4% ao mês. Para que o leitor não pense que se trata de erro de digitação, vou repetir: 329,4% ao mês. Isso aconteceu em março de 1989.
É esse tipo de experiência que venho compartilhando há quase dois anos com os assinantes da Inversa e que agora quero passar para os leitores de Seu Dinheiro.
Lembranças de coisas passadas. Prognósticos para o futuro.
Há um ditado em Wall Street que diz: Bulls make money, bears make money, pigs get killed.
Numa tradução livre, isso quer dizer que os touros (que apostam na alta) ganham dinheiro, os ursos (que jogam na baixa) ganham dinheiro e que os porcos (que apostam erraticamente no mercado) são alijados (get killed).
Tenho certeza de que, tal como acontece com os assinantes de minhas publicações na Inversa, haverá uma química saudável entre mim e o leitor de Seu Dinheiro.
Tomara!
É com essa ambição que, aos 78 anos de idade (dos quais 60 de mercado), digito esse texto.
Sejam bem-vindos, caros novos leitores. Juntem-se aos demais.
O objetivo é um só. Entender os mercados e tirar deles o máximo proveito.
A dificuldade de entender o mercado financeiro e o receio de golpes são entraves para que brasileiros invistam dinheiro que está parado
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