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Ricardo Archilha

Ricardo Archilha

Ricardo Archilha é jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, especialista em cultura, entretenimento e mídias sociais. Já colaborou para veículos como Papel Pop, Hollywood Forever TV e CARAS Brasil.

CHILLABLE REDS

Vinho de verão: conheça os chillable reds, tintos leves e perfeitos quando resfriados

Além da Pinot Noir, outras castas se juntam à busca por vinhos tintos mais frescos e menos alcoólicos

Ricardo Archilha
Ricardo Archilha
6 de abril de 2026
8:16 - atualizado às 19:48
Tintos leves naturalmente frescos e delicados ganham popularidade e novas intenções de vinificação
Tintos leves naturalmente frescos e delicados ganham popularidade e novas intenções de vinificação - Imagem: Divulgação

Se prestarmos atenção, em fins de tardes quentes em qualquer wine bar, não são apenas os brancos e rosés que andam fazendo sucesso. Há também aqueles tintos quase translúcidos, servidos em baldes de gelo. E tampouco são apenas Pinot Noirs ou Gamays: são Cerezas, Bastardos e País, castas que originam vinhos naturalmente frescos, leves, delicados.

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Junte a isso novas intenções de vinificação, e nascem os chillable reds, tintos pensados especialmente para serem resfriados. Uma boa síntese está no termo francês GlouGlou, onomatopeia do líquido descendo pela garganta e definição de vinhos de alta acidez, baixo álcool e consumo jovem.

“Vem de uma busca por vinhos mais versáteis, principalmente em dias e noites quentes do verão no Brasil”, conta Júlia Derado, sommelier do Rosewood. E a escolha não vem só da preferência sazonal, mas também da procura por tintos mais leves, uma tendência crescente do mercado aliás, como confirma a profissional.

De acordo com ela, o espaço antes ocupado por rótulos muito amadeirados agora é dividido com vinhos que acompanham momentos informais, como piqueniques e happy hours, quebrando o status quo que associa a qualidade de um bom tinto à carga tânica e ao corpo robusto. É para quem gosta de novidade na taça.

O peso na boca

Tecnicamente, a leveza está ligada ao corpo, ao “peso” que o vinho apresenta no paladar. “Quando falamos de leveza, estamos falando a respeito do corpo do vinho, ou seja, o peso que ele tem na boca”, explica Juliana Carani, sommelier do Ristorantino, também consultada para a matéria. 

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Para explicar, ela usa uma analogia sensorial bem simples: a diferença de densidade entre a água e o suco de manga. O que molda essa sensação é o extrato seco, que abrange o conjunto de minerais, ácidos e fenóis. “Quanto mais extrato seco, maior a sensação de densidade e persistência.”

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Nesse estilo, o álcool, que normalmente confere viscosidade e calor, é mantido em patamares mais baixos.

“Para um vinho leve, podemos levar em consideração o teor alcoólico entre 11% e 12%”, diz Júlia Derado. A sommelier explica que o álcool elevado gera peso, enquanto a baixa extração de taninos, que devem ser macios, e a acidez mais alta garantem a vivacidade do GlouGlou.

Mas, servir qualquer tinto gelado não o transforma automaticamente em um chillable red. “Um tinto leve por intenção do enólogo continua sendo leve mesmo a temperaturas superiores”, conta Juliana Carani. “Já um tinto que apenas parece ser leve por ser servido mais frio muito provavelmente soará um certo desequilíbrio na taça.”

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O consenso entre as sommeliers para a temperatura ideal fica entre 12°C e 14°C. “Abaixo disso, você mata os aromas e o vinho perde a vivacidade”, diz Júlia Derado.

Da videira à adega

A criação de um tinto leve vem inclusive de uma intenção de vinificação que prioriza a preservação do frescor. Na adega, o objetivo é reduzir a extração tânica e evitar elementos que adicionem peso.

“Os enólogos fazem necessariamente uma extração mais leve, podendo utilizar a maceração carbônica – uma fermentação da uva inteira, com o cacho, em ambiente de CO2, que extrai muita fruta e pouco tanino”, explica Júlia Derado.

O uso de recipientes também mudou. Tanques de aço inoxidável ou cimento ganham preferência para manter a pureza da fruta, evitando o carvalho novo.

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“O carvalho adiciona peso e aromas de baunilha e tostado”, diz Derado. Carani complementa que técnicas como “maceração curta e menos pigeage, o ato de afundar as cascas no líquido, são fundamentais para evitar uma extração agressiva”.

Essas escolhas técnicas ainda acompanham a tendência da vez: sustentabilidade, menos álcool e menor intervenção.

“A redução de extração, menos madeira e a busca por menos álcool são as grandes novidades na produção atual”, afirma Juliana Carani. De acordo com a sommelier, há ainda um resgate de castas históricas ligadas às suas origens, preservando a acidez natural em detrimento da potência alcoólica.

Além disso, é claro, entra também o papel da natureza. “O terroir imprime suas características na uva”, diz Júlia Derado, destacando que regiões de altitude ou com influência marítima são ideais porque a planta preserva a acidez e não acumula tanto açúcar.

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A sommelier ainda lembra que “solo, altitude e clima mudam a expressão genética da planta”. Isso ainda quer dizer que em anos muito quentes, o desafio aumenta, favorecendo safras mais frescas e chuvosas para este estilo de vinho.

Do Chile ao Loire

Quanto às castas, as queridinhas são as de pele fina e baixa concentração fenólica. Aqui, Gamay e Pinot Noir são exemplos clássicos.

“Uvas com cascas mais finas, principalmente se produzidas em regiões frias, são classicamente leves”, diz Júlia Derado. Carani acrescenta Frappato, Poulsard e Cinsault à lista de variedades que “mantêm identidade a baixas temperaturas ou até melhoram sua expressão”.

Ao mesmo tempo, o mercado tem olhado para além do óbvio, apostando em variedades alternativas que levam resultados, muitas vezes, surpreendentes. No sul do Chile, especialmente em regiões como Maule, Itata e Bio Bio, a uva País tem se destacado, sobretudo em versões Pipeño.

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“É um vinho simples, de consumo local, com pouca intervenção e sem madeira nova”, conta Juliana Carani. Na Argentina, a uva Cereza surge como a estrela das chamadas criollas (já falamos delas aqui), com baixíssima concentração de cor e estrutura.

Na Europa, Júlia Derado cita a Ilha da Madeira, onde a uva Bastardo produz tintos “superleves, frutados e complexos”, e o Vale do Loire, na França, famoso por seus Cabernet Francs mais herbáceos e fluidos.

Entram ainda Mencía (da região de Bierzo, na Espanha), a Trousseau (conhecida como Bastardo em Portugal) e variedades austríacas como a Blaufrankisch.

O objetivo, em todas elas, é a preservação da essência da fruta. Como resume Juliana Carani, o objetivo é garantir a “vontade de bebericar”, um atributo que os chillable reds entregam com um charme irresistível para os dias de verão.

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Para fechar, as sommeliers contam quais são seus rótulos favoritos.

8 chillable reds, tintos leves para experimentar já

Barbeito Vinhas do Farrobo Bastardo – Ilha da Madeira, Portugal

Barbeito Vinhas do Farrobo Bastardo
Barbeito Vinhas do Farrobo Bastardo

Um Bastardo 100% que mostra o lado mais leve e atual da Madeira. De cor levemente avermelhada, traz aromas delicados de cereja, ginja e ervas do campo, com um toque sutil que lembra gelatina de morango. No boca, conta Júlia Derado, é leve, com taninos presentes, acidez fresca e final seco e persistente. Preço: R$ 1.450, na Grapy Vinhos

Durigutti Cara Sucia Cereza – Mendoza, Argentina

Durigutti Cara Sucia Cereza
Durigutti Cara Sucia Cereza

Orgânico e cheio de frescor, o Durigutti Cara Sucia nasce em Mendoza a partir de uvas Cereza colhidas manualmente, conta a sommelier do Rosewood. A maceração curta em ovos de concreto e a fermentação com leveduras indígenas preservam o caráter leve e frutado. “Para tomar bem fresco”, sugere a profissional. Preço: R$ 117,90, na Curavino

Sanabria Águas de Março Gamay – Monte Belo do Sul, Brasil

Sanabria Águas de Março Gamay
Sanabria Águas de Março Gamay

Derado indica inclusive o Águas de Março Gamay Sanabria, um brasileiro com o espírito de Beaujolais. Fermentado com parte dos engaços e mínima intervenção, ele chega vibrante, com pegada floral e de frutas vermelhas. Fica especialmente gostoso quando servido levemente resfriado. Preço: R$ 189, na Sanabria Vinhos

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De Martino Viejas Tinajas Cinsault – Vale do Itata, Chile

De Martino Viejas Tinajas Cinsaul
De Martino Viejas Tinajas Cinsaul

Fermentado e criado em ânforas de argila centenárias, o De Martino Viejas Tinajas Cinsault é um vinho de textura fluida e perfil mineral. “Apresenta pureza de frutas, frescor e leveza”, diz a sommelier. Preço: R$ 343,90, na Tanino Adega e Empório

Le Mazel Vin de Soif – Valvignères, França

Le Mazel Vin de Soif
Le Mazel Vin de Soif

A última indicação de Dedaro, como o nome sugere, aliás, é um vinho para matar a sede: leve, refrescante e descomplicado. O corte de Syrah com Grenache, de cultivo orgânico, passa por maceração semi carbônica e longa fermentação com leveduras indígenas, resultando em muita fruta e fluidez. Preço sob consulta.

Juliana Carani também destaca alguns rótulos: 

Jardin Oculto Negra Criolla 2020

Jardin Oculto Negra Criolla 2020
Jardin Oculto Negra Criolla 2020

Região: Vale de Cinti, Bolívia
Uva: Negra Criolla
Preço: R$ 444,60, na Wine Lovers

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Pipeño 2020 Cacique Maravilla

Pipeño 2020 Cacique Maravilla
Pipeño 2020 Cacique Maravilla

Região: Valle Yumbel, Chile
Uva: 100% País
Preço: R$ 211, na Catta Wines

UnLitro 2022 Ampeleia

⁠UnLitro 2022 Ampeleia
⁠UnLitro 2022 Ampeleia

Região: Toscana, Itália
Uvas: Alicante Nero, Carignano, Mourvédre, Sangiovese e Alicante Bouschet
Preço sob consulta

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