Cézanne, Matisse e Renoir roubados: quais são e quanto valem as obras de arte levadas por assaltantes em menos de 3 minutos na Itália
Em mais um assalto cinematográfico no mundo da arte, ladrões levam obras de Renoir, Matisse e Cézanne de museu na Itália.

Parece cena de cinema. E talvez você tenha a impressão de já ter visto esse filme antes. Por volta das 2h da madrugada de 22 para 23 de março, domingo para segunda-feira, quatro homens encapuzados invadiram a Villa Magnani.
Situada na cidade italiana de Traversetolo, não muito longe de Parma, a mansão barroca abriga a sede da coleção permanente da Fundação Magnani Rocca.
Os invasores sabiam o que procuravam. Eles subiram as escadas e foram direto à "sala dos franceses".
Apenas três minutos depois, eles fugiram com obras de arte dos mestres franceses Pierre‑Auguste Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse avaliadas em conjunto em mais de R$ 50 milhões.
Renoir, Cézanne e Matisse são apenas os últimos
A revelação do assalto veio à tona quase uma semana depois. A investigação está a cargo da divisão dos carabinieri especializados em roubos de arte.
A dúvida das autoridades locais é se os ladrões queriam apenas as três obras roubadas ou se o assalto se restringiu a elas porque o alarme disparou e eles acharam melhor fugir.
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A única certeza é que o roubo dos quadros de Cézanne, Matisse e Renoir é o mais recente capítulo de uma série de assaltos que vem chamando atenção por se concentrar em um intervalo curto e abranger regiões muito diferentes do mundo.
A escalada começou com o assalto ao Museu do Louvre, em Paris, passou pela Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, e agora chegou ao interior da Itália, com o ataque-relâmpago à Fundação Magnani Rocca, perto de Parma.
O “assalto ao Louvre”: joias históricas roubadas em plena luz do dia
Em outubro de 2025, ladrões invadiram o Museu do Louvre em plena luz do dia e roubaram oito peças da coleção de joias e pedras preciosas da Galeria de Apolo. Eles levaram uma coroa, um colar outras joias ligadas à realeza francesa, mais especificamente ao período de Napoleão III.
A ação durou menos de dez minutos. Os criminosos usaram um pequeno guindaste para acessar a fachada, quebraram uma janela, arrombaram vitrines, surrupiaram os itens e depois fugiram em duas motos antes que a segurança do museu se desse conta do que se passava.
Danificada, a coroa da imperatriz Eugênia foi encontrada depois, nas proximidades do museu. Pelo menos sete suspeitos de envolvimento no crime foram presos nos dias seguintes.
Roubo na Biblioteca Mário de Andrade: alvo “cirúrgico” e saída pela porta da frente
Em dezembro do ano passado, dois homens armados invadiram a Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, e roubaram 13 obras expostas. Não havia nada de Renoir e Cézanne entre os alvos, mas havia Matisse.
Eles levaram oito gravuras de Matisse, da série Jazz, além de cinco de Candido Portinari, da série ligada a "Menino de Engenho".
Assim como ocorreu no Louvre e agora na Itália, o assalto também foi cirúrgico. Os ladrões concentraram-se em um setor específico e foram embora rapidamente, saindo pela porta da frente com as gravuras em uma sacola. Pelo menos um dos suspeitos foi detido.
Quais foram os quadros roubados na Itália
Os quadros roubados na Itália foram "Os peixes", de Pierre-Auguste Renoir, "Natureza morta com cerejas", de Paul Cézanne, e "Odalisca em um terraço", de Henri Matisse.
Combinados, os preços de cada uma das obras no mercado de arte alcança 9 milhões de euros, ou mais de R$ 54 milhões.
Quem mais puxa o valor para cima é Renoir. Sozinho, o quadro "Os peixes" é avaliado avaliado em 6 milhões de euros, ou R$ 36 milhões.
Confira a seguir os detalhes de cada uma das pinturas roubadas na semana passada.

Les poissons (Os Peixes).
Pierre-Auguste Renoir.
Óleo sobre tela pintado por volta de 1917.

Natura morta con ciliegie (Natureza morta com cerejas)
Paul Cézanne.
Lápis e aquarela pintado entre 1890 e 1894.

Odalisque sur la terrasse (Odalisca em um terraço).
Henri Matisse.
Acquatinta a cores sobre papel pintada entre 1922 e 1923.
Por que tantos roubos de obras de arte em tão pouco tempo
Com exceção do fato de terem sido levadas obras de arte de alto valor, não há relação direta conhecida entre os assaltos.
Ainda assim, chama a atenção três casos de grande relevância terem ocorrido em um intervalo de menos de seis meses em diferentes partes do mundo.
Investigadores e especialistas apontam para fatores que ajudam a explicar a concentração de episódios em um intervalo tão curto.
Um deles é a existência de redes de receptação e crime organizado capazes de escoar bens culturais, inclusive usando obras e objetos de alto valor como moeda em transações clandestinas.
Outro é a vulnerabilidade operacional. Os ladrões estudam controles de acesso, monitoramento e protocolos de resposta para encontrar falhas de segurança. A partir disso, planejam e executam ações rápidas e cirúrgicas.
Há ainda o fator “encomenda”. Roubos desse tipo tendem a ocorrer quando há interesse específico por determinadas obras e os criminosos conseguem mapear o ambiente e considerar a possibilidade de sucesso do assalto antes de entrar em ação.
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