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Em Enquanto você está aqui, Camila Appel investiga por que a morte ainda é um tabu e discute temas como luto, cuidados paliativos, eutanásia e o silêncio social que cerca o fim da vida
A roteirista e escritora Camila Appel lança pela Fósforo Enquanto você está aqui (R$ 79,90). O livro é construído como uma série de cartas sobre a morte para sua mãe, a dramaturga Leilah Assumpção. Aqui, ela é, ao mesmo tempo, destinatária e assunto das cartas.
Formada em administração e antropologia, com passagem pelo Unibanco e pela ONU, Camila Appel acabou estudando dramaturgia na New York University (NYU) em 2009. O fez seguindo os passos da mãe – vencedora do prestigioso prêmio Molière pela peça de estreia, Fala Baixo Senão eu Grito (1969). Camila, então, passou a dedicar-se integralmente à escrita. Começou primeiro no teatro, depois colaborando com o Projeto Biografias, o blog Morte sem Tabu na Folha de S. Paulo e como roteirista do programa Conversa com Bial.
Enquanto você está aqui é uma coletânea de textos produzidos com base nas questões discutidas no blog da Folha. Na obra, elas são recontextualizadas em forma de cartas sobre a morte endereçadas para sua mãe, que se vê obrigada a confrontá-la de maneira objetiva em função da idade avançada.
No livro, Camila busca trabalhar temas tabu como discussão sobre o prolongamento artificial e doloroso da morte em hospitais. Além disso, aborda os cuidados paliativos na extensão de vida, a escolha pela não ressuscitação. Explica, inclusive, a diferença entre suicídio assistido e eutanásia – e mesmo o processo de legalização dessas práticas em alguns países – com uma linguagem clara e sensível.
A autora contou em entrevista ao Seu Dinheiro um pouco de sua trajetória, sobre como se descobriu escrevendo obituários e o que a levou a escrever este livro.

A porta de entrada para esse universo foi um gênero jornalístico pouco conhecido no Brasil, o obituário. Camila contou que sempre sonhou em fazer jornalismo: “mandei meu currículo para a Folha de S. Paulo e, depois de estranhar a diversidade das coisas que eu fazia, o editor me ofereceu uma vaga de freelancer numa área que se chama Projeto Biografias. Perguntei o que era isso e ele me explicou que ‘são os obituários de pessoas que ainda não morreram’”. O Projeto Biografias da Folha de S. Paulo reúne perfis antecipados de personalidades públicas, preparados para contextualizar suas trajetórias no momento de sua morte.
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“Achei muito interessante e fui estudar a arte do obituário. Fora do país existe uma cultura muito forte de obituários, na The Economist, no The New York Times.” No jornalismo anglo-saxão, o obituário é um gênero consolidado, frequentemente tratado como uma forma de reportagem literária sobre a vida de figuras públicas. “Li muitas entrevistas com escritores obituaristas, Ann Wroe, Margalit Fox, que depois virou uma grande escritora. São textos muito bonitos, fantásticos.”
“Comecei a querer entender o que havia por trás desse tabu. Depois de muita leitura e reflexão, percebi como tratar a morte como um tabu nos prejudica. E como isso pode estar por trás das grandes questões mentais contemporâneas. Será que não falar sobre a morte está nos deixando mais doentes como sociedade?”
Apesar de trabalhar com essas ideias há anos no Projeto Biografias e conversar sobre o assunto no blog, nem Camila está imune ao tabu. Em 2022 assinou um texto contando os bastidores do processo de construção do obituário do humorista e apresentador Jô Soares.
Jô, por coincidência, entrou em contato com Camila para elogiar o trabalho do blog na semana em que ela havia terminado de escrever o seu obituário. Camila confessou que não teve coragem para lhe pedir uma sugestão de título. Falou inclusive das dificuldades que a imprensa teve para resumir esse indivíduo de talentos tão múltiplos e variados em uma só linha. O texto, de agosto de 2022, aparece no livro. O título: Jô Soares foi um exibido assumido, um diplomata em pleno showbusiness.
Camila confessa que o livro também nasce da dificuldade em lidar com a velhice dos pais. Diz ainda que foi preciso fazer um mergulho mais profundo para encontrar um caminho e uma voz para tratar desses assuntos:
“A tristeza e a dificuldade que eu tinha era observar o apagamento dos meus pais. Principalmente com minha mãe, era difícil lidar com ela nesse momento. Eu reagia com agressividade, quase como se fosse pessoal: ‘poxa, mãe! você não está me escutando direito! Precisa se exercitar, se levanta dessa cama.’ Quando eu me ouço dizendo isso, percebo que é uma crueldade. E é uma crueldade do meu tempo, que eu ajo dessa maneira porque estou acostumada a olhar o velho assim.”
Foi nesse momento de reflexão que Appel voltou a um livro escrito pela própria mãe décadas antes. “E foi essa dificuldade que me fez lembrar de um livro que ela escreveu para mim Na palma da minha mão (Globo). Reli o livro dela e percebi que essa era a voz que estava procurando, era esse o livro que eu estava escrevendo.”

Para Appel, a maneira como a sociedade formula a ideia de “luta” contra a morte revela mais sobre nossos valores culturais do que sobre o próprio processo de morrer.
“O que está por trás desse tabu é o nosso ego, nossa necessidade de nos colocarmos como insubstituíveis, fundamentais, é preciso deixar um legado. Não se pode falar de morte porque somos eternos e fundamentais, sendo que no final das contas a gente morre" diz.
De acordo com ela, "nossa visão de ‘luta contra o câncer’, por exemplo, diz muito sobre a nossa sociedade, e eu me pergunto muito como a gente pode ser feliz se termina a vida com a visão de que está perdendo uma grande batalha, se continuarmos vendo a morte como uma grande derrota? A gente vai viver fadado ao fracasso.”
“Por isso é importante discutir esses temas, para que um velório tenha a cara daquela família, daquela pessoa. Nós somos muito apressados em enterrar e cremar no Brasil, existe um preconceito contra o embalsamamento e não dá tempo de decantar o que aconteceu, de ter essa conversa.”
A discussão não ficou restrita ao livro, pois o tema também ganhou espaço fora da página quando, como roteirista do Conversa com Bial, Camila conseguiu levar esses temas em rede nacional. “Falamos de luto, suicídio, cuidados paliativos, luto e literatura, levei as oncocelebridades (pacientes terminais de câncer que são obrigados a encarar a morte e compartilham suas experiências e descobertas nas redes).” O apresentador Pedro Bial, aliás, também assina a orelha de Enquanto você está aqui.
“Acredito que trazer informação é o caminho certo para desmistificar, porque assim as pessoas podem trazer isso para uma conversa, entrar nesse tema sem que seja algo pesado ou triste", reflete Camila. "Essa visão um pouco prática que trago no livro é um convite de que talvez falar sobre morte com esse viés, da informação e da questão prática pode nos ajudar. E que falar disso não vai nos trazer mau agouro nem adiantar uma morte, mas que tudo aquilo sobre o que não se fala – aquilo que é proibido – vira um fantasma, e tudo na sombra cresce.”
Enquanto você está aqui é ao mesmo tempo um diálogo com a vida e obra da mãe, uma grande reportagem investigativa. É, sobretudo, um convite para conversar sobre a morte com clareza – sem tabu – porque ela é uma parte da vida.
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