Mirou no que viu e acertou no que não viu: como as tarifas podem embolar o meio de campo de Trump nas eleições
Enquanto prepara novas tarifas, o republicano também precisa lidar com outro efeito colateral da decisão da Suprema Corte: a renovação da Câmara e do Senado norte-americano

O juiz apitou, o VAR confirmou e Donald Trump acabou de levar um cartão vermelho da Suprema Corte que paralisou a principal jogada ensaiada de seu segundo mandato: as tarifas de importação.
Ao derrubar US$ 175 bilhões em taxas, o tribunal não apenas impôs um limite ao poder do republicano, mas chutou a bola da economia norte-americana para um meio de campo embolado às vésperas das eleições de meio de mandato.
Com o mercado tentando entender quem paga a conta e o governo Trump prometendo um contra-ataque via ordem executiva, o investidor agora joga em um campo onde as regras mudam conforme o cronômetro avança para as midterms.
Eleições entre Trump e o gol
Trump sempre tratou as tarifas de importação como o pilar de seu segundo mandato — um símbolo de poder e uma ferramenta para reescrever as regras do comércio global à revelia do Congresso.
Em uma decisão de 6 a 3, a Suprema Corte impôs nesta sexta-feira (20) um limite raro ao ímpeto tarifário do republicano, derrubando cerca de US$ 175 bilhões em impostos de importação.
Mas o republicano não recuou. Chamou os juízes de "tolos, lacaios e antipatriotas" e já anunciou uma ordem executiva para impor uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações mundiais, sob o argumento de segurança nacional.
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O problema? Esse dispositivo tem um limite legal de 150 dias, o que empurra a volatilidade econômica para o centro do período eleitoral. O timing não poderia ser pior para os republicanos.
Embora Trump insista que governos estrangeiros pagam a conta, os dados mostram outra realidade:
- 76% dos norte-americanos acreditam que as tarifas elevam os custos dos bens de consumo, segundo pesquisa AP-NORC
- 6 em cada 10 consideram que Trump foi longe demais nas barreiras alfandegárias
- O eleitor associa as tarifas a preços mais altos e à desaceleração em contratações
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Divisão no Capitólio
A decisão da Suprema Corte deu munição para os democratas, que acusam Trump de agir como um rei e de prejudicar a classe média. Contudo, o barulho mais perigoso para a Casa Branca vem de dentro.
O livre-comércio, historicamente uma bandeira republicana, está gerando rachaduras no partido.
O senador Mitch McConnell classificou como ilegal a tentativa de Trump de ignorar o Congresso, lembrando que o papel do legislativo na política comercial não é um "inconveniente a ser evitado".
Até Mike Pence, ex-vice de Trump, celebrou a decisão, reforçando que são as famílias e empresas norte-americanas que pagam a conta, não os países estrangeiros.
*Com informações do The Guardian
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