O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
Após um desempenho inferior ao do Ibovespa e o aumento das posições vendidas, o balanço do 3T26 será um teste para as expectativas dos investidores

A Bradsaúde (SAUD3) chega à temporada de balanços do terceiro trimestre (3T26) sob pressão de dois lados: os custos médicos, que devem consumir uma fatia maior das receitas, e os investimentos, cuja contribuição para o lucro tende a diminuir.
Depois da reação negativa do mercado aos resultados do trimestre anterior, a questão agora é se a nova rodada de números será suficiente para prolongar a desconfiança dos investidores ou se o pior já está refletido no preço das ações.
As projeções dos analistas apontam para uma combinação desfavorável: a sinistralidade deve subir tanto na comparação anual quanto na trimestral, enquanto o resultado financeiro tende a recuar em relação ao segundo trimestre.
Ainda assim, parte do mercado avalia que um balanço mais fraco, mas em linha com o esperado, não necessariamente provocará uma nova onda de vendas das ações na bolsa.
O crescimento da carteira de beneficiários, a perspectiva de recuperação das margens e o potencial de dividendos continuam entre os argumentos favoráveis à tese de investimento em SAUD3, segundo os analistas.
Veja as projeções dos analistas para o balanço do 3T26 e o que pode movimentar as ações da Bradsaúde daqui para frente.
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Custos médicos pressionam a sinistralidade da Bradsaúde
O principal termômetro da pressão operacional será a sinistralidade, indicador que mede quanto da receita dos planos de saúde é destinado às despesas assistenciais. Quanto maior o percentual, menor tende a ser a margem da operadora.
O consenso do mercado aponta para uma sinistralidade próxima de 85,5% no trimestre. Nesse cenário, uma deterioração mais moderada do indicador pode ajudar a limitar a reação negativa dos investidores, mesmo que o resultado financeiro decepcione.
Essa é uma das possibilidades consideradas pelo Santander, que vê espaço para uma leitura menos pessimista caso a piora dos custos perca força.
A pressão, porém, não deve desaparecer tão cedo. O mercado espera uma combinação de inflação médica, maior utilização dos serviços de saúde, despesas com judicialização e dificuldade de repassar integralmente esses custos aos preços dos planos neste trimestre.
O BTG Pactual acrescenta outro fator à conta: a comparação anual parte de uma base favorável, já que a sinistralidade foi particularmente baixa no terceiro trimestre de 2025.
Resultado financeiro também deve perder força
Além da pressão sobre os custos médicos, a Bradesco Saúde deve enfrentar uma contribuição menor dos investimentos para o lucro. Depois de alcançar cerca de R$ 930 milhões no segundo trimestre, o resultado financeiro deve recuar nos meses seguintes.
A XP Investimentos projeta R$ 750 milhões entre julho e setembro. Parte dessa redução está relacionada à carteira de títulos da companhia, concentrada em papéis atrelados à inflação.
Com a inflação mensal próxima de zero entre junho e agosto, os papéis ligados ao IPCA tendem a contribuir menos para o resultado financeiro.
Ainda assim, o BTG avalia que o trimestre deve transcorrer sem grandes surpresas e destaca que eventuais perdas de marcação a mercado nesses títulos podem ser parcialmente revertidas no quarto trimestre.
Se os investimentos devem pesar no resultado, a expansão da carteira de clientes aparece como um dos pontos de sustentação do negócio.
A XP espera que o crescimento da base de beneficiários ajude a impulsionar as receitas, enquanto o BTG prevê ganhos contínuos de participação de mercado, especialmente nos planos voltados a pequenas e médias empresas (PMEs).
“Esperamos ganhos contínuos de participação de mercado, especialmente nos planos para PMEs, embora as adições líquidas devam desacelerar após um segundo trimestre particularmente forte”, avaliam os analistas do BTG.
O avanço da carteira, porém, não elimina o desafio de rentabilidade. Para compensar a pressão dos custos médicos, a companhia precisará transformar a expansão da base em receitas sustentáveis, sem perder a disciplina na seleção dos riscos.
A ação da Bradsaúde (SAUD3) já precifica as notícias negativas?
A reação ao balanço anterior ajuda a entender por que a divulgação dos próximos números será importante para as ações. No pregão seguinte aos resultados do segundo trimestre, em 4 de agosto, os papéis da Bradsaúde tombaram cerca de 12%, enquanto o Ibovespa ficou praticamente estável.
A queda ocorreu apesar de a companhia ter registrado alta de 28% na receita financeira, para R$ 930 milhões, crescimento de 25% no lucro líquido e retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 24%. O principal ponto de desconforto foi a sinistralidade de 83,8%, acima das expectativas do mercado.
Mais recentemente, entre 21 de setembro e 1º de outubro, as ações da Bradsaúde tiveram desempenho cerca de 10 pontos percentuais inferior ao do índice local. No mesmo período, a posição vendida nos papéis subiu de aproximadamente 3,7% para quase 6%, sinalizando um aumento das apostas de parte do mercado na queda da ação.
“Essa nova alta acompanhou o aumento do ceticismo dos investidores em relação ao resultado de sinistralidade do 3T26", avalia o UBS BB.
É nesse contexto que o balanço do terceiro trimestre ganha importância. Para o banco suíço, resultados fracos, mas em linha com as expectativas, podem ajudar a estabilizar a percepção dos investidores.
O risco está em uma deterioração maior do que a prevista, sobretudo na sinistralidade ou em outras linhas capazes de pressionar o lucro.
O Santander também considera possível uma reação menos negativa caso o ritmo de piora dos custos diminua.
Já o BTG Pactual ressalta que a comparação anual é influenciada pela base mais favorável do terceiro trimestre de 2025 e avalia que uma melhora da sinistralidade no último trimestre do ano pode contribuir para as perspectivas deste ano.
O que esperar das ações SAUD3?
Apesar das pressões esperadas para o balanço, os analistas continuam vendo espaço para valorização das ações da Bradesco Saúde. Citi e UBS BB mantêm recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 20 e R$ 19, respectivamente.
O Citi projeta crescimento de 19% no lucro por ação entre 2026 e 2027 e estima que os papéis negociem a 8,9 vezes o lucro esperado para 2027. Considerando apenas o negócio de planos de saúde, o múltiplo cai para 6,8 vezes.
Além da avaliação, o banco destaca o potencial de expansão associado à Atlântica D’Or, a posição de caixa líquido e a menor sensibilidade da companhia às oscilações do mercado.
O UBS BB também considera os papéis atrativos. O banco estima um múltiplo de 8,7 vezes o lucro projetado para 2027 e um dividend yield de 7% naquele ano. As projeções consideram a distribuição de 40% do lucro em 2026 e de 60% em 2027, com possibilidade de pagamentos maiores no futuro.
O BTG, por sua vez, mantém a Bradsaúde entre suas preferidas no setor. A tese se apoia no crescimento da carteira de beneficiários, na disciplina de subscrição de riscos e no potencial de rentabilidade.
O Santander também vê potencial de valorização, especialmente após o desempenho recente mais fraco dos papéis. Para os analistas, a companhia pode se destacar entre as empresas de saúde cobertas pelo banco caso o cenário macroeconômico se torne mais favorável.
“A Bradesco Saúde oferece o maior potencial de valorização após seu desempenho recente mais fraco, tornando a ação mais atraente, apesar de seu perfil de beta mais baixo e de ser uma companhia com posição líquida de caixa”, afirmam os analistas.
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