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SEM DESPERDÍCIO

O fim da comida jogada fora? Lei coloca supermercados no centro do combate ao desperdício

Lei 14.224 cria a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício e transforma doação de comida em estratégia econômica 

Alimentos doação supermercado
AlimentosImagem: J.F. Diorio/Estadão Conteúdo

No Brasil, a comida muitas vezes sobra de um lado e falta do outro. Segundo estimativas do WWF Brasil e estudos baseados em metodologias da FAO, o desperdício de alimentos no país gera um prejuízo econômico superior a R$ 60 bilhões por ano. 

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Com o objetivo de minimizar esse problema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou recentemente a Lei 14.224, que institui a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos

Na prática, a legislação busca mudar a forma como supermercados, atacarejos, distribuidores e grandes redes varejistas lidam com a questão. A lei transforma a doação de alimentos em política de Estado, e não mais em gesto pontual de boa vontade. 

Dos alimentos no lixo ao sistema

O Brasil desperdiça cerca de 30% de tudo o que produz em alimentos, segundo dados históricos do próprio governo federal. Ao mesmo tempo, mais de 33 milhões de pessoas vivem em situação insegurança alimentar. O número equivale a cerca de 15% da população brasileira. 

A nova lei define o que é perda, o que é desperdício, quem são os doadores, quem pode receber alimentos e como tudo isso deve funcionar com segurança jurídica. 

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Na prática, o texto deixa claro: alimento próprio para consumo, mesmo fora do padrão estético ou próximo do vencimento, não deve ir para o lixo. 

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O que muda para supermercados

Para o varejo alimentar, a lei funciona como uma combinação de incentivo, proteção e pressão reputacional. 

A legislação: 

  • estimula a doação de excedentes (alimentos dentro do prazo e em condições seguras); 
  • protege o doador de responsabilização civil, desde que respeitadas as normas sanitárias; 
  • cria o Selo Doador de Alimentos, um carimbo oficial para empresas que adotarem práticas recorrentes de doação; 
  • incentiva parcerias com bancos de alimentos, cozinhas solidárias e entidades sociais. 

Ou seja: doar deixa de ser risco jurídico e passa a ser ativo institucional, inclusive para estratégias de ESG

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Por que os supermercados entram nesse jogo

Os supermercados ocupam um papel central nessa equação. Boa parte do desperdício de alimentos acontece ali, nas prateleiras. Frutas, legumes e verduras fora do padrão visual, mas próprias para consumo, são descartadas. 

Um produto descartado é estoque perdido, logística jogada fora e margem corroída. Ao mesmo tempo, grandes redes enfrentam crescente pressão de consumidores, investidores e órgãos públicos por práticas sustentáveis. 

A lei cria um caminho do meio: melhor doar do que descartar. 

Ou seja, redes que já tinham programas de doação saem na frente. As que ainda jogam comida fora passam a correr risco reputacional e regulatório no médio prazo. 

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Não é obrigação, mas orientação

É importante lembrar que a Lei 15.224 não obriga supermercados a doar alimentos.  

Estados e municípios podem criar regras complementares, programas de incentivo, metas locais e até condicionar benefícios fiscais a práticas de combate ao desperdício.  

Em bom português: quem se adiantar, ganha espaço; quem resistir, fica para trás. 

Um novo capítulo na política de alimentos

A lei também revoga a antiga legislação de 2020, considerada limitada e fragmentada, e amplia o olhar para toda a cadeia, da produção ao consumo final. 

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Mais do que resolver o problema da fome, o texto reconhece algo que o mercado já sabe: desperdício é ineficiência econômica, e ineficiência, cedo ou tarde, vira custo. 

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