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Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

ENTRE JUROS E ELEIÇÕES

Estrangeiro impulsiona Ibovespa, mas institucional não compra a tese e foge da bolsa brasileira; entenda o desânimo dos investidores

Dados preliminares mostram que, dos dias 1o a 29 de janeiro, a entrada de recursos na bolsa vindos do exterior somou R$ 25,3 bilhões

Dani Alvarenga
8 de fevereiro de 2026
13:16

O Ibovespa vem registrando um recorde atrás do outro. Só na última semana, o principal índice da B3 superou os 187 mil pontos pela primeira vez. Quem vem impulsionando a bolsa brasileira é o estrangeiro, que vem em um ritmo de forte otimismo com os ativos do país. Porém o investidor institucional não está comprando a tese — e esse cenário não deve mudar tão cedo.

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Eles vêm saindo do mercado mesmo com o rali visto nos últimos meses e, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, devem continuar hesitante nos próximos meses.

Isso porque, para o investidor doméstico, alguns fatores impedem uma mudança de humor em relação à bolsa brasileira. As duas principais preocupações são as eleições presidenciais no fim do ano e o alto patamar da taxa Selic, que encontra-se a 15% ao ano.

Os riscos avaliados pelos investidores institucionais brasileiros

Embora a taxa de juros deva começar a cair em março, conforme sinalização recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, avalia que a participação do investidor institucional não terá uma virada brusca.

"O investidor pode começar a tomar mais risco à medida em que os juros forem caindo, mas permanece receoso", afirma.

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André Buscácio, diretor de produtos da AF Invest, reforça a avaliação de Takeo. "Para o institucional local, a Selic em patamar alto ainda é um freio substancial para a tomada de risco", diz.

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"Fundos de pensão, por exemplo, têm metas atuariais majoritariamente entre IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) + 5% e IPCA + 6%, enquanto títulos públicos vêm apresentando retorno real de 10% no curto prazo, até 7% para títulos de maior maturidade", acrescenta.

Além disso, Bruno Takeo avalia que a disputa eleitoral à Presidência da República em outubro também pesa na decisão do investidor institucional.

"A eleição deve inibir a tomada de risco por pessoa física. O consenso é de pessimismo com Brasil diante um cenário eleitoral binário. Acho que vai preferir algum sinal de quem vencerá para investir", estima.

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Já Luis Ferreira, chief investment officer (CIO) do EFG Private Wealth Management, enxerga a atratividade da renda fixa como um obstáculo para a atração de investidores locais.

"A Selic elevada aumentou o custo de oportunidade e reforçou a preferência por renda fixa, que já representava 58,9% dos investimentos de varejo em junho de 2025 (R$ 4,68 trilhões)", diz.

"A combinação de câmbio pressionado no início de 2025 e de ruído fiscal elevou a demanda por proteção, inclusive com mais diversificação no exterior, o que fez muitos investidores locais entrarem 'atrasados' no movimento da Bolsa", diz Ferreira.

"Em síntese, a liquidez aumentou, inclusive com volume médio diário mais alto em janeiro de 2026, mas a tração veio majoritariamente de fora", completou.

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Segundo ele, o investidor doméstico não ficou ausente, mas participou menos: manteve postura defensiva, priorizando renda fixa, enquanto o estrangeiro liderou compras no mercado à vista e, em parte, via derivativos, reforçando a pressão compradora no curto prazo.

"O rali mais triste da história": o gringo e o brasileiro na bolsa

A origem do apetite estrangeiro pelo Brasil está na rotação global de recursos para fora dos Estados Unidos, um movimento que tem beneficiado os mercados emergentes e impulsionando os preços dos ativos em um curto espaço de tempo.

Só em janeiro, o Ibovespa fechou com alta de 12,56%. Dados preliminares mostram que, dos dias 1 a 29, a entrada de recursos na bolsa vindos do exterior somou R$ 25,3 bilhões.

O valor praticamente iguala todo o investimento estrangeiro aportado na B3 em 2025, de R$ 25,5 bilhões. Naquele ano, o Ibovespa subiu cerca de 34%, no melhor resultado desde 2016.

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Já o investidor institucional retirou R$ 46,6 bilhões da bolsa brasileira em 2025 e, de 1.º a 29 de janeiro, manteve o movimento de saída, com fluxo negativo de R$ 16,7 bilhões.

Porém, até mesmo a escalada do Ibovespa em janeiro levanta dúvidas sobre a sustentabilidade e a duração do rali das ações listadas na B3. Nesta semana, após o principal índice da B3 perder o fôlego e voltou para o patamar dos 182 mil pontos, analistas indicaram sinais de exaustão do rali.

"Fizemos um estudo e só 12, 13 papéis estão concentrando quase 80% do ganho acumulado pelo Ibovespa", observa Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. "É o rali mais triste da história", acrescenta.

Ele nota que o estrangeiro prefere ações de grandes empresas, com peso no índice e alta liquidez, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR3;PETR4), bancos como o Itaú (ITUB4) e algumas do setor elétrico.

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"É menos o investidor fundamentalista, que busca uma tese, e mais um cara passivo que vem aqui comprar índice", afirma Cima.

Ele ainda observa que o investidor doméstico permanece um tanto à parte, inativo, na medida em que a própria explosão de preços em pouco tempo assusta, tornando o investimento em ações num momento de juros ainda altos menos "factível".

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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