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REGULAMENTAÇÃO

Cannabis medicinal já pode ser cultivada por universidades no Brasil: veja o que muda com as novas regras aprovadas pela Anvisa

Anvisa aprovou novas regras para a cannabis medicinal, permitindo o cultivo da planta por universidades e instituições de pesquisa, sob exigências rígidas de controle e segurança; veja as novas regras para a Cannabis medicinal no país

Cannabis
Imagem: Shutterstock

Depois de anos de incerteza jurídica, a produção de cannabis medicinal no Brasil ganhou regras mais claras. A Anvisa aprovou na quarta-feira (28) uma nova regulamentação para o cultivo da planta, atendendo a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de novembro de 2024, que reconheceu a legalidade do uso exclusivamente medicinal.

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Na prática, a mudança amplia o acesso de pacientes a medicamentos à base de cannabis prescritos por médicos e cria um marco regulatório mais claro para pesquisa, produção e uso terapêutico no país. As novas regras entram em vigor em seis meses.

Entre as principais novidades está a permissão para que farmácias façam a manipulação do canabidiol, além da autorização para importar a planta ou o extrato de cannabis para a fabricação de medicamentos.

Até agora, o que era permitido no Brasil eram apenas produtos derivados da cannabis — com menor concentração dos princípios ativos e sem exigência de estudos robustos de eficácia, o que os diferencia de medicamentos propriamente ditos.

Mais detalhes sobre a nova regulamentação

A nova regulamentação também ampliou as formas de administração desses produtos. Antes restritos às vias oral e inalatória, eles agora poderão ser utilizados também de forma bucal, sublingual ou dermatológica.

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Para o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o avanço regulatório traz previsibilidade e segurança jurídica a um tema sensível, além de impacto direto na vida de milhares de famílias.

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Em comunicado, ele afirmou que a medida abre caminho para o desenvolvimento científico e para a produção nacional de soluções terapêuticas de qualidade, beneficiando pacientes de diferentes faixas etárias.

Mas nada de “liberar geral”

Apesar da abertura, a agência deixou claro que o cultivo e a produção da cannabis medicinal estarão sujeitos a regras rígidas de controle e segurança. Entre as exigências estão rastreabilidade das plantações, registro de coordenadas geográficas, áreas georreferenciadas e documentação fotográfica detalhada.

A diretora da Anvisa Daniela Marreco reconheceu que o tema segue sendo controverso, mas destacou o potencial terapêutico dos derivados da cannabis no tratamento de doenças graves, como epilepsia refratária, Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla.

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Segundo ela, a regulamentação busca garantir dignidade e qualidade de vida a pacientes que já se beneficiam desses tratamentos.

Limite de THC

A resolução aprovada pela agência fixou um limite de até 0,3% do tetrahidrocanabinol (THC) nos insumos que poderão ser importados ou adquiridos, sob regulação do Ministério da Agricultura. Apenas produtos dentro desse padrão estarão autorizados.

O limite, no entanto, já provoca debate. O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP) defendeu que a Anvisa permita produtos com maior teor de THC, argumentando que convenções internacionais não impõem restrições para uso terapêutico e científico e que muitos pacientes, inclusive com Parkinson, utilizam óleos com concentrações mais elevadas por indicação médica.

Além disso, a agência aprovou resoluções específicas para instituições de ensino e pesquisa, que poderão cultivar a planta sob regras rigorosas, como vigilância 24 horas e controle de acesso, e para associações de pacientes que hoje produzem cannabis medicinal amparadas por decisões judiciais.

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Essas associações poderão obter autorização para produção em pequena escala, mas sem permissão para comercializar os produtos.

Com informações Agência Brasil

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