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“Por que as taxas de juros são tão altas no Brasil? Por conta da nossa dificuldade de convergência com a meta de inflação”, resumiu o presidente do BC

Se o Banco Central fosse um veículo, não seria um jet ski, mas sim um transatlântico atravessando o oceano com rota traçada, radar ligado e mudanças graduais. Foi com essa analogia que Gabriel Galípolo resumiu, no CEO Conference do BTG Pactual, a postura da autoridade monetária diante do início do ciclo de cortes da Selic.
Durante evento, em São Paulo, Galípolo reforçou que o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por uma postura mais conservadora ao sinalizar, em janeiro, que começará a “calibragem” dos juros em março. A decisão de esperar 45 dias teve um objetivo claro: reunir mais confiança antes de iniciar o ciclo.
“Antevíamos, em se confirmando o cenário, essa calibragem da política monetária a partir de março, justamente para que a gente consiga reunir mais confiança para iniciar este ciclo”, afirmou.
Em janeiro, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou o início dos cortes no encontro seguinte. No mercado, a aposta majoritária é de um corte inicial de 50 pontos-base.
Apesar da sinalização para março, Galípolo evitou qualquer compromisso com o restante do ano. Disse que adoraria poder antecipar o que acontecerá nos próximos meses, mas destacou que as decisões dependerão dos dados econômicos.
“Serenidade significa que o BC está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Temos que separar o que é ruído do que é sinal”, afirmou.
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Ao comentar o debate sobre a meta de inflação, Galípolo afirmou que ela está “totalmente em linha com outros países” e fez coro ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na defesa do atual regime.
Para o presidente do BC, o patamar elevado de juros no Brasil está diretamente ligado à dificuldade histórica de convergência da inflação para a meta. “Por que as taxas de juros são tão altas no Brasil? Por conta da nossa dificuldade de convergência com a meta de inflação”, resumiu.
Ele também destacou que o mercado de trabalho vive componentes conjunturais e estruturais, fenômeno observado globalmente desde a pandemia de Covid-19. Segundo Galípolo, houve uma quebra estrutural relevante no pós-pandemia, com reajustes salariais acima da inflação em diversos momentos, o que impõe desafios adicionais à política monetária.
“As questões estruturais estão colocadas para o Brasil. Depende de nós”, afirmou, sinalizando que parte da solução extrapola o alcance direto do Banco Central.
Sem se aprofundar no tema eleitoral, Galípolo manteve o discurso técnico e reiterou que a política monetária seguirá guiada pelos dados, não pelo calendário político.
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