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COPOM

Não é só inflação: veja por que o BC continua cauteloso com os juros e para onde olhará agora

Agora, o BC incluiu uma nova variável na análise da conjuntura: além de acompanhar as decisões de outros Bancos Centrais, o comitê avalia os desdobramentos do conflito do Oriente Médio, algo que influencia no preço do barril do petróleo e, consequentemente, da inflação

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A inflação continua acima da meta e, agora, será ainda mais difícil controlá-la. O Banco Central publicou a ata da mais recente reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,75% ao ano.

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O documento ressalta que a inflação segue acima do centro da meta de 3,0% ao ano, ainda que dentro da banda permitida entre 1,5% e 4,5% ao ano. No entanto, o Comitê reafirma que a condução da política monetária vem contribuindo para a desinflação recente dos preços.

Agora, o BC incluiu uma nova variável na análise da conjuntura: além de acompanhar as decisões de outros Bancos Centrais, o comitê avalia os desdobramentos do conflito do Oriente Médio, algo que influencia no preço do barril do petróleo e, consequentemente, da inflação.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz a ata.

Copom de olho no Federal Reserve

Além de acompanhar os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, o Copom também afirmou que está de olho na mudança de rota da política monetária dos Estados Unidos.

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Vale lembrar que, desde a última reunião do Fomc, o Copom dos EUA, as perspectivas de novos cortes de juros no país foram suspensas em virtude do avanço da guerra contra o Irã e a inflação persistentemente acima da meta.

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“Além do agravamento das tensões geopolíticas, novas incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos colaboraram para tornar esse cenário ainda mais incerto”, diz o documento. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Já no ambiente doméstico…

Por último, o Comitê reforçou a necessidade de convergência entre as políticas fiscal e monetária do governo federal e da autoridade monetária.

“O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”.

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Além disso, a atividade econômica manteve trajetória de moderação no crescimento, tal como antecipado pelo Comitê.

O arrefecimento da demanda agregada é um dos elementos essenciais do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta, segundo o BC. “A desaceleração do PIB no final de 2025, mais acentuada em seus componentes cíclicos, tornou evidentes os efeitos defasados do período prolongado de política monetária restritiva”.

Assim, no cenário de referência, as projeções para a inflação acumulada em 2026 e até o o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 3,9% e 3,3%.

O que dizem analistas do mercado

Para a Warren, o tom do BC continua dovish, ou propenso a cortes de juros. "O documento ressalta os riscos geopolíticos, reconhece os dados piores da atividade e inflação no início do ano, mas contextualiza que estão em linha com as projeções atuais do BC", diz a corretora.

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Na avaliação da Warren, a ata sinaliza que o Copom não tem intenção de rever seu plano de cortar juros no curto prazo, tendo, inclusive, considerado cortes superiores a 0,25 p.p.

Para o ASA, a ata reforça que a política monetária permanece em nível restritivo. O economista Leonardo Costa avalia que o início do ciclo de redução dos juros pode ser interpretado como uma indicação de que o nível atual ainda comporta algum grau de ajuste. A casa projeta um corte de 0,5 p.p. em abril.

"Para as carteiras, o recado é claro: pós-fixado segue como âncora, com juros reais ainda muito atrativos. Em prefixados e IPCA+ longos, o momento pede cautela com duration. O ciclo de queda começou, mas será mais gradual do que se esperava, e quem ainda não aproveitou as taxas atuais tem uma janela que pode se fechar mais rápido do que o mercado precificava", diz Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos.

Com Money Times

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