O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Antigos alvos da política comercial norte-americana acabam relativamente beneficiados, enquanto aliados tradicionais que haviam negociado condições mais favoráveis passam a arcar com custos adicionais
A incerteza em torno da política comercial dos Estados Unidos voltou a ganhar força após a Suprema Corte, por 6 votos a 3, invalidar as tarifas impostas por Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), ao restringir o uso de poderes de emergência para fins comerciais sem aprovação do Congresso.
A decisão representa um revés relevante para a Casa Branca, enfraquece o instrumento mais amplo utilizado até aqui e abre uma frente jurídica potencialmente longa sobre o reembolso de cerca de US$ 175 bilhões já pagos por empresas — tema que ficará sob responsabilidade do Tribunal de Comércio Internacional e pode se arrastar por anos.
Entre as tarifas derrubadas estão as adicionais aplicadas à China, Canadá e México sob o argumento de imigração ilegal e tráfico de drogas, as chamadas tarifas do “Dia da Libertação”, voltadas a compensar o déficit comercial, e ainda medidas direcionadas a países como Brasil e Índia, justificadas por razões políticas e geoeconômicas.
Importante destacar, contudo, que nem todas as tarifas foram afetadas: permanecem em vigor, por exemplo, as tarifas sobre aço e alumínio e aquelas impostas à China ainda no primeiro mandato de Trump. Além disso, outros caminhos legais que poderiam ser utilizados para sustentar a política tarifária.
Tanto é verdade que, em resposta à decisão, Trump anunciou uma nova tarifa global “temporária” de 10%, posteriormente elevada para 15%, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, válida por até 150 dias (depois elas caem também).
*NOTA DO EDITOR: Após a publicação do texto, documentos oficiais da Alfândega e Proteção das Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) revelaram que as novas tarifas globais de Trump entraram em vigor com alíquota de 10% nesta terça-feira, apesar de o presidente norte-americano ter ameaçado tarifas mais elevadas nos últimos dias.
Leia Também
A medida reacende o risco de nova escalada comercial e mantém elevada a imprevisibilidade da política tarifária norte-americana. Ao mesmo tempo, a uniformização em 15% redistribui custos e benefícios: países que antes enfrentavam tarifas mais altas passam a ter redução relativa na tarifa média efetiva; por outro lado, aliados que haviam negociado condições mais favoráveis acabam prejudicados.
O gráfico do Financial Times ilustra esse movimento ao mostrar a variação na tarifa média efetiva ponderada pelo comércio após a adoção da taxa uniforme de 15%. As barras à direita indicam países beneficiados, com redução da tarifa média; à esquerda, aqueles que passam a pagar mais.
Brasil e China figuram entre os maiores beneficiados porque estavam sujeitos a alíquotas médias superiores e agora convergem para 15%. Já Reino Unido, União Europeia e Japão, que desfrutavam de tarifas médias inferiores, veem sua carga aumentar.

A leitura central é relativamente direta. Ao adotar uma tarifa “igual para todos”, o governo reduz parte das distorções criadas por acordos bilaterais e alíquotas diferenciadas, mas, ao mesmo tempo, redistribui os impactos entre países.
Na prática, antigos alvos da política comercial norte-americana acabam relativamente beneficiados, enquanto aliados tradicionais que haviam negociado condições mais favoráveis passam a arcar com custos adicionais.
Assim, embora a decisão judicial tenha sido interpretada, em um primeiro momento, como fator de redução de incertezas, a reação imediata da Casa Branca mantém o ambiente marcado por insegurança comercial.
Sob uma perspectiva mais estrutural, ainda que o julgamento represente um revés relevante para o governo, o entendimento firmado tende a impor limites mais claros ao uso de tarifas “emergenciais” por qualquer presidente no futuro, inclusive para temas como clima ou imigração. Isso reduz a margem para expansões discricionárias amplas via poderes de emergência.
Ainda assim, é razoável supor que tarifas elevadas continuem presentes na política econômica norte-americana nos próximos anos.
O episódio reforça que a política comercial dos Estados Unidos entrou em uma fase de maior complexidade. Para os mercados, isso significa conviver com uma combinação de ajustes jurídicos, reprecificação de acordos internacionais e uso alternativo de bases legais, mantendo o comércio exterior como vetor recorrente de volatilidade.
Mais do que um ponto final, o julgamento inaugura uma nova etapa: menos discricionária no formato, mas ainda politicamente relevante e economicamente sensível.
*Texto atualizado para incluir infomação atualizada sobre a alíquota das tarifas de Trump.
A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio
Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic
Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais
O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo
Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras
Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira
Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic
A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia
Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje
Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta
O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente
Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado
Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle
A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira
Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas
Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora
Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil
Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano
Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities
O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples