Ouro cai quase 3% em um dia com onda geopolítica mais calma. Mas só isso explica a baixa recente do metal precioso?
Mudança na margem para ouro, prata e platina aceleraram a queda de preços dos metais; entenda o que mudou e como isso mexeu com as cotações

O porto seguro dos investidores está passando por uma maré de baixa. Após uma sequência de recordes históricos, o ouro registrou uma queda acentuada nesta terça-feira (17), acompanhando um movimento de correção que atingiu o setor de metais preciosos como um todo.
Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do ouro para abril encerrou a sessão em baixa de 2,78%, cotado a US$ 4.905,90 por onça-troy.
A desvalorização do metal precioso nesta terça-feira (17) foi impulsionada por uma combinação de fatores técnicos e fundamentais. Com o retorno do feriado nos EUA, que manteve as bolsas fechadas na segunda-feira (16), o fortalecimento do dólar pesou sobre as commodities. Além disso, a liquidez na Ásia segue reduzida devido ao feriado de Ano Novo Lunar.
Soma-se a esses fatores, o menor apetite por ativos de proteção diante de sinais de descompressão nas tensões globais, depois que Irã e EUA chegaram a um acordo geral sobre o programa nuclear iraniano.
O Commerzbank aponta que as "ondas geopolíticas mais calmas" limitaram a demanda por ativos considerados mais seguros como o ouro diante de negociações de paz no Oriente Médio e no Leste Europeu.
Prata sofre queda ainda mais expressiva que o ouro
Se o ouro recuou, a prata sofreu um tombo ainda maior nesta terça-feira 917). O contrato para março caiu 5,67%, encerrando o dia a US$ 73,54 por onça-troy.
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A visão para o metal é de cautela. Segundo analistas do TD Securities, o mercado observa um aumento nas taxas de cobertura de inventário e uma onda recorde de reposição de estoques em Londres.
Os sinais de atrito na demanda do varejo também ajudam a explicar a performance negativa do ativo nesta terça-feira.
Alavancagem oculta
O ouro chegou às máximas históricas quando superou os US$ 5.600 neste ano. Além da busca por ativos mais seguros, a diversificação do dólar e o apetite dos bancos centrais ajudaram o metal a bater recordes seguidos.
No entanto, o ouro vem perdendo o brilho, com oscilações bruscas incomuns para ativos considerados porto seguro em momentos de incerteza global.
E a onda geopolítica mais branda não explica totalmente o movimento. A incerteza sobre os juros norte-americanos continua no radar — um cenário que, segundo o Commerzbank, sugere que o preço do ouro "continuará a oscilar próximo de US$ 5 mil".
Mas ainda há outro fator por trás das vendas recentes do ouro. A TD Securities revelou que formas de "alavancagem oculta" foram expostas recentemente, gerando "vendas forçadas substanciais".
Além disso, reguladores em Shenzhen, na China, estão reprimindo esquemas de pré-pagamento de lingotes, o que retirou um dos pilares de sustentação da demanda recente pelo ouro.
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CME amplia margens para ouro e prata
No entanto, um outro fator pode ter passado despercebido por muito investidor por aí, e influencia diretamente o preço do ouro e da prata.
No início do mês, a CME Clearing anunciou um aumento das exigências de margem para uma ampla gama de contratos de metais, citando uma "revisão normal da volatilidade de mercado para assegurar cobertura adequada de colateral".
Desde então passaram a valer novos requisitos para ouro, prata, platina e paládio negociados na Comex e na Nymex, incluindo versões padrão, micro, e-mini e operações de negociação na liquidação (TAS, na sigla em inglês) — ordens que permitem comprar ou vender um contrato ao preço de liquidação antes do fechamento dos mercados.
Segundo analistas da Yardeni Research, as mudanças forçaram muitos investidores a liquidar posições, contribuindo para a aceleração da queda dos preços dos metais.
No caso do ouro, os contratos futuros passam a exigir margem inicial de 8%, ante 6% anteriormente, enquanto a margem de manutenção sobe para 6%. Para posições classificadas como HRP, a exigência inicial aumenta para 8,8%, segundo a tabela divulgada pela CME.
A prata passou por um dos ajustes mais elevados. Os contratos futuros passaram a ter margem inicial de 15%, contra 11% antes da mudança, com o aviso indicando aumento para todos os vencimentos listados, incluindo contratos mini, micro e TAS.
Também houve elevação nas margens de platina, cuja exigência inicial passou a 15%, e de paládio, com margem inicial de 16%.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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