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COUNTRY INGLÊS

Um roteiro em Cotswolds, a Inglaterra rural que sobreviveu ao tempo; como ir, o que explorar, preços e mais

No sudoeste britânico, essa região preserva o que se tem de mais tradicional na cultura inglesa, entre arquitetura medieval e paisagens bucólicas

Costwolds, Inglaterra
Costwolds, Inglaterra - Imagem: istock/CHUNYIP WONG

Na Inglaterra, uma hora de trem separa o caos urbano e molhado de Londres de um universo pacato à parte. Pela janela, prados extensos, campos verdejantes e uma vida bucólica são um convite a entrar na vida rural de Cotswolds.

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Distante da vibração cosmopolita da capital e de outros centros britânicos, como Manchester ou Edimburgo, a região guarda uma Inglaterra de outro ritmo. Por lá, chega quem busca desacelerar, caminhar sem pressa, ouvir o som dos rios e entrar em pubs que funcionam há centenas de anos.

Cotswolds se estende por mais de 2 mil km² de colinas, vales e vilarejos que mantêm a mesma aparência há séculos, espalhados por seis condados – Oxfordshire, Gloucestershire, Wiltshire, Somerset, Warwickshire e Worcestershire.

Marcada pela nascente do rio Tâmisa, ela é uma Area of Outstanding Natural Beauty (Área de Notável Beleza Natural) pelo governo britânico, oficialmente protegida em 1966.

Costwolds, Inglaterra
Costwolds, Inglaterra

Qual o estilo de Cotswolds?

Ali a pegada é a preservação histórica e natural. A região mantém sua própria identidade por meio dos prédios e vilarejos, que perseveram a cultura local como museus. Por lá se experimenta a legítima culinária inglesasim, ela existe. E algumas tradições curiosas, como a emblemática (e viral) corrida do queijo de Cooper's Hill, aliás.

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Mas quem ainda pede uma pegada pop pode encontrá-la na relação do local com a escritora conterrânea Jane Austen, por exemplo. Ou mesmo com a obra de J.R.R. Tolkien. Isso porque o lendário escritor de O Senhor dos Anéis se inspirou francamente no estilo de vida de Cotswolds para dar origem à parte de sua mitologia – especialmente quando escreve sobre os pacatos hobbits, em sua paz imperturbável.

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No guia abaixo, contamos mais sobre Cotswolds e sobre como aproveitar ao máximo o refúgio bucólico desta Inglaterra pacífica e tradicional. E, para isso, a dica é escolher uma base para explorar melhor, seja no sul ou no norte da região.

Mas antes, como explorar Cotswolds

A melhor forma de conhecer a região é de carro. Pode ser alugado (lembrando que no Reino Unido a direção é pelo lado direito, o que pode ser desafiador), via tours privados ou até usando aplicativos de transporte para trajetos mais curtos. Porém, a vantagem de dirigir é a liberdade de parar em vilarejos menores e seguir no seu próprio tempo.

Para um primeiro contato, três noites dão uma boa amostra. Mas com cinco dias, é possível conhecer diferentes áreas. Uma estratégia eficiente é escolher duas bases: Bath, para explorar o sul, e Burford, para o norte. Entre os vilarejos, a distância raramente ultrapassa 40 minutos de estrada.

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Costwolds, Inglaterra
Costwolds, Inglaterra

Cotswolds pelo Sul: base em Bath

Visitar Bath, com suas termas romanas e arquitetura georgiana, já valeria a viagem por si só. Fundada no século 1 como estação termal romana (Aquae Sulis), foi revitalizada no século 18, quando se tornou um destino de lazer da aristocracia.

Além disso, é a cidade natal da escritora Jane Austen. Hoje, além de ser Patrimônio Mundial da UNESCO, oferece hotéis, restaurantes e transporte que facilitam explorar o sul dos Cotswolds. A sugestão de hospedagem em Bath é no histórico The Royal Crescent Hotel & Spa (diárias a partir R$2.400)

Casa com jardim na frente de castelo

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Crédito: Ricardo Preto

Castle Combe

A 25 km de Bath, Castle Combe é frequentemente citado como “o vilarejo mais bonito da Inglaterra”. O título vem da harmonia entre as casas de pedra e o traçado medieval preservado.

Costwolds, Inglaterra
Costwolds, Inglaterra

A vila foi próspera no comércio têxtil até o século 19, quando a industrialização desviou a produção para as cidades maiores. Ironicamente, foi isso que ajudou a preservar sua aparência original. A igreja de St. Andrew, com seu relógio do século 15, por exemplo, é um testemunho dessa história.

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Castelo com ponte na frente de uma igreja

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Crédito: Ricardo Preto

Tetbury

Seguindo por cerca de 30 minutos a nordeste, está Tetbury. Conhecida pela ligação com a família real britânica, por abrigar a Highgrove House, residência de campo do rei Charles III, que abre seus jardins ao público em datas específicas.

No passado, a cidade foi um centro importante do comércio de lã. Mais tarde, de antiguidades, o que se preserva até hoje, especialmente na Long Street, repleta de lojas especializadas. O Market House, mercado coberto do século 17, ainda é usado para feiras e eventos comunitários.

Casa grande com jardim na frente

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Highgrove House, crédito: Ricardo Preto

Lacock

Fechando o circuito voltamos em direção ao sul, para chegarmos em Lacock: um vilarejo medieval praticamente intacto. Suas ruas de paralelepípedo e casas dos séculos 15 e 16 são tão bem preservadas que serviram de cenário para obras como Harry Potter, Downton Abbey e Orgulho e Preconceito.

O destaque é a Lacock Abbey, fundada no século 13 como mosteiro agostiniano, transformada em residência Tudor após a dissolução dos monastérios por Henrique VIII. No século 18, foi ainda lar de William Henry Fox Talbot, um dos inventores da fotografia. Por isso, o edifício abriga hoje um museu dedicado a ele.

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Castelo no alto de prédio

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Lacock Abbey, crédito: Ricardo Preto

Cotswolds pelo norte: base em Burford

Burford é conhecida como “a porta de entrada para os Cotswolds”. No século 15, era um centro de comércio de lã. Sua rua principal, aliás, ainda mantém a arquitetura daquela época.

O local é um ponto de partida para quem quer visitar os vilarejos do norte dos Cotswolds sem grandes deslocamentos. Uma opção de hospedagem na cidade é o Bull Buford, situado no centro, com fachada datada do século 16 e interiores com design contemporâneo (diárias a partir de R$1.900).

Bibury

A pouco mais de 20 minutos de Burford, está o vilarejo que foi descrito por William Morris, líder do movimento Arts and Crafts, como “o mais bonito da Inglaterra”.

Bibury, é famoso por Arlington Row, fileira de casas do século 17 construídas para abrigar tecelões. O rio Coln corta a vila e cria áreas ideais para caminhadas.

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A Bibury Trout Farm, fundada em 1902, é uma das mais antigas fazendas de truta do país. Por lá é possível ver o processo de criação e até degustar o peixe fresco.

Casa com jardim na frente

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Arlington Row, Crédito: Ricardo Preto

Stow-on-the-Wold

Seguindo viagem, por cerca de 20 minutos em direção ao norte,  encontramos o ponto mais alto dos Cotswolds: Stow-on-the-Wold. Sua praça central ainda é cercada por pubs, lojas e antiquários.

O The Porch House, que afirma ser o pub mais antigo da Inglaterra, remonta ao ano 947 e quem passar por lá não pode deixar de experimentar uma de suas cidras artesanais. Um dos pontos mais fotografados é a porta da igreja St. Edward’s:

Caminho de cimento ao lado de um prédio

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Crédito: Ricardo Preto

Chipping Campden

Por fim, em um trajeto de pouco mais de 10 minutos, está Chipping Campden. Conhecida por sua High Street, considerada uma das ruas mais belas da Inglaterra. O vilarejo que foi um próspero centro de comércio de lã no século 17.

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O Market Hall, de 1627, construído para abrigar comerciantes em dias de chuva, ainda se mantém como símbolo da cidade. É também um ponto de partida da trilha Cotswold Way, que percorre 164 km até Bath (uma opção para quem inicia a visita pelo Norte). Desde o final do século 19, a cidade é associada ao movimento Arts and Crafts, com ateliês e galerias que preservam o artesanato tradicional.

Outro atrativo da região são os campos de lavanda, que criam uma paisagem idílica, encerrando o roteiro da melhor forma.

Grupo de animais no campo

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Crédito: Ricardo Preto

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