Por dentro do Omoda 5 e do Jaecoo 7, apostas das jovens marcas chinesas para conquistar o Brasil
Duas novas marcas chinesas, mas que pertencem a um grupo conhecido, chegam ao Brasil com produtos elogiáveis a preços competitivos
De renegadas a queridinhas dos carros modernos, as marcas chinesas estão invadindo o Brasil. Preocupação para as montadoras tradicionais e concorrentes diretas de outros asiáticos (japoneses e coreanos), os chineses chegaram com produtos inovadores.
Surfando essa onda, duas marcas de um mesmo grupo acabam de lançar veículos eletrificados no Brasil – e não estão para brincadeira. Omoda e Jaecoo (essa última pronuncia-se Jêiku) ainda podem ser nomes desconhecidos, mas as duas jovens marcas chinesas, nascidas em 2023, fazem parte do grupo Chery International, embora não tenham se associado diretamente à operação brasileira da Caoa Chery.
Com dois anos de atuação global, a dupla Omoda & Jaecoo busca alcançar a venda de 1,4 milhão de veículos fora da China até 2030, com forte presença na Europa e em diversos países ao redor do mundo.
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Tecnologia e investimentos
Na chegada ao Brasil, as marcas querem se firmar no mercado nacional com veículos de tecnologia avançada, focados em sustentabilidade, segurança e conforto.
No final do ano passado, o discurso era de investimentos. Para ser preciso, o plano era aplicar R$ 200 milhões no país para iniciar as vendas no primeiro semestre de 2025 de um SUV elétrico e outro híbrido, já com 50 concessionárias abertas por aqui.
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Dito e feito. As chinesas acabam de lançar o Omoda 5 e o Jaecoo 7. As metas são ousadas: emplacar 30 mil unidades em 12 meses, o que as colocariam em pé de igualdade com a Caoa Chery.

Para isso, a expectativa é de abrir um total de 150 concessionárias em até três anos, número equivalente ao que a Caoa Chery tem de lojas hoje. Além disso, a busca é por lançar novos produtos e consolidar os planos de produção no Brasil.
O alvo, curiosamente, seria a antiga fábrica da Caoa Chery em Jacareí (SP), suspensa desde 2022, já que a marca sino-brasileira decidiu concentrar a produção de seus modelos Tiggo em Anápolis (GO). Parte do terreno em Jacareí (436 mil m²) foi doado à Omoda & Jaecoo, mas sem área construída.
A ideia de ter fábrica seria não apenas visando o potencial mercado interno nacional, mas também fazer do Brasil uma base exportadora.

Fomos conhecer de perto os dois lançamentos Omoda 5 e Jaecoo 7 e vamos contar os detalhes de cada um deles.
Jaecoo 7: destaque na autonomia

Símbolo da transição energética, os híbridos plug-in cresceram 52% em 2024 e foram a categoria de eletrificados de maior volume: 64.009 emplacamentos em todo o ano passado.
Os chamados PHEVs são os mais eficientes e ainda oferecem maior autonomia no modo elétrico e no modo híbrido.
Aliás, esse é um dos maiores argumentos a favor do Jaecoo 7: sua resistência elétrica ultralonga permite que o SUV, com uma única carga, percorra um longo percurso, garantindo não só economia, como tranquilidade nas viagens. Afinal, ninguém quer enfrentar filas ou muito tempo de espera para recarregar seu carro.

O chinês Jaecoo 7 é um SUV médio de 5 lugares com 4,5 metros de comprimento, por 1,86 metro de largura, que se equivale a um Toyota Corolla Cross e ao Caoa Chery Tiggo 7.
Importante ressaltar que Jaecoo 7 e Tiggo 7 compartilham a mesma plataforma, mas se diferem em oferta de conteúdos e conjunto híbrido, mais evoluído a favor do Jaecoo.
Por fora, o híbrido PHEV tem dianteira imponente, imensa grade com 20 filetes verticais que separam os faróis diurnos finos com elementos em led em formato de grid e mais abaixo nas extremidades mais dois conjuntos de faróis.

Capô alto, linha de cintura elevada, rodas de 19 polegadas, vidro espia na coluna C e traseira com lanternas finas em led, também com elementos em formato de grid, unidas por uma barra escura e o logotipo da marca centralizado reforçam o design de linhas retas do Jaecoo 7.
Super híbrido
O Jaecoo 7 vem acompanhado da sigla SHS, sigla de Super Hybrid System ou sistema super híbrido.
Sob o capô, ele traz o motor a gasolina 1.5 turboalimentado de 135 cv de potência e transmissão de dupla embreagem de 7 velocidades, e outro motor elétrico de 204 cv. Combinados, geram 339 cv de potência e 52 kgfm de torque.
Dotado de sistema de resistência elétrica ultralonga, o Jaecoo 7 possui bateria de 18,3 kWh, que lhe garante autonomia de 79 km no modo elétrico.

A maior parte do tempo, o SUV roda silencioso e suave. Devido à sua boa acústica, mal o motorista percebe a interferência do motor a combustão quando ele é mais exigido.
A marca garante que ele chega a 1.200 km de autonomia. O consumo pelo Inmetro em percurso de cidade é de 15,1 km/l e na estrada de 13,5 km/l. Seu tanque de combustível comporta 60 litros de gasolina, o que também contribui para o longo alcance.
Sempre vale lembrar que o Jaecoo 7 é um híbrido plug-in, que deve ser mantido carregado para não depender do motor 1.5, principalmente em longas viagens. Sozinho, o SUV de 1.795 kg possui relação peso-potência de um carro popular antigo. Ou seja, sem o motor elétrico para ajudar, o motorista precisará de muita paciência para ultrapassagens e subidas de serra.

Confortável e espaçoso
Por dentro, o Jaecoo 7 na versão topo de linha Prestige oferece conforto, amplo espaço e materiais de boa qualidade.
Os bancos de material premium sintético e os revestimentos macios ao toque demonstram a preocupação com o acabamento.

O híbrido chinês tem interior mais minimalista, com pouco botões, porta-objetos com tampa e carregador de celular por indução. Alguns podem achar que isso significa simplicidade, mas é um padrão escolhido pela marca, algo que curiosamente vemos em modelos elétricos.

Possui ainda ar-condicionado de duas zonas, volante multifuncional, sistema de infotainment que conecta celular sem fio em uma enorme tela vertical de 14,8 polegadas com reconhecimento facial e atualizações over the air (remotamente). O cluster todo digital com as informações para o motorista tem tela de 10,25”.

As maçanetas embutidas nas portas conferem um toque moderno, enquanto o teto solar panorâmico proporciona a sensação de amplitude interna.

Com 2,67 metros de distância entre os eixos, o Jaecoo 7 oferece bom espaço no banco traseiro com o assoalho plano e seu porta-malas acomoda bons 500 litros de volume.
Preços e conteúdos
O Jaecoo 7 SHS é apresentado no Brasil em duas versões: Luxury por R$ 229.990 e Prestige, a R$ 249.990. Ambas oferecem rodas diamantadas de 19”, teto solar panorâmico, câmera 540 graus e 7 airbags.
Completa a segurança o sistema Adas, que na versão de entrada conta com alertas de saída de faixa, de partida do veículo à frente, de detecção de veículos, pedestres e ciclistas. Entre os assistentes, o de controle de descida, de partida em rampa e velocidade em curva. Há ainda farol inteligente (apaga a luz alta quando detecta um carro na direção oposta), piloto automático adaptativo e frenagem de emergência.
A versão Prestigie, mais completa, conta com bancos aquecidos e ventilados e recursos mais avançados de Adas 2.5: adiciona ao Adas da Luxury alertas de portas abertas, de prevenção de colisão traseira e de tráfego cruzado, assistente de monitoramento de ponto cego e de centralização na faixa, sistema de manutenção de faixa de emergência e monitoramento de fadiga do condutor.
Para o Brasil serão oferecidas quatro opções de cores: branco Artic, prata Crest, cinza Highland e preto Andromeda.
O Jaecoo 7 concorre com similares chineses como BYD Song Plus, GWM Haval H6 e Caoa Chery Tiggo 7 todos na faixa de R$ 240 mil. SUVs médios de marcas tradicionais como Jeep e Toyota também são alvos da Jaecoo.
Omoda E5: foco em design e desempenho

A segunda opção da dupla Omoda & Jaecoo no Brasil é o elétrico Omoda E5. Os elétricos são a opção mais interessante em termos de inovação, tecnologia e sustentabilidade, mas ainda são limitados a regiões do Brasil com melhor infraestrutura de recarga.
No design, o E5 possui um design arrojado, com linhas dinâmicas, ângulos pronunciados e vincos marcantes. Ele é inspirado no conceito Art in Motion, desenvolvido por uma equipe internacional liderada por Steve Hume.
Sua dianteira futurista exibe uma linha fina abaixo do capô integrada aos faróis, criando uma assinatura visual distinta. Os faróis principais foram alojados nas extremidades da peça que incorpora o para-choque, em elementos angulosos que finalizam com uma grade logo abaixo da placa.

Visto de lado, a silhueta, com uma leve inclinação do teto, entrega a preocupação aerodinâmica, já que o E5 ostenta coeficiente de arrasto de 0.281, realçado pelas rodas de 18 polegadas.

Atrás, o aerofólio realça um aspecto de esportividade e as lanternas em led com design afilado lembram a haste de uma flecha, conectadas por uma barra, e invadindo a parte lateral da carroceria.
Com 4,42 metros de comprimento, o Omoda E5 se equivale ao porte do Fiat Fastback. Na largura, com 1,83 metro, empata com o BYD Yuan.
Boa autonomia para um elétrico
O Omoda E5 é um 100% elétrico equipado com motor de 204 cv de potência e 34,6 kgfm de torque, que o faz acelerar de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos e atingir velocidade máxima de 172 km/h.
Pesando 1.710 kg e com tração dianteira, o E5 oferece uma condução confortável e estável, mesmo quando abusamos de sua suspensão em curvas acentuadas.

A bateria de 61,1 kWh garante uma autonomia de 345 km (segundo o Inmetro) e o carregamento de até 80% pode ser feito em cerca de 30 minutos utilizando uma estação de carregamento 80 kW. Em wallbox de 7 a 11 kW leva-se de 6 a 8 horas para a recarga.
Cabine requintada e clean
O interior traz o essencial com padrões de boa qualidade. O motorista tem à sua frente duas grandes telas que formam um painel de 24,6 polegadas digital para os instrumentos e sistema multimídia com conexão sem fio a Apple CarPlay e Android Auto.

Fazem falta os botões de ajuste do ar-condicionado, concentrados na tela do multimídia.
Revestimentos são macios ao toque, com materiais premium sintéticos nos bancos, outros que imitam madeira, metais e até veludo em algumas partes.

Porta-objetos com tampa e refrigeração, carregador de celular por indução de 50 W, chave presencial, câmera 540 graus e poucos botões completam os conteúdos e design interno clean do Omoda E5.
O elétrico possui distância entre-eixos de 2,63 metros, e isso se traduz em um espaço aceitável para as pernas no banco traseiro, que o colocam em pé de igualdade com o Caoa Chery Tiggo 5x e o Jeep Compass, com a vantagem do túnel central baixo. O porta-malas é apenas razoável e acomoda 340 litros – por compartilhar plataforma com o Tiggo 5x ambos acomodam o mesmo volume.

Em segurança, o Omoda traz o essencial: 6 airbags, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, piloto automático adaptativo, alerta de colisão com frenagem autônoma, detector de fadiga e farol alto automático.
Preço competitivo com propósito
Disponível em cinco opções de cores neutras (azul, prata, cinza, branco e preto), já está à venda em única versão a R$ 209.990.

O preço é bem competitivo frente aos principais rivais elétricos BYD Yuan, que custa R$ 235.800 e tem menos autonomia (294 km), e também o Volvo EX30, que na versão com single motor Core custa R$ 230 mil e tem alcance de 250 km.
Não teria outro jeito: o preço é uma estratégia de chamar a atenção e se apresentar como uma nova marca e produto. Para isso, a marca também quer crescer na rede de autorizadas.
Omoda e Jaecoo contam com 50 concessionárias pelo país e têm previsão de chegar a 90 lojas até o fim do ano. A possível produção nacional ajudaria a reforçar sua presença e a melhorar a expectativa de vendas.
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