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Com réplica de modelo clássico da Montblanc e três anos de pesquisa na experiência tátil da escrita, marca alemã lança seu primeiro dispositivo de caligrafia digital; conheça os detalhes técnicos, funções e preço

Mesmo a um público mais antenado, a ideia da escrita digital ainda pode chegar carregada de ceticismo. Mesmo em 2025, quando alguns gadgets já viabilizam a caligrafia em tela, ainda se trata de um campo que surpreende a cada avanço. Um dos lançamentos recentes que chega superando expectativas é o Montblanc Digital Paper, dispositivo que busca traduzir a experiência da escrita manual da marca alemã para o ambiente digital.

Lançado há duas semanas no mercado americano e europeu, o dispositivo chega agora ao Brasil com preço sugerido de R$ 8.100. Desenvolvido na sede da marca em Hamburgo, ele foi testado por artesãos da Maison por três anos. O objetivo era manter características táteis semelhantes às de instrumentos de escrita tradicional. No horizonte, uma ideia de papel e caneta, de fato.
Quem confirmou a informação foi o diretor global de novas tecnologias da Montblanc, Felix Obschonka. Em passagem pelo Brasil, coube a ele traduzir os esforços da equipe da Montblanc no projeto. Afinal, este é um esforço pioneiro da companhia na seara da escrita em pixels.
"Não acreditamos que [essa tecnologia] vá substituir o que temos visto na escrita até agora, mas acreditamos que é um passo importante em direção ao futuro."

Na prática, trata-se de uma tela de pouco mais de 10 polegadas, que vem acompanhada da Montblanc Digital Pen. A caneta é inspirada na Meisterstück, lendário (e agora centenário) design de um modelo tinteiro de 1924. Aqui, ela aparece com três pontas intercambiáveis, cada uma simulando diferentes texturas de papel.
Tecnicamente, o destaque percebido no teste da redação foi a versatilidade que a ferramenta oferece. São 4.000 níveis de sensibilidade à pressão, além de centenas de combinações possíveis de traço. Para quem usa, a experiência emula desde lápis ou caneta esferográfica até a ponta de um tinteiro, com foco em caligrafia.
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O gadget oferece conexão Wi-Fi e Bluetooth, e pode ser administrado pelo app Montblanc Digital Paper, disponível em iOS e Android.
Já a tela possui visor de tinta eletrônica de alta resolução que reforça essa sensação de contato – um toque semelhante ao do Amazon Kindle, para quem já experimentou.
Essa semelhança com o aparelho da Amazon, aliás, não para por aí. O Montblanc Digital Paper também oferece recursos como anotações e leitura de e-books. Nele ainda é possível estruturar ideias em modelos de calendários ou diários e compartilhar arquivos por e-mail, USB-C ou via Montblanc Cloud. Além disso, há a possibilidade de organização de agendas e busca por reconhecimento de escrita.
"Dedicamos um grande esforço em tornar a textura da tela parecida com papel. A ideia é que, que quando coloque a caneta sobre ela, você possa senti-la como um instrumento de escrita tradicional. Esse foi um de nossos maiores desafios."
Mas, afinal, se o aparelho se assemelha a concorrentes mais populares – e mais econômicos –, como o Amazon Scribe e o reMarkable, o que o Digital Paper traz ao cenário da escrita digital?
A diferença, naturalmente, está no foco e no público. Mais que desempenho, o aparelho reforça o posicionamento premium da empresa e seu legado quando o assunto é a escrita.
Começando pelo acabamento, em si, a estrutura possui uma caixa de metal leve em três opções de cor (Preto Mistério, Ouro Elixir e Cinza Frio). O dispositivo traz, inclusive, uma barra lateral em couro gravado com o emblema da marca. Há também capas de couro opcionais e personalizáveis.

Porém o destaque, como não poderia deixar de ser, é a caneta. Diferente de outros gadgets, em que o foco está principalmente na conectividade, o Digital Paper de Montblanc concentra esforços na experiência da escrita. E o faz com o savoir-faire centenário que deu prestígio à casa.
Desenvolvida em colaboração com a agência de design Fuseproject de São Francisco, nos Estados Unidos, a caneta é destaque principalmente pela solidez e pelo peso, algo que pouco se vê em aparelhos concorrentes.

Enquanto aparelhos como a Apple Pen ou o Amazon Scribe até oferecem opções de escrita premium, por exemplo, o Digital Paper mantém na ferramenta alguns dos elementos que tornaram a Meisterstück um clássico, como o emblema Montblanc na ponta superior e os anéis de metal característicos.
Trata-se da experiência de um produto pensado a partir da experiência de escrita e não simplesmente como uma euforia tecnológica. Algo que encontra eco na defesa do próprio diretor da empresa. "Enquanto ferramentas digitais proporcionam eficiência e conveniência, a escrita à mão proporciona uma experiência mais imersiva, reflexiva e emocionalmente rica".
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