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Sugerimos cinco rotas de destinos pelo Brasil para desfrutar dos benefícios dos modelos 100% elétricos sem perrengues

Até setembro de 2025, o Brasil tinha 16.880 pontos de carregamento de carros elétricos públicos e semipúblicos, um aumento de 59% sobre os últimos 13 meses. Em 2024, a quantidade de carregadores já havia crescido 182%, indicando uma aceleração importante.
O público é aquele tipo de carregador gratuito e aberto a qualquer usuário, enquanto o semipúblico tem acesso controlado por meio de pagamento, cadastro ou horário de funcionamento.
Diferentemente de alguns países com mercado de elétricos (BEV) mais evoluído, porém, o Brasil depende basicamente de capital privado para construir sua infraestrutura.
No mundo, a China, que deve vender 12 milhões de elétricos este ano, lidera a infraestrutura de carregamento com expansão massiva apoiada pelo governo, possuindo atualmente 14 milhões de carregadores devido a um investimento estatal contínuo.
Nos Estados Unidos, a rede é predominantemente privada, liderada pela Tesla com sua vasta rede de Superchargers, que é a maior do mundo e completamente renovável.
Na Europa, contudo, o desenvolvimento é mais fragmentado, envolvendo tanto ações governamentais quanto investimentos de empresas privadas, especialmente em países como Noruega e Holanda.
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Em termos de proporção de vendas de BEVs, alguns países europeus lideram: Noruega com 80% das vendas, seguida pela Islândia (41%), Suécia (32%) e Holanda (24%).

Até junho, o Brasil possuía uma frota de 118 mil carros elétricos em circulação e mais 156 mil veículos híbridos plug-in (PHEV), que possuem recarga por tomada externa. Considerando os pontos de recarga, 16.880, portanto, são 7 carros elétricos por ponto de recarga.

Ao somar os PHEV e BEV, essa proporção sobe para 16 veículos por carregador disponível.
A proporção de pontos de recarga, atualmente de 1 para 16, está no limite de causar congestionamento, especialmente em grandes centros urbanos e rodovias estratégicas. E por si só não diz tudo. Muitos dos 16.880 pontos no Brasil são de baixa potência (AC), o que não é ideal para viagens longas.
Em países onde a eletrificação está em estágio avançado, a proporção de veículos para cada ponto de recarga público é significativamente menor, indicando uma infraestrutura mais densa e madura.
De acordo com o ICCT (International Council on Clean Transportation), a Holanda lidera com 3 carros por carregador. A China tem 6 a 7 carros por carregador; a Noruega 10 e a Alemanha 12.
Os carregadores rápidos (DC) permitem carregar um veículo em menos de uma hora, dependendo do modelo. Carregadores ultrarrápidos entre 150-350 kW oferecem tempos ainda menores.
A qualidade da recarga também é um aspecto importante, já que muitos pontos disponíveis são de baixa potência (AC), inadequados para viagens mais longas. Para isso é necessária a expansão de carregadores ultrarrápidos.
Diversas empresas estão envolvidas na expansão da infraestrutura de recarga, como a Zletric, a maior no país com mil estações em 70 cidades de 15 estados. Grandes concessionárias de energia (como Neoenergia e EDP, por exemplo) investem em programas de corredores elétricos para instalações rápidas em rodovias. Há ainda a Estapar, que integra o setor de estacionamentos.
A Porsche e a Volvo Car são as montadoras que mais investem diretamente na infraestrutura rodoviária brasileira.

A marca alemã, por exemplo, está instalando 66 carregadores ultrarrápidos (150 kW) ao longo de estradas, com investimentos de R$ 70 milhões, em parceria com a GreenV. O objetivo é cobrir até 2028 as principais rodovias que ligam as regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, com estações distribuídas a cada cerca de 100 km. A região Norte não está incluída nesta fase. Cada estação terá dois plugues, um exclusivo para Porsche e outro aberto a todas as marcas.
As novas estações da Porsche serão entregues em fases: 25 carregadores até maio de 2026, mais 25 até 2027 e os 16 restantes até 2028.
A Volvo Car Brasil, por outro lado, conseguiu investimento de R$ 70 milhões da matriz, na Suécia, para ampliar a infraestrutura no Brasil. Até agora construiu 75 eletropostos de carga rápida, cobrindo mais de 31 mil km de rodovias, conectando todas as cinco regiões do país. A meta é alcançar 101 pontos.
Com essa infraestrutura é possível viajar de Pelotas (RS) até Jericoacoara (CE), atualmente a maior "eletrovia" do país interligada por uma única marca.
Além disso, a Volvo instalou 1.000 carregadores em estacionamentos privados, shoppings e estabelecimentos, onde a energia é gratuita apenas a seus clientes. Donos de outros eletrificados têm acesso ao carregamento, mas precisam pagar.
Enquanto a frota cresce e os carregadores tentam acompanhar esse volume, muitas pessoas temem comprar um carro elétrico.
Para quem usa carro principalmente na cidade, um veículo elétrico é adequado, já que a autonomia em média de 250 a 400 km cobre deslocamentos diários e recarrega-se facilmente em casa durante a noite.

Se morar em apartamento é preciso avaliar se o condomínio oferece recarga (ou tem planos) e em qual volume. Por exemplo, um prédio com um ponto de recarga para 4 ou 5 elétricos ou PHEV na garagem já é sinal de preocupação.
A vida muda mais ainda se a família faz viagens aos fins de semana. Ao ter um carro elétrico, torna-se necessário planejamento, conhecimento da localização de carregadores e até estar ciente de que é preciso dirigir de forma mais comedida em rodovias, já que a velocidade na estrada interfere diretamente na autonomia.
As paradas vão levar mais tempo do que o abastecimento de um carro a combustão e as pausas para o café, portanto, serão mais longas.
Não é recomendável ter um elétrico para viagens frequentes em regiões sem infraestrutura de carregamento, ou se a autonomia máxima for baixa, já que recargas frequentes levam tempo e incomodam.
Para quem usa na cidade, viaja nos fins de semana com destinos equipados com carregadores, tem garagem com instalação de wallbox e está disposto a adaptar a rotina, o uso de veículos elétricos é viável, com melhorias rápidas na infraestrutura no Brasil, embora exija uma mudança de mentalidade.
Se você chegou até aqui e concordou com as limitações que um carro elétrico pode enfrentar, tudo pronto para o próximo passo: ter um carro elétrico e viajar com ele.
Saiba, aliás, que você não está só: segundo dados da ABVE, 97% dos usuários de carros elétricos não voltariam a ter carros a combustão.
A satisfação ao possuir um carro elétrico se deve a uma série de vantagens, como menor custo de uso e manutenção, melhor desempenho (torque imediato), silêncio e conforto acústico, por exemplo. Além disso, há o benefício ambiental.
Para ajudar a quem vai cair na estrada, aliás, existem aplicativos que facilitam encontrar postos de recarga, como GreenV, Google Maps, Waze e PlugShare.
Elaboramos cinco rotas saindo de São Paulo e uma mais longa, a que vai de Pelotas a Jericoacoara sem medo de passar perrengue.

Região: Sudeste
Planejamento da rota:
1ª parada: Km 200 (região de Queluz/SP ou Aparecida) - 30 min
2ª parada: Km 350 (Resende/RJ) - 30 min
O que fazer durante a recarga:
Aparecida: visitar a Basílica, almoçar no Porto Itaguaçu.
Resende: visitar outlets, tomar café em padarias locais.
Região: Sul/Sudeste
Planejamento da rota:
1ª parada: Ourinhos/SP (350 km) - 40 min
2ª parada: Maringá/PR (650 km) - 40 min
3ª parada: Cascavel/PR (900 km) - 30 min
O que fazer durante a recarga:
Maringá: almoço no Parque do Ingá, visitar a Catedral.
Cascavel: jantar, conhecer a Catedral.

Região: Sudeste/Sul - Corredor Elétrico Catarinense
Planejamento da rota:
1ª parada: Curitiba (400 km) - 40 min
2ª parada: Garuva/Joinville (550 km) - 30 min
O que fazer durante recargas:
Curitiba: almoço no Mercado Municipal, Ópera de Arame.
Joinville: cervejarias locais, museu da imigração.
Florianópolis: carregar nos shoppings enquanto faz compras ou almoça.
A Rota Sul conta com nove pontos com carregadores entre Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, com carregadores rápidos de 60 kW.

Região: Sudeste/Centro-Oeste - A Eletrovia do Planalto
Planejamento da rota:
1ª parada: Ribeirão Preto (330 km) - 40 min
2ª parada: Uberlândia (650 km) - 40 min, almoço
3ª parada: Itumbiara/Goiás (850 km) - 30 min
4ª parada: Restaurante Jerivá BR-060 (950 km) - 30 min
O que fazer durante recargas:
Ribeirão Preto: Visita rápida ao centro histórico, Museu de Arte (MACC) ou café em um dos locais da cidade.
Uberlândia: almoço no Mercado Municipal.
Jerivá (BR-060): restaurante famoso pela comida caseira, compras de artesanato goiano.
Brasília: Congresso, JK Memorial, ótima rede de carregadores urbanos.
Região: Sul, Sudeste e Nordeste – Rota Sul-Nordeste
Planejamento da rota:
1ª Parada: Porto Alegre (RS) - 260 km (40 min)
2ª Parada: Osório (RS) - 100 km (40 min)
3ª Parada: São José (SC) - 200 km (40 min)
4ª Parada: Balneário Camboriú (SC) - 120 km (40 min)
5ª Parada: Itajaí (SC) - 20 km (40 min)
6ª Parada: Imbaú (PR) - 240 km (40 min)
7ª Parada: Cajati (SP) - 220 km (40 min)
8ª Parada: Avaré (SP) - 240 km (40 min)
9ª Parada: Ubatuba (SP) - 220 km (40 min)
10ª Parada: Campos dos Goytacazes (RJ) - 220 km (40 min)
11ª Parada: Vitória (ES) - 250 km (40 min)
12ª Parada: São Mateus (ES) - 200 km (40 min)
13ª Parada: Eunápolis (BA) - 200 km (40 min)
14ª Parada: Ilhéus (BA)150 km (40 min)
15ª Parada: Ibotirama (BA)- 230 km (40 min)
16ª Parada: Euclides da Cunha (BA) - 230 km (40 min)
17ª Parada: Salgueiro (PE) - 220 km (40 min)
18ª Parada: Sousa (PB) - 180 km (40 min)
19ª Parada: Açu (RN) - 200 km (40 min)
20ª Parada: Jericoacoara (CE) - 243 km (40 min)
O que fazer durante algumas dessas recargas:
Porto Alegre (RS) Orla do Guaíba: Caminhe pela orla recém-revitalizada.
Balneário Camboriú (SC) Praia Central: A recarga fica perto do centro da cidade; aproveite para um café ou uma rápida caminhada no calçadão.
Cajati (SP) Posto de Serviço de Rodovia: Parada puramente estratégica na rodovia Régis Bittencourt. Concentre-se em almoçar/lanchar.
Vitória (ES): Desfrute de uma moqueca capixaba (sem azeite de dendê) em um restaurante próximo.
Ilhéus (BA) Literatura e Praia: Faça uma recarga longa (pernoite se possível). Visite a Casa de Cultura Jorge Amado e as praias do sul da Bahia.
Salgueiro (PE) Cultura do Sertão: Parada crucial no interior. Aproveite para provar a culinária sertaneja da região e visitar feiras locais.

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