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Criados no século 19 para servir caldos a pobres e enfermos, os restaurantes ‘bouillon’ voltaram a fazer sucesso em Paris nos últimos anos – e agora servem escargot a 5 euros

As entradinhas, como escargots ou sopa de cebola gratinada, vão de 1 a 7,50 euros. Pratos tradicionais da culinária francesa, como boeuf bourguignon e confit de pato, vão de 7 a 13,80 euros. De sobremesa, mousse de chocolate ou crème brûlée saem entre 2 e 4,90 euros.
Todos esses preços parecem irreais em uma cidade tão cara como Paris. Mas são eles que aparecem no menu do restaurante Le Bouillon Chartier. Fundada em 1896, a casa estilo bouillon é a mais antiga da Cidade Luz. Atualmente, a marca Chartier possui outras três unidades em funcionamento e atende milhares de clientes por dia.

Os restaurantes estilo bouillon – palavra que significa “caldo”, em francês, e se pronuncia bú-ión, em português, - voltaram a fazer bastante sucesso na capital francesa por causa da inflação e da alta no custo de vida nos últimos anos.
Comer pratos franceses tradicionais oferecidos nos bouillons pode inclusive sair mais barato do que comprar um combo em fast food. A pechincha sempre foi a essência desse modelo de negócio.
Os primeiros bouillons surgiram em Paris em 1854, graças a Adolphe-Baptiste Duval, um açougueiro visionário que oferecia um prato de carne com caldo (por isso, o nome bouillon) aos trabalhadores e enfermos por menos de dois francos.

Dado seu sucesso popular, muitos concorrentes seguiram o exemplo, inaugurando assim o modelo de restaurantes super baratos que fizeram sucesso no século 19. Por muito tempo, porém, os bouillons sumiram de Paris.
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Em 2017, o tradicional Le Bouillon Chartier (que aparece em uma cena da quarta temporada da série Emily In Paris, da Netflix) chegou a ser o único bouillon da cidade. No entanto, ainda naquele ano, Paris ganhou o Le Bouillon Pigalle, e em 2021, nasceu o Le Bouillon République. Com a crescente demanda pelos pratos baratos, hoje em dia existem cerca de 15 restaurantes do tipo na capital francesa.

Por oferecerem menus completos a menos de 20 euros (cerca de R$ 130), os restaurantes bouillon, que são todos independentes e não pertencem a nenhuma rede, têm seu apelo entre os franceses, especialmente os mais jovens e estudantes que ganham menos.
No entanto, quem senta na mesa de um bouillon logo percebe que a maior parte do público dos restaurantes são turistas estrangeiros que querem provar a culinária-francesa-raíz pagando preços acessíveis.

Como é de se esperar, as filas para entrar nos salões dos restaurantes estão sempre cheias de falantes de diversas línguas. Atualmente, o cliente espera cerca de uma hora antes de sentar para comer, mesmo com reserva.
Para garantir os preços baixos, a estratégia dos restaurantes bouillon é servir centenas, ou até milhares, de comensais por dia. O Chartier, por exemplo, recebe cerca de 1.500 pessoas diariamente, enquanto o République pode atender até 2 mil famintos diariamente.

Além da comida, a beleza dos bouillons é outro chamariz. Os salões dos restaurantes costumam ser imensos, e a decoração é uma viagem no tempo, com paredes e tetos pintados a mão, muita madeira talhada, espelhos de todas as formas, esculturas e luminárias clássicas francesas.
Apesar de toda a beleza dos salões, para receber tanta gente, os bouillons também possuem uma quantidade grande de mesas. O espaço entre elas, portanto, costuma ser mínimo. Não é raro encostar sem querer na pessoa da mesa ao lado por causa da distância ínfima.
Pela essência do negócio, o ambiente dos bouillons também são bem agitados e barulhentos. Os garçons precisam fazer um verdadeiro balé para dar conta de servir todas as mesas sem fazer o cliente esperar muito.
O atendimento, claro, não é o melhor que existe na cidade. Os garçons são frequentemente tidos como grosseiros por não terem muita paciência na hora de anotar o pedido, que precisa ser feito todo de uma vez. Definitivamente, esse tipo de restaurante não é ideal para um date romântico ou uma celebração especial, mas é sem dúvida uma ótima (e barata) pedida para quem vai visitar Paris.
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