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Edição brasileira de livro de 2010 revela os detalhes da chamada Estratégia do Tabaco com direito a paralelos com a manipulação do debate ambiental
Recém-publicado no Brasil, Mercadores da Dúvida (Quina, R$ 89,90) revela como as indústrias do tabaco e do petróleo aprenderam a transformar a dúvida em arma política. O livro mostra que a manipulação da incerteza, vendida como debate legítimo, tornou-se o modelo para campanhas de desinformação e continua moldando a relação entre ciência, mídia e poder.
A obra é escrita por Naomi Oreskes, historiadora da ciência e professora em Harvard, e Erik M. Conway, historiador da tecnologia no Jet Propulsion Laboratory da NASA. Lançado pela primeira vez em 2010, o livro se tornou uma obra de referência para compreender como as indústrias do tabaco e do petróleo lançaram mão de técnicas visando a promoção sistemática de desinformação para ofuscar e negar dados científicos.
Mercadores da Dúvida conduz o leitor por quase sete décadas de táticas de desinformação, começando pela chamada Estratégia do Tabaco, pioneira entre elas. Com a proibição dos clássicos anúncios de cigarros endossados por médicos, a indústria do tabaco passou a financiar institutos de pesquisa. Mas o intuito era o de produzir estudos que oferecessem um contraponto ao consenso científico.
A mídia americana acabou obrigada pela legislação da época a mostrar os dois lados da questão – algo lícito num debate político. Porém, caiu na armadilha arquitetada pelos cientistas, lobistas e publicitários da indústria do tabaco. Mais do que provar que o cigarro não causava câncer, a estratégia visava a disseminação de desinformação a fim de confundir o público.
A Estratégia do Tabaco se mostrou terrivelmente eficaz. Consequentemente, funcionou como a base para outras campanhas de desinformação em relação ao fumo passivo. E ainda sobre outros temas, como a chuva ácida, o buraco na camada de ozônio e às mudanças climáticas, por exemplo.
Desde o seu lançamento, Mercadores da Dúvida teve um impacto enorme tanto na academia como na sociedade civil e vem recebendo sucessivas edições com acréscimos. A edição brasileira ganha um posfácio inédito escrito por Oreskes que faz um aceno para à COP30, realizada esta semana Belém.
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Apesar da Estratégia do Tabaco ter sido o modelo dessas corporações para todas as outras campanhas de desinformação e servir como ponto de partida para os autores, fica evidente que o negacionismo das questões climáticas é o problema premente para a garantia do futuro do planeta.

E no entanto as táticas são as mesmas que eram 70 anos atrás. Há a insistência de que a ciência não está em consenso, o financiamento de cientistas e inclusive institutos aparentemente independentes para semear dúvida, a distorção de dados e a criação de uma falsa equivalência na mídia.
Trata-se de um mecanismo refinado, pois ao explorar as brechas inevitáveis da incerteza científica consegue transformar a dúvida – própria à pesquisa – em arma retórica. Em vez de refutar dados, a estratégia era deslocar o ponto de foco. O resultado vem através de controvérsias artificiais e trocando o debate científico por narrativas morais e políticas.
Foi o negacionismo climático que herdou melhor essa engenharia, convertendo o debate ambiental em campo ideológico, onde cada dúvida fabricada é uma década perdida. Assim como o cigarro era defendido em nome da liberdade individual, o desmonte de políticas climáticas é hoje justificado em nome do crescimento econômico e da soberania nacional.
Em 2025, às vésperas de um ponto de não retorno ecológico, o que está em jogo já não é o convencimento, mas a possibilidade de decisão. Este é o momento em que veremos se a política global continuará presa ao ciclo de manipulação e atraso que Mercadores da Dúvida revela.
No coração da Amazônia, a COP30 surge como mais uma tentativa – talvez uma das últimas – de alinhar ação global ao conhecimento científico. Oreskes e Conway veem uma oportunidade. Aqui, a proposta é a discussão de políticas de incentivo a tecnologias verdes, por exemplo. Além disso, também se estuda o corte de subsídios para usinas termelétricas baseadas no carvão.
A relação é endossada já no prefácio, assinado por Al Gore, o ex-vice presidente dos Estados Unidos, vencedor do prêmio Nobel da Paz e autor de livros como A Terra em Balanço e Uma Verdade Inconveniente:
“Mercadores da Dúvida ajudou a transformar o debate público ao mostrar que a negação de problemas como a crise climática não é causada por ignorância científica”, escreve o político. “Pelo contrário, a negação resulta de um excesso de desinformação financiada por empresas cujos modelos de negócio se baseiam em um sistema que lança toneladas de poluentes todos os dias.”

Depois de quase quinhentas páginas detalhando as táticas de desinformação, os autores não oferecem nenhuma solução milagrosa. Oreskes e Conway falam em recuperar a confiança pública na ciência, exigir transparência de quem financia o discurso e romper o falso equilíbrio midiático que dá o mesmo peso à mentira e ao fato.
De acordo com os autores, o tecnofideísmo é um beco sem saída. Eles usam o termo para caracterizar a crença de que a tecnologia avançará a ponto de reverter os danos ao meio ambiente. Isso porque, afinal, foram justamente os avanços tecnológicos que os causaram. Eles propõem, no seu lugar, um esforço para regulamentação dessas indústrias e das redes sociais, hoje as maiores disseminadoras de desinformação.
Talvez o maior desafio da COP30 seja recuperar a confiança de dois públicos muito distintos – ainda que unidos pelo ceticismo –, aqueles que não acreditam nas mudanças climáticas e aqueles que já não acreditam mais na possibilidade de mudança por meio de ações governamentais.
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